Imperador, para nobres e plebeus

Quando D. Pedro I proclamou a independência do Brasil, em 7 de setembro de 1822, estava com uma baita dor de barriga. Esse fato está registrado nas memórias do coronel Marcondes, depois Barão de Pindamonhangaba. Se o imperador procurasse comer em lugares melhores, não passaria por isso numa data tão importante para o país, mas, descontos à parte, naquela época ainda faltavam 193 anos para a inauguração do bar e restaurante Imperador, no bairro D. Pedro, ambos homenageando sua majestade. E com um detalhe: no Imperador a comida é de primeira e se já existisse, naqueles tempos, e lá comesse, o imperador não passaria mal.
O carioca Pio Câmara é o proprietário do Imperador. Ele chegou a Manaus em 2011, depois de se apaixonar perdidamente pela amazonense Alessandra Caldas, no Rio de Janeiro, largar tudo por lá e segui-la até a capital amazonense. Nem a Marquesa de Santos conseguiria tanto. Formado chef desde 2009, Pio, que já havia trabalhado em importantes restaurantes em Santa Catarina, Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro, logo colocou em evidência seus dotes culinários. “Quis criar um cardápio diferenciado, então me direcionei para os grelhados. Temos uma seleção deles”, falou.
Entre os grelhados a Linguiça Flambada (linguiça acebolada e flambada na pinga) é o mais em conta. Custa R$ 16,90. Mas tem a Língua, R$ 18,90; o Filé de Pirarucu, R$ 24,90 até o Salmão, R$ 32,90. O cliente tem direito a até três acompanhamentos, entre eles: arroz branco, farofa de ovo, feijão Carioca e legumes na manteiga. Por mais R$ 3,90 cada, pode-se pedir acompanhamentos adicionais.

Rodízio de filés com molhos e vinhos

Sobre a carruagem imperial, quer dizer, o carro chefe do Imperador, claro que não poderia ser outro senão o Filé Real, digno de reis e rainhas, mas que simples plebeus também podem saborear. Em sua composição: medalhões de filé mignon com bacon, ao molho de tomate seco, arroz branco e purê frito recheado com catupiry, R$ 42,90. “Temos ainda o Filé da Corte: steak de filé mignon ao molho de gorgonzola, arroz branco e batatas coradas, R$ 41,90, idealizados para o cliente se sentir como se fosse um rei”, brincou.
E quem foi que disse que a Amazônia não conhece a realeza? Em 3 de julho de 1889, o Conde d’Eu, marido da princesa Isabel, neta de D. Pedro I, veio a Manaus, onde cumpriu uma agenda de visitações a instituições públicas. Partiu no dia 11. Se fosse hoje, no Imperador, o conde provaria a Realeza Amazônica (arroz cremoso a base de pimentões coloridos, banana frita e castanha da Amazônia, acompanhado por cubos de pirarucu empanados na farinha do Uarini, R$ 35), 3º lugar no concurso Sabor Brasil deste ano.
Há pouco mais de um ano, localizado na av. Pedro Teixeira, no D. Pedro I, o Imperador já conquistou súditos fiéis. “Acredito que seja pelo nosso cardápio simples, porém, com um variado sabor de carnes vermelhas, frango e peixes”, explicou. O espaço, subdividido em vários outros espaços, é aconchegante. Pode abrigar 70 clientes sentados. A música é ambiente, “mas em alguns sábados, durante a feijoada, ou sextas, à noite, poderemos ter música ao vivo”, adiantou. Um aviso de que, em breve, o restaurante também abrirá para o jantar. “Hoje abrimos apenas para o almoço, mas também vamos abrir para o jantar com uma novidade em Manaus: rodízio de filés, acompanhado de vários molhos e harmonização de vinhos, afinal de contas, nossos nobres clientes merecem”.
E se D. Pedro não tinha preconceitos (falam que ele teve vários filhos com escravas), no Imperador a feijoada, herança dos escravos, é soberana aos sábados.
O Imperador funciona de segunda a sábado, por enquanto somente para almoço. Está localizado na av. Pedro Teixeira, 18, conjunto Kissia, próximo ao Ragazzo. Informações: (92) 3239-2482 – Instagram: @imperador_manaus.

D. Pedro gostava de arroz com feijão

Quem quiser saber o que a Família Imperial brasileira, de D. João VI a D. Pedro II comiam, uma indicação é o livro “Banquetes Reais”, sobre os hábitos alimentares de diversos personagens como Dom João 6°, Carlota Joaquina, Dona Leopoldina, princesa Isabel e, claro, Dom Pedro 1°. Editada pela Jorge Zahar, a obra é resultado de uma pesquisa feita pela historiadora portuguesa, Ana Roldão, gerente de negócios do Museu Imperial de Petrópolis, e escrita juntamente com o jornalista Edmundo Barreiros.
Dom Pedro I não dispensava um bom prato de arroz com feijão. Ana diz ter descoberto por suas pesquisas que ele preferia fazer as refeições na cozinha a comer na sala de jantar. Tem um lado, não só aquele fervoroso de amantes e tal, mas humano, de estar com as pessoas do povo. Era o ‘garoto das cavalariças’. Um dos relatos engraçados levantados pela historiada trata de um dia em que Pedro I, já imperador, foi cavalgando a uma fazenda e chegou lá antes da comitiva. “Sem se identificar, entrou pela cozinha e disse à cozinheira que estava com muita fome. E ela: ‘Ó moço, posso dar algo simples, porque estou esperando o imperador’. Ofereceu-lhe arroz, feijão, carne e aguardente. Quando o dono da fazenda entrou, viu o imperador sentado na cozinha, tomando cachaça, comendo a comida dos empregados e rindo”.

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