Impacto da pandemia nas vendas e empregos nas MPEs do AM

A maioria absoluta (50,3%) das micro e pequenas empresas amazonenses teve de mudar a forma de funcionamento para sobreviver à crise da covid-19 e às medidas de isolamento. A saída para 42% foram os canais digitais, embora 12,8% digam que não tem estrutura para adotar as tecnologias. Diante da queda brutal na circulação de pessoas, 41,1% não viram outra opção a não ser parar temporariamente e 2% fecharam de vez, já que pelo menos 34,9% dos negócios em questão funciona apenas presencialmente.  

Para 60,5% dos empresários que foram forçados a sair permanentemente do mercado, o único plano B vislumbrado é procurar emprego, a despeito da queda brutal de oportunidades no mercado de trabalho, por conta da pandemia. A mesma parcela de empreendedores avalia que o apoio financeiro do governo seria fundamental para evitar que a empresa fechasse, enquanto outros 39,5% avaliam que empréstimos bancários teriam tornado a situação melhor.   

Os dados estão na quarta e mais recente edição da pesquisa do Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) e da FGV (Fundação Getúlio Vargas) sobre os impactos da pandemia. O levantamento foi realizado em todo o país, entre 29 de maio e 2 de junho, às vésperas do início do primeiro ciclo de reabertura das lojas em Manaus. Foram ouvidos 7.403 empreendedores, sendo 56,7% de MEI (micro empreendedor individual), 38,1% de microempresas e 5,2% de EPP (empresas de pequeno porte) – e um total de 87 pessoas jurídicas no Amazonas.

A boa notícia é que parcela dos negócios de pequeno porte que registra queda de faturamento em virtude da crise da covid-19 caiu de 90,2% para 78,7%, em relação o levantamento anterior, um percentual abaixo também da média nacional (86,9%). O tamanho médio do tombo, contudo, aumentou de 60% para 64% na mesma comparação e ficou acima do número do Brasil (-62%).

Em contraste, 15,3% dos empreendedores amazonenses relataram crescimento de vendas em meio à crise, com alta média de 57%. Conseguiram isso principalmente por seus produtos e serviços serem considerados essenciais (47,6%), passaram a vender mais online (23,5%), começaram a vender direto para o cliente final (23,8%), ou mesmo por trabalharem com produtos e serviços foram favorecidos pela pandemia (15,5%).   

Indagados se foram forçados pela crise a mandar trabalhadores com carteira assinada para casa, nos últimos 30 dias, 51% dos entrevistados relataram não ter funcionários em seus quadros, 41% conseguiram dizem que conseguiram evitar desligamentos e 7,7% não viram outra saída a não ser fazer isso – sendo que foram quatro demissões por empresa, em média. 

Quem não demitiu suspendeu contratos de trabalho (38,7%), reduziu jornadas de trabalho (9,7%), deu férias coletivas (9%), diminuiu salários com complemento do seguro desemprego (5,8%), ou até mesmo não adotou nenhuma medida (36,8%). Em paralelo, a média de ocupação subiu de três para quatro pessoas, entre maio e junho, situando-se acima da média nacional (três).

Desemprego e informalidade 

Dado que a sondagem foi feita no começo de junho, com o comércio quase todo fechado, a gerente da unidade de Gestão e Estratégia do Sebrae-AM, Socorro Correa, não vê piora no cenário, mas manutenção da crise. Para ela, o que chama a atenção é o fato de os empreendedores amazonenses que saíram do mercado virem apenas dois caminhos: procurar emprego ou trabalhar na informalidade. “Encontrar trabalho é uma opção complicada, visto que a crise aumentou o número de desempregados. A informalidade tenderá aumentar”, sentenciou.

No entendimento da executiva, os cenários são imprecisos diante de várias incertezas, como o controle da pandemia e a instabilidade na política federal e estadual. “A economia precisa de demanda, especialmente das famílias. Mas, com tantas mortes, empresas fechadas e desemprego, o consumo caiu e, para restaurá-lo o setor privado precisa de apoio governamental. Seja pelo investimento público para gerar empregos, seja pela renda para todos os desempregados, para manter o consumo e fomentar os pequenos negócios”, frisou.

Difícil adaptação

O coordenador de Acesso a Crédito pelo Sebrae-AM, Evanildo Pantoja, diz que a situação piorou, que isso já era esperado, e que o desafio mesmo está sendo evitar que as perdas sejam ainda maiores. Ele observa que os dados da pesquisa são “bem do início” da reabertura e que um grande número de empreendimentos só começou a voltar em 15 de junho, como os restaurantes. E, mesmo assim, com várias restrições e dificuldades de adaptação. 

“Todos estão tendo de se adaptar a essa nova realidade e um dos pontos fundamentais é o uso de tecnologias. Não é um processo simples e fácil, principalmente para nossa região, que tem histórico de baixa utilização dessas ferramentas pelos empreendedores. Muitos ainda sentem dificuldades e não conseguem ver o resultado, porque também não será de imediato”, avaliou.

Evanildo Pantoja aponta que o “grande número” de fechamento de postos de trabalhos e de empreendimentos contribui para um possível caos econômico, em razão de seu impacto na diminuição do consumo e aumento da inadimplência, com a consequente retração da economia. 

“Em torno de 80% dos empreendimentos viram seus faturamentos despencarem entre 50% e 70%, desde o início da pandemia. Com a reabertura, não estão conseguindo reestabelecer com a mesma celeridade seus níveis de faturamento e várias medidas de auxílio já tiveram o tempo esgotado, como a suspensão de parte do quadro de funcionários e o financiamento da folha”, concluiu.

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