27 de janeiro de 2022

Número de inadimplentes e de dívidas sobe no Amazonas

O cenário de inadimplência piorou no Amazonas, em outubro. O número de consumidores com alguma conta em atraso chegou a 1.455.619, o maior do ano desde março. Houve alta de 1,27% superior ao dado de setembro (1.437.361), embora tenha ficado praticamente estável (+0,17%) ante o patamar de 12 meses antes (1.453.103). A quantidade total de dívidas avançou 1,11% na variação mensal, de 5.401.485 para 5.461.765, mas retrocedeu 1,45% diante de outubro de 2020 (5.542.351). Os dados foram fornecidos pela assessoria da Serasa Experian à reportagem do Jornal do Commercio.

O valor global dos débitos dos amazonenses nessa situação seguiu o mesmo ritmo e totalizou R$ 5,215 bilhões 1,52% a mais do que em setembro de 2021 (R$ 5,137 bilhões) e estagnou (+0,09%) na comparação com outubro de 2020 (R$ 5,210 bilhões). O valor médio das dívidas por pessoa também subiu pouco (+0,22%), na passagem do nono (R$ 3.574) para o décimo (R$ 3.582) mês deste ano. O confronto com igual mês do ano passado (R$ 3.584) apontou para um virtual empate. O valor médio por compromisso em atraso (R$ 955) continuou subindo nos comparativos das variações mensal (R$ 951) e anual (R$ 940), com variações positivas de 0,42% e de 1,69%, respectivamente.

O Estado refletiu a média nacional, embora com números mais amenos. A sexta edição do “Mapa da Inadimplência e Renegociação de Dívidas no Brasil”, divulgado pela Serasa, registrou a maior alta do ano. Com 63,4 milhões de brasileiros inadimplentes, o número é o maior desde julho do ano passado (63,5 milhões). O número de dívidas totais no país (213.268 milhões) avançou 2,31% em relação ao mês anterior. O valor das dívidas (R$ 253,65 bilhões) cresceu 3,37% no valor total, em relação a setembro, apontando médias de R$ 4.000,61, por pessoa, e de R$ 1.189,38, por dívida.

Na análise por tipo de débito, a primazia ainda é das utilities (água, luz e outros serviços públicos), que responderam por 29% do total, em proporção pouco superior à de setembro (28,7%). Na sequência vieram os segmentos de varejo (26%) e de bancos e cartões de crédito (20%) – com crescimento na variação, para o primeiro (25,4%), e decréscimo, para o segundo (20,2%). A assessoria da Serasa Experian não informou os dados desagregados de outubro de 2020. Em contraste, o ramo financeiro (28,70%) segue liderando o ranking nacional, em detrimento das contas básicas (23,5%) e do comércio (13%).

Acima da média

No recorte regional, o Sudeste (28.577.461) e o Nordeste (15.665.620) concentram o maior número de pessoas negativadas do país. São Paulo (15,02 milhões), Rio de Janeiro (6,30 milhões), Minas Gerais (5,99 milhões), Bahia (4,03 milhões) e Paraná (3,35 milhões) permanecem como os Estados onde há mais consumidores inadimplentes, em números absolutos – com altas em todos os casos. Mas também, conforme a empresa verificadora de situação de crédito, as unidades federativas em questão são aquelas com maior concentração de dívidas negociadas no Serasa Limpa Nome. A empresa não forneceu dados sobre o Amazonas, nesse caso.

Um cruzamento dos dados da Serasa e do IBGE indica ainda que o peso proporcional do número total de inadimplentes no Amazonas (1.455.619) supera a média nacional. Em torno de 47,08% da população do Amazonas (3,092 milhões) com idade de trabalhar (14 anos ou mais) – e, em tese, também de consumir – está nessa condição. Já a quantidade de inadimplentes contabilizados de Norte a Sul do país (63,4 milhões) corresponde a 36,11% do contingente de brasileiros economicamente ativos estimado para o país (175,55 milhões).

Vale notar que esse percentual já foi significativamente maior, no auge da pandemia, e levantamentos anteriores da Serasa Experian chegaram a colocar o Estado na primeira posição do ranking nacional, em números proporcionais.  No ano passado, o Amazonas conseguiu retirar 49.453 pessoas da lista de inadimplência, com a parcela da população com contas atrasadas passando de 54,5% para 51,5%. O levantamento da empresa verificadora de situação de crédito apontou que o Estado liderava uma lista de 15 unidades federativas que contavam com percentuais populacionais na lista de mal pagadores acima da média brasileira da época (38,6%).

Em texto distribuído pela assessoria de imprensa da Serasa Experian, a gerente do Serasa Limpa Nome, Aline Maciel, pondera que, apesar da alta do número de inadimplentes, a busca por oportunidades de negociação também aumentou. “Para muitos brasileiros, o primeiro passo para o recomeço é estar com o nome limpo. E esse é o melhor momento do ano para renegociar sob condições diferenciadas”, comentou a especialista, ao mencionar o “Feirão Limpa Nome”, evento que ofereceu descontos de até 99%, até 6 de dezembro, possibilitando mais de 3,6 milhões de acordos.

Incertezas e sobrevivência

Para o conselheiro do Corecon-AM (Conselho Regional de Economia do Estado do Amazonas), consultor empresarial e professor universitário, Leonardo Marcelo Braule Pinto, os dados da Serasa Experian refletem “tudo o que poderia se esperar” para o período atual, materializado em um cenário de desemprego e endividamento, intensificado pela escalada da inflação e dos juros. No entendimento do economista, diante desse panorama, o consumidor acaba buscando mais crédito, em ciclo vicioso e fatal.

“Infelizmente, essas pessoas estão sofrendo com a inadimplência. Ou porque não conseguem arcar com seus compromissos, ou porque se desesperaram, economicamente falando, e buscaram crédito de forma a se atolarem em dívidas. Devido à incerteza de como a economia vai funcionar no curto prazo, acabam não conseguindo aquele emprego almejado. As dívidas acabam se sobrepondo às receitas levando o consumidor a entrar nesse paradigma e ser negativado. Mas, isso já era previsto”, lamentou.

Leonardo Marcelo Braule Pinto estima que a economia só deve se restabelecer no médio ou longo prazo, permitindo que parte dos consumidores consiga renegociar dívidas, positivar cadastros e retornar ao mercado de crédito. “Agora, a cultura do brasileiro é de não ter poupança e ser endividado. Os números vão diminuir, mas também vão persistir sempre em patamar elevado. Isso já é histórico. Nos últimos dez anos, a quantidade de negativados só vem crescendo”, ponderou.

Na mesma linha, o também conselheiro do Corecon-AM (Conselho Regional de Economia do Estado do Amazonas), professor universitário e consultor empresarial, Francisco de Assis Mourão Junior, estabelece que o aumento na inadimplência do consumidor do Amazonas, no começo do quarto trimestre do ano, reflete a situação econômica pela qual o Estado e o país passam, com desemprego, inflação e juros seguindo em trajetória ascendente, em um ambiente de baixa atividade econômica.

“Mesmo saindo a primeira parcela do 13º salário, teríamos de ver como vai se comportar o segundo mês desse trimestre, que é novembro. A tendência é que os consumidores deem prioridade para tentar empurrar a dívida para 2022, já pensando em poder recuperar o crédito, diante de uma eventual recuperação na economia. Mas, não vendo melhora, a prioridade vai ser tentar sobreviver mesmo”, finalizou.

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