Será que nas organizações podemos utilizar alguns imperativos que são indicados para a nossa conduta pessoal? Ou será que somos dois seres totalmente diferentes habitando o mesmo corpo? O profissional é um e o pessoal é outro? A Filosofia de vida deve nortear nossos comportamentos organizacionais ou amigos-amigos, negócios à parte?

Acredito que as regras apregoadas para um bem viver não deveriam ser prejudiciais às organizações até porque as empresas só existem porque nelas trabalham pessoas. Seus produtos ou serviços também são feitos para atender à demanda dos clientes que são seres humanos, aliás, ainda não conheci nenhum stakeholder que não o fosse. As organizações são feitas por seres humanos para atender a demanda de seres humanos. Ou não?

Para responder a essas questões busquei uma literatura sobre filosofia de vida (Xavier, 1947) e analiso como ficaria a sua utilização nas organizações as duas primeiras palavras são sobre a filosofia o parágrafo seguinte tento fazer uma relação com o mundo corporativo.

Aprende – humildemente
É impossível que saibamos tudo, as necessidades das organizações são muitas, assim como a dos clientes e de todos os stakeholders, então é imperativo o aprendizado constante. Não podemos adivinhar as coisas e nem ser presunçosos a ponto de querer saber de tudo. Aliás as organizações investem verdadeiras fortunas para que seus colaboradores aprendam sempre as melhores práticas laborais.

Ensina – praticando
Apesar de algumas vezes se ouvir o ditado: “faça o que eu falo, mas não faça o que eu faço”. O bom mesmo é ensinar pelo bom exemplo. Não se pode pedir ética ao colaborador e agir de forma totalmente diferente.

Administra – educando
Quando cada um sabe o que faz e porque faz, cresce, evolui, se desenvolve, fica um colaborador mais responsável e certamente mais importante em todo o processo. Os verdadeiros líderes não são os que cobram somente, eles educam seus colaboradores para que se conscientizem da importância de seus papéis.

Obedece – prestativo
Não se trata de obedecer quem tiver juízo, e mandar quem tiver o poder. Os processos necessitam de colaboração e proatividade, nem sempre o líder pode explicar com profundidade de detalhes todas as atividades, apesar de precisarem ser executadas para não pôr em risco os resultados do grupo. Ser prestativo não desmerece quem obedece, muito pelo contrário, faz o ambiente ficar mais agradável e harmonioso o que só ajuda na produtividade e na qualidade dos trabalhos.

Ama – edificando
Quando um filho dá seus primeiros passos totalmente desengonçado e desequilibrado batemos palma e vibramos de alegria, em seguida o estimulamos a dar mais alguns passos e ficamos de braços abertos para que ele possa caminhar em nossa direção. Muitas vezes os colaboradores estão tentando andar e cabe aos líderes abrir os braços e incentivar os passos. Afinal nós pedimos aos colaboradores para vestirem e suarem a camisa da empresa. Esse me pareceu o mais polêmico dos itens, mas depois de escrever me pareceu o mais obvio e necessário.

Teme – a ti mesmo
Se nos conhecermos profundamente e entendermos nossas fragilidades, orgulhos e arrogâncias, certamente podemos melhorar em muito nossas escolhas e resultados.

Sofre – aproveitando
Precisamos lembrar que o metal é forjado no fogo e que muitas vezes é no momento de sofrimento que surgem as melhores reflexões e mudanças de comportamento. O sofrimento pode ser um martírio ou uma alavanca para o crescimento depende de como é utilizado. As exigências e as pressões são grandes e vêm de todos os lados sempre. Claro que os direitos dos trabalhadores e as condições exigidas por lei devem ser sempre cumpridas e os abusos como assédio sexual e moral devem ser sempre combatidos.

Fala – construindo
Falar e fazer ao mesmo tempo, arregaçar as mangas. A ação é muito importante para que as mudanças aconteçam.

Ouve – sem malícia
Uma das funções dos líderes mais difícil de ser executada é o ouvir sem malícia. Ouvir sem um pré-julgamento amplia a capacidade de percepção do todo. Apenas ouça. Muitas vezes o mercado nos revela suas expectativas, os chefes suas necessidades, os colaboradores suas dúvidas ou seus entendimentos. Então primeiramente ouça e reflita, não malicie, crie um ambiente favorável à prática da confiança.

Ajuda – elevando e Ampara – levantando
A ajuda deve ter um caráter sempre proativo, ajudar não é gerar dependência e sim independência. Ajudar não é dar sempre o peixe é ensinar a pescar. Afinal uma andorinha só não faz verão.

Passa – servindo
Nossos trabalhos dependem do trabalho dos outros, assim como o deles depende dos nossos. Trabalhar é servir sempre o melhor que pudermos.
Existem ainda muitos outros imperativos a serem comparados. Acredito que muitos problemas teriam de fato solução se utilizássemos um pouco mais as filosofias de vida nas organizações.

A responsabilidade social e meio ambiente já são passos nessa direção. Boa semana.

* é professor universitário em administração

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