Impactos do cisne negro na economia global

Há tempos que economistas e outros profissionais somente vislumbram e projetam ocorrências da vida e da economia real aquelas que se comportam ou se adequam na Curva de Gauss, tanto de eventos de custo e ganhos, quanto de planos estratégicos, e no que se pode deprender que as ocorrências fora do sino da Curva, tanto à esquerda, quanto à direita, são aqueles eventos improváveis e inconcebíveis de acontecimento ou ocorrências. E, quando se conforma a Curva de Gauss ou se concretiza as ocorrências dos eventos, cada um tem suas proposiçõese sugestões para “achatar” o sino da curva, porém antes dessas ocorrências não havia posicionamentos evidentes. Assim, para os eventos que, por ventura, aparecem ou não, à direita ou à esquerda fora da curva (sino), improváveis e inconcebíveis, se dá pouca ou nenhuma importância, mas são esses que se enquadram como “Cisnes Negros”.

Observando essa tese, esse Covid-19 é um perfeito “cisne negro”, fenômeno imprevisível e de consequências incertas, com severas, imprevistas e com graves impactos na economia global. A verdade é que esse “cisne negro” – Covid-19, chegou para abalar mais ainda a desaceleração da economia mundial, visto que em alguns países já estavam em recuperação  econômica, ficando difícil prevê seus impactos devastadores na economia em geral.

O termo “cisne negro” refere-se a um evento de ocorrência imprevisível e improvável sem que nenhum analista houvesse previsto ou levado em consideração, porque a priori era improvável e, para o bem ou para o mal tem um grande impacto e repercussões de longo alcance no sistema econômico mundial.

Enquanto a propagação do vírus cresce em diversos países do mundo, seus governantes tomaram medidas drásticas, tanto na saúde publica, quanto no que concerne à economia, na tentativa de diminuir as taxas de infecções.

Na minha posição, entendo que os formuladores de políticas públicas globais pouco podem fazer para impedir que uma recessão global  se desenvolva nos próximos meses, já que os efeitos econômicos do novo coronavírus (cisne negro) começam a afetar os segmentos estratégicos das economias mundiais. Contudo, acredito que as medidas a serem adotadas, com instrumentos e ferramentas da Macroeconomia possam impedir que a recessão se transforme em crise financeira e  depressão econômica mundial. Os economistas-pesquisadores do Clube de Economia da Amazônia (CEA) se posicionam que o Ministério da Economia do Brasil vem tomando medidas ficazes para manter o estado mínimo da economia funcionando, e que outras poderão ser tomadas à medida que a crise do “cisne negro” – Covid-19 se alastre na sociedade brasileira.

Também, observam que os Bancos Centrais dos países podem desempenhar importantes funções na prevenção do engessamento da liquidez do sistema econômico interno ou em geral, proporcionando que  governos terão de arcar com o ônus de apoiar a demenda agregada ou seja implementar medidas necessárias com os instrumentos de Política Fiscal e Política Monetária (estamos tratando de Politica Econômica que o governo terá que implementar).

Visto as medidas econômicas  implementadas pelo governo brasileiro, com o avançar da contaminação pelo Covid-19, nos próximos dias, os economistas do CEA projetam que esteja chegando um grave problema de certa paralização da produção e distribuição (choque negativo de oferta) a qual poderá afetar a confiança do consumidor, o que também poderá afetar a demanda, haja vista, pouca moeda em circulação (aumentodo desemprego, fechamentos dos negóciosem geral e o isolamento social) . Por outo lado, o governo poderá adotar estímulos fiscais setoriais e apoios diretos objetivando minimizar que ocorra essa possível paralizaçãonos setores estratégicos da economia.

O pessoal do CEA, nesses tempos de incertezas (por causa do cisne negro – Covid-19), acreditam que fica difícil elaborar algum prognóstico, tanto no campo de saúde pública, quanto na área econômica, haja vista, o enfraquecimento da demanda global, inclusive de commodities, principalmente das moedas (dinheiro), do petróleo (‘guerra internada na OPEP’), as do agronegócios, etc, podendo indicar que o PIB (Produto Interno Bruto) do Brasil certamente ficará muito abaixo que o governo e o mercado projetaram para 2020.  Por outro lado, o aumento da taxa de óbitos nos países tem causado enormes perdas de valor nas Bolsas de Valores dos diversos paíes e, como envolve a China, considerada a "fábrica do mundo", seria prudente avaliar os impactos por meio de cadeias de suprimentos, do comércio exterior, das cadeiais dos bens intermediários e dos canais do setor real dos sistemas econômicos mundial.

Os economistas do CEA ainda sem nenhum previsão sobre quais países serão mais afetados economicamente e quanto? Com base nos dados atuais, de acordo com as previsões da Bloomberg Economics, a economia global poderá enfrentar uma perda de 0,500 %  no primeiro trimestre de 2020. Como Hong Kong, ligada diretamente com a China no setor financeiro, na logística e distribuição de produtos, tem maior probabilidade de ser afetada pelos efeitos desse cisne negro – Covid-19. Assim também, como prevêm os especialistas, a desaceleração da China significa menor exportação de produtos, o que afetaria os principais exportadores de commodities, e importadores de bens intermediários, como o Brasil e outros países da União Europeia. Por sua vez, na frágil economia brasileira todas as decisões das autoridades dos poderes constituídos não serão suficientes e eficientes para dar um encaminhamento adequado à sociedade exposta à contaminação pelo Covid-19, assim como, não serão necessárias à manutenção do ciclo de produção de bens e serviços essenciais para que o sistema econômico mantenha o círculo econômico produzindo riqueza suficiente para manter o Brasil na rota de crescimento (investimentos-empregos-consumo-lucro), e que os impactos nas economias globais, pós crise serão imprevisíveis.

Observando que a imprensa internacional tem publicado em sites especializados, por causa dessa pandemia, as bolsas de valores ao redor do mundo tiveram desvalorizações acentuadas, e que estrategicamente a China, maior reserva cambial mundial, atuou comprando ações das grandes empresas ou Grupos Empresariais em todos mercados financeiros do mundo, notadamente aquelas instaladas no próprio país, tornando-se “dona” de grandes conglomerados empresariais, na União Europeia, nos Estados Unidos e demais regiões.

Todas essas questões estão sendo pautas de discussões entre os pesquisadores do CEA, onde fecharam seus comentários nesta quarta-feira (25/03), que em plena era da inteligência artificial, da tenologias das informações e dados, da inovação e da robótica, onde tudo se passa muito rapidamente, também as epidemias (Covid-19) se elevam a ritmos impensáveis, colocando os países e governos de joelhos.

A particularidade do mundo global em que vivemos, onde praticamente nenhum país vive isoladamente, tornou-se o ecossistema perfeito para a disseminação de vírus do tipo do Covid-19, inimigo invisível, encontrando-se como vectores de transmissão, as trocas comerciais, as cadeias de produção, o turismo, os fluxos migratórios e a livre circulação e pessoas em todo mundo. Como na vida tudo passa! Esse cisne negro – Covid-19, também passará!!!

*Nilson Pimentel é Economista, Engenheiro, Administrador, Mestre em Economia, Doutor em Economia, Pesquisador, Consultor Empresarial e Professor Universitário: [email protected]

Fonte: Nilson Pimentel

Qual sua opinião? Deixe seu comentário

Gostou do Conteúdo? Assine nossa Newsletter

Compartilhe:

Facebook
Twitter
LinkedIn
Telegram
WhatsApp
Email

Compartilhe:

Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no telegram
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no email