Impactos da pandemia ainda estão presentes nas empresas

A maioria (41,1%) das 52.513 empresas da região Norte em funcionamento na segunda quinzena de julho informou que está sofrendo impactos positivos decorrentes da pandemia em suas atividades. Em torno de 29,4% dizem que saíram perdendo com o novo coronavírus, enquanto outras 29,5% afirmam não ter sentido efeitos significativos nos negócios. Houve melhora em relação à quinzena anterior, quando os percentuais foram 32,4%, 48,1% e 19,2%, respectivamente –em uma base maior, de 53.945 empresas em operação. 

O Norte concentra a menor incidência de empresas que perceberam impactos negativos. Sul (36,7%) e o Sudeste (33,3%) continuam com evolução de menor incidência de efeitos negativos, dado que as taxas anteriores se situavam acima de 40%. O Nordeste (49,6%) é onde as empresas foram mais atingidas pela crise da covid-19, sendo seguido pelo Centro-Oeste (44,75%) nessa percepção. É o que revela a quarta rodada da Pesquisa Pulso Empresa: Impacto da covid-19 nas empresas, compilada e divulgada pelo IBGE.

A mesma evolução nos números foi verificada no volume de comercialização de produtos e serviços. Para 37,3% das pessoas jurídicas da região Norte consultadas pelo IBGE, a pandemia foi um fator negativo para as vendas –contra as 48,3% do levantamento anterior. Na outra ponta, a parcela de empresas que informaram melhora aumentou de 25,3% para 36,6%, entre uma quinzena e outra.

Do lado mais especificamente da indústria, a maior parte das companhias (60,2%) informa ter passado incólume pela crise da covid-19 na segunda metade de julho, em termos de fabricação de produtos ou capacidade de atendimento aos clientes. Uma minoria de 16,6% diz ter obtido ganhos no período e outras 23,3% relatou dificuldades. Quinze dias antes, as fatias foram de 33,6%, 20,8% e 45,5%, na ordem.

Fornecedores e pagamentos

Também foi menor, entre uma quinzena e outra, o percentual de empresas que reportaram ao IBGE o enfrentamento de dificuldades para manter acesso aos fornecedores de insumos, matérias-primas ou mesmo mercadorias prontas –o número passou de 50,2% para 47%. Para 8,2% tudo ficou mais fácil –abaixo dos 12,8% anteriores –e 44,3% informam que tudo ficou na mesma –um acréscimo em relação aos 33% de 15 dias antes.

“Caiu consideravelmente também a percepção de dificuldades na capacidade de realizar pagamentos de rotina, passando de 56,2%, na primeira quinzena de julho, para 38,8%, na segunda quinzena de julho. Por outro lado, cresceu de 31% para 52,4%, o percentual de empresas sinalizando que não houve alteração significativa”, assinalou o IBGE-AM, no texto de divulgação da pesquisa.

Empregos e campanhas

A fatia de empresas nortistas que reportaram ao IBGE ter evitado desligamentos e mudanças no quadro de funcionários ao final da segunda quinzena de julho (78,9%) também ficou maior do que a registrada na quinzena anterior (74,8%). Ao mesmo tempo, 14,1% até conseguiram promover contratações, uma melhora significativa em relação à sondagem anterior (3,3%). Em contraste, 7% (3.676) informaram ter reduzido o número de funcionários, percentual menor do que o da quinzena anterior (18,4%).

Dentre as pessoas jurídicas da região Norte que relataram redução sobre o número de funcionários, 42,5% informaram que a faixa de redução foi inferior a 25% do quadro de funcionários, 39,1% assinalaram que a redução se situou entre 26% e 50% do contingente e apenas 18,4% informaram que tiveram de mandar mais da metade dos colaboradores definitivamente para casa. Os dados coletados na primeira quinzena foram 50,2%, 15,3% e 30,8%, respectivamente. 

Campanhas de informação, prevenção e adoção de medidas extras de higiene ainda são a principal iniciativa para enfrentar a pandemia entre as pessoas jurídicas do Norte (96,1%). O trabalho remoto para os funcionários foi adotado por 34,9%, ao passo que a antecipação de férias foi a medida escolhida por 16,9% e o adiamento de pagamento de impostos foi adotado por 33,9%. As estratégias de sobrevivência empresarial incluem a mudança do método de entrega de produtos ou serviços para serviços online (41,7%) e demanda por linhas de crédito emergencial (6,4%).

Entre as empresas que adotaram alguma dessas medidas, pelo menos 32,2% informaram ao IBGE que se sentiram apoiadas pela autoridade governamental em questão. Entre as que adiaram o pagamento de impostos, esse percentual, foi de 63,8%, e entre as que conseguiram linhas de crédito para o pagamento da folha salarial, chegou a 82,6%.

“Rumo à normalidade”

Na análise do supervisor de disseminação de informações do IBGE-AM, Adjalma Nogueira Jaques, a segunda quinzena de julho já mostra melhoras no quadro das empresas da região Norte, após o refluxo negativo registrado no levantamento anterior. O pesquisador aponta a redução na fatia de empresas que relataram vendas menores e o aumento na percepção quanto à capacidade de fabricação e de atendimento ao cliente como indícios de maior otimismo empresarial frente à crise da covid-19.

“Enfim, percebe-se que, aos poucos, as empresas vão retomando sua normalidade. Embora ainda se note alguns percalços, como o acesso aos fornecedores de insumos e matérias- primas. No aspecto social das empresas, o alto percentual das campanhas de informação e prevenção demonstram que os empresários estão preocupados com seus funcionários e clientes”, concluiu.

Qual sua opinião? Deixe seu comentário

Gostou do Conteúdo? Assine nossa Newsletter

Compartilhe:

Facebook
Twitter
LinkedIn
Telegram
WhatsApp
Email

Compartilhe:

Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no telegram
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no email