Indiferenças ao setor primário

Os números da produção brasileira continuam sendo contraditórios e, portanto, chamam a atenção de todos nós. Na avaliação mundial sobre desenvolvimento econômico, o Brasil consta entre os 20 países do topo da economia mundial. Na avaliação mundial sobre IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), o país despenca, ficando atrás da Índia, entre os 60 países com IDH mais baixos do mundo. E mais, o IR (Imposto de Renda) recolhido na fonte, significa dinheiro no caixa do governo que não é dele. E, sim dos contribuintes.
Só que na ora de fazer a devolução, o governo simplesmente alega falta de dinheiro. Ao mesmo tempo em que se tira dinheiro do tesouro nacional para “ajudar” aos vizinhos Paraguai, Bolívia e Suriname, enquanto nossos soldados estão no Haiti, a guerra urbana feita grupos criminosos, mais bem armados que o aparelho policial oficial se fortalecem cada vez mais.
Mas, o que tudo isso tem a ver com o setor primário e, consequentemente com a produção de alimentos. Ocorre que somos o maior Estado brasileiro em extensão territorial, único na sua diversidade vocacional. E dono do maior estoque e de variedades de peixes de água doce do mundo e de rica província petrolífera. Sou pescador, filho de pescadores, hoje na condição de representante da população como deputado estadual, presidente da comissão voltada para o setor primário tenho colocado a comissão a serviço do fortalecimento da luta para o maior reconhecimento as categorias de profissionais que atuam no setor primeiro no Amazonas e ao próprio setor como um todo.
As diversas lideranças representativas das várias classes que trabalham no setor primário, além de estar atentos as contradições nas ações dos diversos organismos nas três esferas de governos, as quais, sempre chocam com os interesses do setor, notadamente os grupos pertencentes as comunidades tradicionais e os ribeirinhos, (regularização fundiária, sem a qual não se tem crédito).Tem que fortalecer a defesa do princípio da isonomia. Ou seja, o direito concedido a um, prevalece sobre os demais.
Estamos falando, infelizmente, da indiferença, que ainda paira sobre o setor primário e seus operários, no âmbito oficial. Parece-nos uma indiferença, quando o estado importar, cheiro verde do Ceará, farinha do Pará, arroz e banana de Roraima, manga e tomate da Bahia e feijão de Rondônia, enquanto os órgãos oficias responsáveis pelas políticas para o setor, não tem Plano de Cargos Salário e Carreira, para seu quadro de funcionários, muitos deles antigos com a estabilidade ameaçada por conta de extinção e fusão de órgãos, que ocorreram no Estado ao longo dos anos.
Parece-nos uma notável indiferença maior sobre o Estado do Amazonas. Na esfera do governo federal, porque temos visto em tempos de crises, ser criado instrumentos como o Proer, para salvar bancos privados atolados em crise causadas pelos seus próprios donos. No Sul e Sudeste do país, quando fenômenos naturais causam prejuízos aos produtores de soja, trigo e outros, o governo federal oferece um seguro, como ocorre no resto do mundo.
Aqui no Estado do Amazonas nossos pecuaristas que já enfrentam adversidades inexistentes noutras regiões para trabalhar, amargaram prejuízos, primeiro com a histórica enchente e, agora com a seca. Tão somente a ação do governo do Estado pode ser notada, mas os prejuízos têm que receber o mesmo tratamento dado aos produtores do Sul e Sudeste. Isso para não falar sobre os profissionais pescadores artesanais do Estado, que também sofrem prejuízos com fenômenos naturais. Na histórica seca, depois de uma luta dana, se conseguiu o pagamento de um mês há mais no seguro desemprego do defeso da pesca. Prejuízos que se repetiu agora na também histórica maior cheia das últimas décadas, o apelo foi feito e, o governo federal se perdeu no costumeiro desencontro dos ministérios e, nada foi feito. Penso ser o suficiente para percebermos a indiferença sobre o nosso setor primário.

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