Importados respondem por 25% das vendas

A baixa cotação do dólar (R$ 1,58) continua favorecendo o varejo de produtos importados em Manaus. De acordo com a FCDL/AM (Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Estado do Amazonas), a estimativa é de que 25% dos produtos comercializados na cidade venham do exterior. O percentual é 5% maior quando comparado ao mesmo levantamento feito pela entidade em maio do ano passado.
O presidente da Federação, Ralph Assayag, diz que o produto importado funciona como um regulador de preço dentro do comércio. “Se um produto como a cerâmica começa a subir no mercado nacional, os donos de lojas de material de construção passam a importar da China, por exemplo. Como consequência, os fabricantes brasileiros baixam imediatamente os preços, em virtude da concorrência”, detalhou.
Conforme o conselheiro do Corecon/AM (Conselho Regional de Economia do Estado do Amazonas), Júnior Mourão, a alta no comércio de importados representa uma ajuda no combate à inflação. “É uma válvula de escape. Principalmente quando os índices de inflação estavam mais elevados, significou uma alternativa para o consumidor”, lembrou.
Para o diretor comercial da loja Zen Import, Jamil Derzi, apesar do fraco movimento do comércio, a venda de produtos importados tem sido satisfatória “A estabilidade do dólar nos trouxe equilíbrio e mais segurança. Antes importávamos muito temendo a alta da moeda e por vezes ficávamos com o estoque encalhado. Hoje, podemos importar com mais responsabilidade, sem pressa, e isso reflete no bom andamento do negócio”, explicou.
Apesar de concordar, o gerente da C.Borges Importadora, Elton Borges, salienta que, embora importar seja mais barato, as exigências da Receita Federal dificultam os negócios. “Ainda existem uma série de barreiras que tornam a importação de produtos mais vantajosa. Mas, como a procura é grande, inclusive pela presença de marcas na loja que não existem no Brasil e já caíram no gosto do consumidor, continuamos investindo”, destacou.
Assayag confirma que a logística é dura. “O processo de compra do produto nacional é mais rápido, porém a alta carga tributária e os custos com a mão de obra brasileira fazem o empresário optar pelos importados”, completou.

Indústria prejudicada

O conselheiro do Corecon/AM, Júnior Mourão, avalia que, embora o resultado para o comércio seja favorável, é preciso verificar o outro lado da balança. “Quando um consumidor adquire um produto importado, ele não gera renda nem emprego para o país, o que reflete diretamente na indústria”, analisou.
A consequência desse bom momento para os importados, segundo o economista, é um processo de desindustrialização. “Por enquanto o varejo de importados tem sido favorável, mas é preciso um equilíbrio entre comércio e indústria”, finalizou.

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