14 de agosto de 2022
Prancheta 2@3x (1)

Incentivo não é problema. Investir mal sim

A discussão sobre o fim dos incentivos fiscais une adversários e separa aliados em todo país, mas o debate está equivocado

A discussão sobre o fim dos incentivos fiscais une adversários e separa aliados em todo país, mas o debate está equivocado. As duas principais pontas deveriam ser a reforma tributária e o uso indevidos dos impostos, pois os governantes gastam muito mal o que tomam de quem trabalha e produz.
Além disso, os Estados ditos emergentes, como Amazonas e Goiás, precisam apresentar algo além de renúncia fiscal e matéria-prima farta. Propagou-se o equívoco da Bahia, que passou a oferecer também terrenos e galpões. Em Goiás, a demagogia deu a tônica dos erros. O que as unidades da federação precisam fazer é investir em tecnologia e formar mão de obra altamente qualificada. Do contrário, Goiás vai continuar recebendo de braços abertos empresas altamente danosas, como mineradoras. Elas poluem, não industrializam nada por aqui e ainda saem na foto ao lado do governador comemorando os prejuízos ambientais que causarão.
Ninguém vai a Brasília reclamar da desigualdade entre o IUM, o imposto sobre minerais, e o ICMS, o tributo da circulação de mercadorias e serviços. Em determinados casos, o IUM é trinta vezes menor que o ICMS. Ou seja, é tudo virado de cabeça para baixo, porque deveria ser exatamente o oposto. O percentual maior tem de ser pago por quem explora o Estado com as commodities e não por quem fabrica e vende os produtos manufaturados. Os seguidos governadores e os parlamentares fecham a Praça dos Três Poderes, em Brasília, em favor do amianto crisotila. Mas não se vê uma sílaba pronunciada contra a taxação da energia elétrica. Tudo pelas mineradoras, nada pelo consumidor.
As cadeias produtivas precisam competir no país e internacionalmente e a carga tributária asfixia as empresas. Outro vilão é a péssima estrutura: rodovias estreitas, malfeitas e de piso impróprio para carga; ferrovias que não saem das promessas; portos e aeroportos sucateados; energia elétrica caótica, com até 20 interrupções por dia; cursos universitários de baixíssima qualidade e distantes das necessidades do mercado.
Os políticos estão se lixando para o apagão logístico. A preocupação é unicamente com o cofre. Por isso, vão a Brasília com o propósito supostamente nobre de defender o Estado, e não emitem um grunhido sequer acerca da própria ganância e incompetência. Nada falam sobre desoneração, infraestrutura, combate aos gargalos.

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