Inadimplência das MPEs recua no Amazonas, aponta Sebrae

A taxa de inadimplência dos micro e pequenos empresários amazonenses arrefeceu no segundo trimestre, após a decolagem verificada no acumulado até março. A procura das MPEs e MEIs (microempreendedores individuais) por crédito aumentou, assim como as concessões. É o que mostram dados da 11ª edição da pesquisa “Impacto da pandemia de coronavírus nos pequenos negócios”, conduzida pelo Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio à Micro e Pequena Empresa), e realizada entre os dias 27 de maio e 1º de junho.

A sondagem do Sebrae ouviu representantes de 7.820 micros e pequenas empresas em todo o país, assim como MEIs (microempreendedores individuais) –89 deles no Amazonas. Entre os entrevistados no Estado, 55% são MEIs, 37% estão à frente de microempresas (até R$ 360 mil de faturamento bruto anual) e 8% respondem por empresas de pequeno porte (de R$ 360 mil a R$ 4,8 milhões). Comércio (50%) é a atividade mais comum entre eles, sendo seguida por serviços (43%), construção civil (4%), indústria e agropecuária (ambas com 2%). 

A parcela dos microempreendedores individuais, micro empresas e empresas de pequeno porte com dívidas em atraso no Amazonas caiu de 52% para 48%, na comparação do estudo do segundo trimestre com o dos primeiros três meses do ano. Na outra ponta, a proporção dos adimplentes disparou de 23% para 35%, mas a dos que afirmam não possuir qualquer tipo de pendência financeira encolheu de 25% para 17%. Na média nacional, a distribuição seguiu mais equitativa (33%, 36% e 31%, respectivamente).

Em contraste, 60% dos empreendedores do Amazonas já buscaram crédito, até o começo de junho, para garantir a sobrevivência dos negócios. Foi uma taxa maior do que a apresentada na virada de fevereiro para março (52%) e novamente ficou acima da média brasileira (50%). O Estado está na quarta posição do ranking nacional, empatado com Santa Catarina e logo atrás do Pará (65%), Tocantins (64%), Roraima e Piauí (ambos com 61%). O menor número está no Mato Grosso (43%).

Em paralelo com a elevação no nível de procura por crédito, o percentual de empreendedores locais com pedidos negados diminuiu de 66% para 60%. A quantidade de solicitantes que conseguiu o empréstimo avançou de 28% para 35%, enquanto a fatia dos que ainda aguardam resposta dos bancos (5%) praticamente se manteve estável em relação à pesquisa anterior (6%). Os respectivos números nacionais foram novamente melhores: 43%, 52% e 5%. 

Demanda e concessões

Tradicional parceira do Sebrae, a Caixa Econômica Federal caiu da primeira para a terceira posição para quem buscou financiamentos para sobreviver à crise da covid-19, no Amazonas. A estatal federal respondeu por 33% da procura local, abaixo dos 37% contabilizados em março, e logo atrás do Bradesco (39%). A maioria absoluta da demanda (53%) seguiu para “outros” canais não informados – bem mais do que o registrado em no final de 2020 (30%). As colocações seguintes foram ocupadas por Santander (20%), Banco do Brasil (10%), Itaú, Banco do Povo (ambos com 8%), Sicredi e Sicoob (os dois com 3%).

O ranking das concessões de crédito no Amazonas, por sua vez, ficou ainda mais concentrado e, assim como ocorrido no âmbito da demanda, foi liderado por pela opção “outro” e pelo Bradesco (ambos com 43%). Na pesquisa anterior, os respectivos percentuais haviam sido 11% e 23%. Caixa Econômica e Bando do Brasil (os dois com 12%) seguiram em um distante segundo lugar, seguidos pelo Itaú e pelo Santander (5% para cada um). As demais instituições bancárias listadas na sondagem não registraram concessões de crédito, no período analisado.

O levantamento do Sebrae também buscou saber a frequência da demanda por crédito em todo o país. Praticamente metade (47%) dos empreendedores amazonenses só tinha buscado empréstimos pela última vez em 2020. Em seguida estão aqueles que precisaram ir atrás de capital financeiro em janeiro (19%), maio (14%), abril (11%), fevereiro (5%) e março (3%) deste ano. Em sintonia com o fato de ter passado pela segunda onda e por seus impactos econômicos antes do restante do país, o Estado aparece em uma situação mais desconfortável do que a da média nacional, que pontou, 57%, 6%, 12%, 9%, 7% e 9%, respectivamente.

“Sérias dificuldades”

O coordenador de Acesso a Crédito pelo Sebrae-AM, Evanildo Pantoja, reforça que houve uma “leve queda” no número de empresas com inadimplência e diz que, apesar da diferença não ter passado de quatro pontos percentuais, já é um “bom indicador” da recuperação da economia no Estado, no período analisado. O dirigente lembra também que o estudo mostrar que o Amazonas possui sempre um dos maiores índices de empreendedores que procuram conseguir financiamento junto aos bancos

“Mas, estamos entre os menores índices que tiveram seu credito aprovado. Essa informação demonstra que a maioria das empresas, em nosso Estado, infelizmente não teve sucesso em seus pleitos. Isso ocorre por diversos motivos, como ausência de conta para pessoa jurídica, restrições cadastrais, elevado risco de não ter capacidade de pagamento, entre outros. E esse insucesso prejudica bastante a retomada da economia, visto que o credito de baixo custo é uma das molas propulsoras para isso em qualquer país, principalmente em um momento de crise”, frisou.

Indagado sobre as perspectivas, para os microempreendedores individuais e para as micro e pequenas empresas do Amazonas, Pantoja assinalou que acredita em uma melhora, desde que não ocorram retrocessos no controle local da pandemia que levem a novas restrições ao funcionamento das atividades econômicas. O coordenador de Acesso a Crédito pelo Sebrae-AM pondera, contudo, que ainda há muitas variáveis em jogo que podem comprometer esse resultado.

“Sabemos que muitos empreendimentos estão com sérias dificuldades para continuar funcionando, pelo fato de não terem conseguido acesso aos créditos ofertados. Ao longo desse tempo, tiveram de se manter fechados ou funcionando parcialmente. Outras dificuldades vêm da redução no poder de consumo da maior parte da população e da alta dos preços dos produtos. A recuperação será lenta, mas estamos otimistas, principalmente pelos sinais de crescimento de alguns setores, como o de agronegócios, uma das molas propulsoras de nossa economia”, encerrou.

Foto/Destaque: Divulgação

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