8 de maio de 2021

Individualismo não gera avanço

As medidas de isolamento social determinadas pelas autoridades de saúde (Organização Mundial de Saúde, Ministério e Secretarias de Saúde) de todo o mundo e efetivadas pelos mandatários  brasileiros estão gerando um grande e acalorado debate.

Hobbes, em sua grande obra “Leviatã” define liberdade como “a ausência de resistências externas que poderiam obstruir os movimentos possíveis aos corpos simples” (p.171). Na visão de Hobbes o homem livre “é aquele que, naquelas coisas que graças a sua força e engenho é capaz de fazer, não é impedido de fazer o que tem vontade de fazer” (p.172), é gerido pela sua vontade e capacidade.  

Para aqueles que são a favor do isolamento social a liberdade interliga-se aos movimentos que vivenciamos pelo simples ato de viver em sociedade, a liberdade faz parte do nosso corpo social, mas ela não pode sobrepor a liberdade do outro.   Aos contrários a interpretação é a mesma, mas por um ponto, quando deparados as resistências externas, acreditam que a liberdade corre risco. Mas o que seriam essas resistências externas? Podemos definir essas resistências externas como tudo aquilo que impede a nossa liberdade no sentido mais simples como a proibição de circulação na cidade, de trabalhar e de manter uma “vida social”.

Nessa medida, eles estariam certos em serem contrários ao isolamento social, visto que em primeiro lugar deve-se manter a “liberdade”. Pois bem, ao personificar a liberdade como algo que “eu” mesmo determino e que ninguém pode decidir sobre isso, acabo vendo a liberdade como particular, ou seja, aos meus interesses em primeiro lugar, e não pode haver nenhum impedimento externo. Esse padrão de liberdade caminharia para um tipo bem sutil de “individualismo moderno”.

Muito embora a liberdade individual seja fundamental, ela não pode sobressair ao interesse coletivo e assim a defesa pelo fim do isolamento social torna-se a defesa das idiossincrasias, independentemente do gênero, classe social, raça e orientação ideológica. Desse modo prevalecendo a insígnia da individualização como sinônimo de liberdade, nenhum avanço social será possível.

Foto/Destaque: Divulgação

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