Impacto da pandemia nos negócios do Norte em agosto

A percepção dos empresários da Região Norte quanto aos efeitos da pandemia nos negócios foi ambivalente, na segunda quinzena de agosto. Para 37,4% das 59.231 empresas em funcionamento, o impacto foi “pequeno ou inexistente”, enquanto 32,2% garantem saíram ganhando. Mas, 30,4% ainda perceberam impactos negativos da crise da covid-19. Na primeira metade do mês, os percentuais foram 30,7%, 27,1% e 41,9%, respectivamente, mas a base de pesquisa sofreu decréscimo em relação a esse período (61.790).

Diferente da quinzena anterior, o Norte ficou na penúltima posição no ranking dos pessimistas, à frente apenas do Nordeste (24,7%). Na outra ponta, os empresários do Sul (37,2%) se veem mais impactados pela escalada do novo coronavírus no país, seguidos pelo Sudeste (35%) e pelo Centro-Oeste (31,45). Em termos de percepções positivas, o Norte só perde, novamente, para o Nordeste (45%). É o que revela a sexta rodada da Pesquisa Pulso Empresa: Impacto da covid19 nas empresas, divulgada pelo IBGE, nesta quinta (1º).

A mesma evolução relativa nos números foi verificada no volume de comercialização de produtos e serviços. A pandemia afetou negativamente as vendas de 23,4% das empresas da região Norte, número inferior aos 38,3% capturados na primeira quinzena de agosto. Em contraste, 44% perceberam aumento – 10,5 pontos percentuais abaixo da marca anterior (33,5%). Para 31,9%, tudo seguiu na mesma.

Do lado mais especificamente da indústria, a situação é igual. A maior parte das companhias (62,7%) informa ter passado incólume pela crise da covid-19 na segunda metade de agosto, em termos de fabricação de produtos ou capacidade de atendimento aos clientes. Uma minoria de 13% diz ter obtido ganhos no período e outras 24% relatou dificuldades. Quinze dias antes, as fatias foram de 46,6%, 14,3% e 39,1%, na ordem.

Fornecedores e pagamentos

A situação não e tão positiva, no que se refere aos fornecedores. Entre uma quinzena e outra, o percentual de empresas que reportaram ao IBGE o enfrentamento de dificuldades para manter acesso a insumos, matérias-primas ou mesmo mercadorias prontas passou de 63,3% para 55,8%. Para 8% tudo ficou mais fácil – abaixo dos 9,2% anteriores –, ao mesmo tempo em que 35,8% informam que tudo ficou na mesma – um avanço em relação aos 26,7% de 15 dias antes.

Situação semelhante se deu nos pagamentos. A percepção a respeito de dificuldades na capacidade para honrar com os passivos financeiros de rotina diminuiu, ao passar de 42,1%, na primeira quinzena de agosto, para 40,9%, na segunda. Por outro lado, subiu de 48,2% para 50,4%, o percentual de pessoas jurídicas da região Norte sinalizando que não houve alteração significativa. As empresas que tiveram facilidade somaram 8,7% – menos do que os 9,7% anteriores.

Empregos e campanhas

O IBGE-AM destaca que, desde o início da série do estudo, a maior parte das empresas nortistas busca manter os funcionários. A má notícia é que a fatia das que reportaram ter evitado desligamentos e mudanças no quadro de funcionários na primeira quinzena de agosto (81,5%) ficou abaixo da registrada da primeira quinzena (86,8%). O percentual daquelas que perceberam redução no número de funcionários, no entanto, caiu de 10,6% para 7,9%, enquanto 10,6% conseguiram contratar – contra as 2,4% anteriores.

Dentre as empresas da Região Norte que relataram redução sobre o número de funcionários, 74,2% informaram que a faixa de redução foi inferior a 25% do quadro de funcionários, 20,3% assinalaram que o corte ficou entre 26% e 50% dos quadros, e apenas 2,6% admitiram que tiveram de mandar pelo menos metade de seu pessoal para casa. Os números respectivos da primeira quinzena de agosto foram 41,4%, 48,3% e 10,3%.

Campanhas de informação, prevenção e adoção de medidas extras de higiene ainda são a principal iniciativa para enfrentar a pandemia entre as pessoas jurídicas do Norte (95,8%). O trabalho remoto para os funcionários, desta vez, foi elevado de 19,6% para 29,1%. Em paralelo, a antecipação de férias foi a medida escolhida por 15,9% e o adiamento de pagamento de impostos foi adotado por 21,1%. As estratégias de sobrevivência incluíram ainda a mudança do método de entrega de produtos ou serviços para serviços online (35,5%).

Vale notar que a fatia de empresas que adiaram pagamentos de tributos com o apoio de seus governos, passou de 41,6% para 60,1% entre a primeira e segunda metade do mês passado. A parcela de pessoas jurídicas que adotaram a mesma estratégia sem ajuda dos respectivos Executivos, por outro lado, encolheu de 58,4% para 39,9%, na mesma comparação.

“Problemas estruturais”

Na análise do supervisor de disseminação de informações do IBGE-AM, Adjalma Nogueira Jaques, em contraste com os dados do levantamento anterior, os números da segunda semana de agosto apontam para um quadro em que os resultados das empresas, em termos globais, avançam em velocidade abaixo da necessária para repor perdas da pandemia e seus passivos crescentes. Segundo o pesquisador, embora a mensuração seja feita apenas quinzenalmente, os dados apontam para uma melhora apenas gradual. 

“A percepção das empresas sobre o impacto da pandemia vem melhorando a cada quinzena, assim como o impacto nas vendas e na fabricação. Por outro lado, o relacionamento com fornecedores e o não pagamento de impostos aumentaram sensivelmente. A boa notícia é que o percentual de empresas que optaram por reduzir pessoal foi menor que na quinzena anterior. Sem entrar no mérito do faturamento, podemos dizer que ainda há problemas estruturais”, encerrou.

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