Inadimplência quase dobra em um ano

O aumento no número de inadimplência no setor de duas rodas promete ampliar crise do PIM. O valor de inadimplentes está em 9,6%, enquanto no mesmo período do ano passado esse número estava na casa dos 5,9%. Os dados são da Fenabrave (Federação Nacional de Distribuição de Veículos Automotores). Além disso, o mercado já convive com falta de crédito desde o ano passado. Atualmente, a cada 10 propostas encaminhadas, oito são recusadas. O fraco início de ano do Polo de Duas Rodas freia as expectativas para 2013. Se analisarmos os números de fevereiro deste ano, com o do ano passado a queda é de 24,32%. A venda de motocicletas também decaiu 19,39% no comparativo de fevereiro com janeiro de 2013 e 17,54% se levarmos em conta os dois meses deste ano em relação ao igual período do ano passado.
O presidente executivo da Fenabrave, Alarico Assumpção Júnior ressalta que isso acaba desestimulando o consumidor e aproveitou para cobrar do governo soluções que possam ajudar as vendas do setor. “80% das vendas emperram pelo fator crédito. O governo precisa melhorar a facilidade para se obter crédito no Banco do Brasil, na Caixa Federal. Jogar mais dinheiro nos financiamentos”, opinou. A projeção da da Fenabrave de crescimento para o setor de Duas Rodas no Amazonas e no resto do Brasil é de 3,7%.
Segundo a Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus), desde que foram identificados problemas no setor de Duas Rodas, causados pela restrição de créditos, o governo federal tem adotado medidas para recuperar o segmento e vem sendo realizadas negociações com instituições financeiras visando flexibilizar a concessão de financiamentos aos consumidores para a compra das motos. São medidas de proteção, desoneração e estímulo ao setor que envolveu o aumento de 35% na alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para similares importados e redução de 50% da Taxa de Serviços Administrativos (TSA) da Suframa.
A assessoria de imprensa da Superintendência destaca também que o governo do Amazonas abriu mão da cobrança da alíquota de 25% do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) referente ao consumo de energia. “A ideia é intensificar a verticalização da produção com maior utilização de insumos, partes e peças regionais no processo produtivo, gerando assim mais empregos ao mesmo tempo em que se possibilite maior competitividade em toda a cadeia produtiva”, afirma o superintendente adjunto de Projetos da Suframa, Gustavo Igrejas.

Expectativa do mercado é de lenta recuperação

O gerente de relações internacionais da Honda, Mario Okubo, afirma que as vendas estão sendo consideradas ruins neste inicio de ano, principalmente se comparadas com o mesmo período do ano passado. Em contrapartida, Mario comenta que em relação ao fim de 2012, o mercado tem demonstrado uma aparente diminuição na inadimplência. “Com isso aguardamos que as financeiras aprovem mais pedidos. Temos uma expectativa de recuperação a partir do segundo semestre de 2013”, deduziu Mario.
A gerente comercial da Braga Motos, revendedora autorizada da Yamaha em Manaus, Sara Fonseca, conta que a concessionária está preocupada com a atual situação do mercado. Ela afirma que em março foram vendidas apenas 20 motos na concessionária, contra 120 em fevereiro e 140 em janeiro. “Estamos pessimistas com esse número, pela media de março a tendência é as vendas caírem em 20% este mês” lamentou. A Yamaha lançou neste sábado, pela manha, a Factor 125 YBR 2º geração e apostas suas fichas na receptividade do novo modelo pelos consumidores. “Há uma expectativa em cima desse modelo, com ele esperamos aumentar nossas vendas”, afirmou Sarah Fonseca.

Programa

Visando melhorar a produtividade do setor o Mdic, (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior) anunciou na semana passada a criação de um Programa de Competitividade que visa criar um grupo de trabalho que terá a Superintendência da Suframa e o Setor de Duas Rodas de Manaus. Serão adotadas medidas como a desoneração da folha de pagamento, redução dos custos de energia e melhoria da produtividade. Alarico Assumpção Jr., explica que o programa ainda não está na sua plenitude. “Promete ser viável, mas teremos que esperar em torno de um mês para analisarmos e termos uma perspectiva. Precisamos nos basear em números concretos” afirmou.
A Suframa explica que no momento as empresas estão encaminhando sugestões sobre o conjunto de medidas propostos pela Suframa e a Abraciclo (Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares).

Vendas de motos no Amazonas apresentam alta

As vendas de motos no Amazonas apresentaram um aumento de 18,20% em fevereiro se compararmos com o mesmo período do ano passado. Foram 1.786 motos vendidas no mês passado, contra 1.511 vendidas em fevereiro do ano passado, segundo dados fornecidos pela Fenabrave. Se compararmos o número de vendas do setor em relação aos dois meses de 2013 também há crescimento de 2,58%, pois em janeiro de 2013 foram vendidas 1511 motocicletas no Amazonas. Os números dão conta de que o Amazonas é um dos poucos Estados que contrariam o mercado nacional que vem apresentando queda nas vendas desde o ano passado. No entanto isto causa pouco impacto na economia local já que o Amazonas representa apenas 1,67% do mercado no país, mas é a responsável por mais de 90% da produção nacional.
Se contarmos apenas a capital Manaus, o crescimento neste inicio de ano com igual período de 2012 é de 3,78%. A cidade passou a contar com 1977 motos novas no primeiro bimestre de 2013 contra 1905 no equivalente do ano passado. O crescimento sobe para 16,78% se compararmos fevereiro com janeiro de 2013. Nesse mês foram adquiridas 1.065 motocicletas na cidade. A comparação de fevereiro 2013 contra fevereiro 2012 também apresenta crescimento de 11,05% na capital e 18,20% no estado como um todo.
O presidente executivo da Fenabrave, Alarico Assumpção Junior, explica que a região norte não sente tanto os efeitos da baixa do número de vendas pela qual o país vem passando, em virtude de muitas marcas e empresas investirem em carteiras de consórcio na região. “Tem marcas mais tradicionais que mantém carteira de consórcio em volumes que chegam a 40%. De cada 180 motos vendidas, mais de 40 são por consórcios. É muita gente e isso difere do resto do país”, explica. Questionado sobre a possibilidade de investir sobre essas carteiras de consórcios em outras regiões do país, o presidente executivo da Fenabrave descarta a possibilidade. “Não me parece uma saída viável. Os consórcios são mais fortes nesta região do país, está na cultura do povo do norte e nordeste adquirir mais motos por consórcios”, opina.

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