Importados têm queda de até 70%

Acompanhando a queda nacional de 9,2% na venda de veículos importados entre janeiro e abril deste ano, registrada pela Abeiva (Associação dos Importadores de Veículos), em Manaus, gerentes e proprietários do segmento reclamam redução de até 70% nos emplacamentos no acumulado do ano. Os maiores afetados foram os chamados importadores independentes –não vinculados às montadoras.
“O fluxo de clientes sofreu uma redução entre 10% e 12% em relação ao ano passado, mas calculamos que o fechamento de negócios tenha caído em média 70%”, avaliou o diretor comercial da importadora Zen, Jamil Derzi.
Já o proprietário da Fórmula Import, Cristiano Lima, que importava em média dois carros por pedido, conta que desde setembro do ano passado parou de renovar o estoque. “Eu trazia dez carros por ano. Já estamos em maio e eu não trouxe nenhum até agora. A busca cessou”, queixou-se.
A medida do governo que aumentou em 30 pontos percentuais a alíquota do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) para veículos importados, em vigor desde dezembro do ano anterior, encabeçou a lista de fatores que teriam prejudicado as vendas no período.
Para Cristiano Lima, o aumento do IPI causa mais efeito do que quer fazer parecer o governo. “Na prática se pagava 25% de imposto e agora estamos pagando 55% isso quer dizer que houve uma duplicação da cobrança. Um cliente que comprava um carro por R$ 240 mil, passou a pagar R$ 310 mil. É uma diferença considerável”, exemplificou o empresário.
Ele diz ainda que a Abeiva só considera os importadores ligados a montadoras. “Se houvesse uma pesquisa sobre os importadores independentes, iríamos verificar que a situação está bem pior”, apontou.
Embora com uma pequena vantagem, os revendedores de carros importados vindos das montadoras também amargaram queda.
“O problema é o crédito restrito. Agora que os juros do banco baixaram, pode ser que o setor ganhe fôlego, mas até o momento a redução variou entre 20% até 30% nesses quatro primeiros meses”, estimou o gerente de vendas da Pole Position -revendedora das marcas Hyundai e da chinesa Ssang Yong-, Vivaldo Santos.

Outros fatores

O tratamento burocrático intensificado pela Receita Federal também foi citado por Jamil Derzi como um dos principais entraves. O vice-presidente da Fecomércio-AM (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Amazonas), Aderson Frota, concorda.
“Com a instabilidade do momento, observou-se um menor ritmo de aprovação de importados por parte da Receita Federal, justificado, sobretudo, pela falta de inspetores, uma das reclamações que pode provocar a greve da categoria”, explanou.
A subida da cotação do dólar e a dificuldade de crédito também ajudou a afugentar os compradores, de acordo com o economista.
“Mesmo em menor grau em relação ao consumidor de carros nacionais, quem quis adquirir um veículo de fora do país a prazo sentiu a redução do parcelamento de 60 vezes para 48 vezes e a entrada mínima de 20% exigida pelos bancos”, detalhou.
Aderson Frota citou ainda, a dificuldade de assistência técnica e aquisição de peças que somada ao alto valor do produto afastou os consumidores, mesmo os pertencentes às classes A e B.
No final da tarde de ontem, a Abeiva divulgou em nota, que o governo federal deve anunciar, ainda este mês, uma medida que prevê um sistema de cotas isentas do adicional de IPI. O objetivo é aliviar o impacto do aumento do imposto aos importadores.

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