A carga tributária per capita anual cresceu 277,3% entre 2000 e 2013. Em 14 anos o valor passou de R$ 2.086,21 para R$ 7.872,14, segundo pesquisa realizada pelo Instituto Assaf, com base nos dados do Impostômetro da ACSP (Associação Comercial de São Paulo). Nesse período a carga tributária brasileira aumentou 334%. Saltou de R$ 350 milhões em 2000 para R$ 1,53 trilhão até 13 de dezembro de 2013, revelou o levantamento.
De acordo com o presidente do Corecon-AM (Conselho Regional de Economia do Amazonas), Marcus Evangelista este resultado é reflexo da alta carga tributária brasileira, que consegue arrecadar valores exorbitantes pagos por uma população que perde, a cada ano, o poder de aquisição com um salário bem abaixo da inflação. “O salário mínimo praticado no país não consegue acompanhar a alta carga tributária e fica cada vez mais difícil para os brasileiros acompanhar o crescimento na mesma proporção”, avaliou.
Salário mínimo 88,8%
Em relação ao salário mínimo e levando em consideração de 2000 até o ano passado, o valor passou de R$ 151 para R$ 678, um aumento de 349%. No início deste ano, o mínimo subiu para R$ 724. A inflação no mesmo período (2000 a 2013) medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) atingiu 137,9%, “o que deixa o aumento real do salário mínimo em 88,8%”, diz o destaque no levantamento.
Para o economista Francisco do Assis Mourão Júnior, muito foi arrecadado e faltou investimento na infraestrutura, segurança, saúde e educação. Em contra partida houve excesso de investimento na manutenção da máquina pública por um governo caracterizado pelo assistencialismo, que deixou de se fortificar com a crise internacional. “O governo federal não se fortificou com o movimento de queda da economia internacional e permitiu que a China e os Estado Unidos se fortificassem. O brasileiro compra um carro e paga dois, paga sempre dobrado, quando paga o imposto e paga por um plano de saúde, por segurança pessoal e seu patrimônio, quando paga por seu próprio transporte e paga pela educação em escolas particulares. A população contribuinte deve valorizar o dinheiro público cobrando mais do governo e dos políticos”, constatou.

PIB 273,8%
Segundo o estudo, o PIB (Produto Interno Bruto) cresceu 273,3% no período de 2000 a 2012. Na mesma base de comparação, o aumento na carga tributária per capita foi de 284,3%. “Se analisarmos a carga tributária como porcentual do PIB, esses impostos representam cerca de 35,3%. Em 2000 este percentual era de 30,4%”, diz o levantamento.
De acordo com o Instituto Assaf, o arrocho promovido pela Receita Federal “no controle, checagem e confronto de informações cadastrais está contribuindo para que esses valores se mostrem cada vez mais altos tanto para os brasileiros quanto para as empresas”.
Para Marcus Evangelista a economia brasileira permanece na gangorra por conta das inconstâncias tributárias registradas nesses 14 anos de pesquisa. Segundo ele o desenvolvimento do país foi estagnado, resultando na falta de melhoria na infraestrutura percebida em todo o país sede do Mundial de Futebol e vê no Turismo uma fonte de recuperação. “O Turismo num ano de Copa do Mundo vai fomentar a economia com toda a certeza. Nós esperamos que a economia melhore. Mas melhor seria melhorar a infraestrutura para assegurar uma boa impressão aos turistas que aqui estarão em grande quantidade”, analisou o titular do Corecon-AM.
Segundo Mourão Júnior o empresário brasileiro sofre com o excesso de burocracia e com a alta carga tributária. “No Brasil o empresário é um herói, que sofre com a burocracia, faz tudo dentro da legislação, arcando com toda a carga tributária previdenciária, significa pagar dobrado por um funcionário. Resiste diariamente a tamanha burocracia. Tem como sócio o governo que dificulta o crescimento a longo prazo. Hoje a solução está em forçar o Congresso nacional a fazer a Reforma Tributária – engavetada a mais de 20 anos – e quanto a população contribuinte, reforço a necessidade de valorizar o dinheiro público cobrando mais ações dos governantes em prol da saúde, da educação e da infraestrutura que ficou a desejar num momento de Copa do Mundo, onde não haverá legado algum para os brasileiros”, concluiu.

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