2 de março de 2021

Indicador mostra efeito da pandemia no PIM em maio

A crise da covid-19 derrubou o faturamento do PIM em maio, período em que o comércio registrava o segundo mês seguido de portas fechadas e a maior parte da indústria de Manaus estava parada por falta de demanda. As vendas (US$ 1.26 bilhão) foram 44% menores do que as do mesmo mês de 2019 (US$ 2.25 bilhões), embora tenham avançado 85,23% sobre abril (US$ 681.27 milhões). No acumulado (US$ 7.65 bilhões), o recuo foi de 29,64%, embora a conversão para reais (R$ 36,96 bilhões) aponte decréscimo menor (-11,66%)

Entre janeiro e maio, a queda foi generalizada. O único ponto fora da curva veio do segmento de produtos alimentícios (R$ 53.52 milhões), que avançou 32,80% sobre 2019. Medido em reais, o faturamento foi positivo também para os polos mecânico (R$ 2,09 bilhões e +18,61%), naval (R$ 87,66 milhões e +10,53%), brinquedos (R$ 61,89 milhões e +9,55%) e termoplástico (R$ 2,80 bilhões e +4,71%). Os dados foram extraídos dos Indicadores Industriais do PIM, estudo compilado pela Suframa, e distribuídos nesta segunda (17).

Subsetores industriais que carreiam o Polo Industrial de Manaus sofreram decréscimos de duas casas decimais, a exemplo dos eletroeletrônicos (US$ 1.96 bilhão e -33,54%), bens de informática (US$ 1.86 bilhão e -25,13%), duas rodas (US$ 957.36 milhões e -40,34%), metalúrgico (US$ 682.18 milhões e -24,02%), químico (US$ 654.78 milhões e -34,70%) e termoplástico (US$ 576.16 milhões e -17,59%). Os segmentos assinalados respondem, respectivamente por 25,67%, 24,28%,12,51%, 8,91%, 8,55% e 7,53% do faturamento global do PIM.

A Suframa assinala que levantamentos realizados pela equipe técnica da autarquia junto às indústrias incentivadas de Manaus, nos meses de abril e maio, apontaram que apenas 20% das empresas continuaram tocando normalmente a produção. Cerca de 30% das fábricas simplesmente  paralisaram totalmente suas atividades nos dois meses citados eas demais reduziram a produção “em algum nível”.

A semi paralisia não impediu que o Polo ainda conseguisse registrar alguns dados positivos nas linhas de produção. É o caso da fabricação de aparelhos condicionadores de ar – tanto os do tipo split system (1.596.940 unidades e +34,67%), quanto os do modelo para janela (156.131 e +66,35%). Os fabricantes de tablets (250.940 e +44,35%) e microcomputadores portáteis (202.242 e +8,23%) também registraram altas.

Emprego e cautela

O mesmo incremento não se deu em relação aos empregos. Apesar da melhora expressiva no faturamento registrada na passagem de abril para maio, a média de trabalhadores no PIM – entre efetivos, temporários e terceirizados no mês de maio – caiu 2,27% na mesma comparação. O quantitativo passou de 87.441 para 85.451 e atingiu o nível mais baixo desde junho de 2017 (84.693).

A média de maio também ficou 3,96% abaixo do número registrado 12 meses antes (88.834). Quando se leva em conta a média registrada no acumulado dos cinco meses iniciais do ano, por outro lado, a quantidade de postos de trabalho apresentou acréscimo de 3,50% na quantidade de vagas, ao atingir 90.272 (2020) contra 87.217 (2019), a despeito da crise. 

“Abril foi o ápice da crise, mas maio já foi menos pior e já estamos melhorando aos poucos. A coisa é que não podemos falar que isso é crescimento, mas recuperação. Muitas empresas do polo componentista estão trabalhando com 50% de sua carga horária e, apesar de haver muita prospecção de negócios, a efetividade não acompanha. As empresas ainda estão cautelosas”, ressalvou o vice-presidente da Fieam e presidente do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Manaus.

Relojoeiros em queda

Na mesma linha, o presidente do Cieam, Wilson Périco, reforçou que o resultado era esperado e que os números apontam para um crescimento mês a mês, no curto prazo. O dirigente salienta que, embora subsetores tradicionais e fortes, como o eletroeletrônico e de duas rodas já embicam para cima, o aquecimento “não é para todo mundo”.

“Se você pegar o pegar o acumulado, é claro que o desempenho vai ser negativo. Principalmente em dólar, que vai incluir a variação cambial. A tendência é melhorar, tanto de maio para junho, quanto de junho para julho. Com exceção do polo relojoeiro, os demais segmentos estão em linha de retomada e de crescimento”, comentou. 

“Números animadores”

Em sintonia, o presidente da Fieam, Antonio Silva, assinalou que os dados da Suframa demonstraram que março e abril foram os meses de intensificação da pandemia e de maior queda de produção do PIM. O dirigente destaca que, embora ainda não seja possível falar de recuperação das perdas acumuladas, o ritmo de crescimento mês a mês vem superando as expectativas.

“Entretanto o faturamento se mantém com a tendência de crescimento, haja vista as pesquisas divulgadas, que confirmam a recuperação gradativa constatada em maio e junho, em relação aos respectivos meses anteriores. Ao comparar com os períodos do ano passado, teremos sempre queda. Felizmente, a recuperação vem se firmando, tendo inclusive surpreendido alguns economista, que não esperavam números tão animadores, frisou.

Auxílio e logística 

Já o presidente do Sindicato das Indústrias de Alimentação de Manaus, Pedro Monteiro, lembrou que, dado o fato de trabalhar com produtos essenciais ao consumidor, o segmento alimentício costuma ser o último a sofrer os efeitos das crises, além de ser o primeiro a sair delas. O dirigente atribui o fato de o subsetor continuar crescendo em meio à crise também ao peso do auxílio emergencial, além dos fatores logísticos do Amazonas.

“O auxílio emergencial ajudou muito no consumo e especialmente na produção da indústria de alimentação. Tanto no Brasil, quanto no Amazonas. E alguns concorrentes sentiram dificuldade de colocar seus produtos aqui, por questões logísticas. Foi o que ocorreu nos segmentos de vinagre e laticínios, por exemplo. De uma forma geral, não sentimos tanto essa crise”, amenizou. 

“Janela de oportunidade”

No texto distribuído pela Suframa, o titular da autarquia, Algacir Polsin, reforça que os números do PIM foram “fortemente impactados”, mas salienta que, mesmo em um cenário desfavorável, a média de empregos continuou no patamar de 90 mil. No entendimento do superintendente, trata-se da demonstração do compromisso das empresas, aliado à eficácia do pacote de medidas do governo federal para reduzir os impactos da crise da covid-19.

“Além disso, alguns setores conseguiram aproveitar a janela de oportunidade da pandemia e aumentar o faturamento e a produção. Os dados industriais mais recentes já demonstram que a indústria do parque fabril manauara apresenta dados favoráveis após o auge da pandemia, recuperação que deve ser perceptível com informações compiladas a partir do início do segundo semestre deste ano”, concluiu. 

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