Impacto da pandemia nas vendas da construção civil

O Amazonas está entre os estados da região Norte que apresentou fraco desempenho no volume de vendas das indústrias para o varejo da construção civil nos últimos três meses. A queda de 40% em maio, segue na direção do comportamento mais lento em toda região, que havia sido a mais impactada em abril com queda de 33%. A leve recuperação fechou o referido mês com apenas +1%.

Esses dados fazem parte do estudo sobre os impactos da pandemia nas vendas do setor, promovido pela Juntos Somos Mais – maior ecossistema do varejo da construção civil, que e contempla mais de 70 mil varejistas e mais de 20 grandes nomes da indústria.

Conforme o levantamento, os impactos da COVID-19 nas vendas vêm sendo contornados, aos poucos, pelos varejistas e pela indústria que demonstraram recuperação contínua do setor com o mês de maio fechando 8% acima em volume de vendas da indústria para o varejo e 4% acima para quantidade de varejistas comprando das indústrias – em comparação ao período pré-COVID (fevereiro de 2020).

Mas a região Norte, não acompanhou essa recuperação. Seguido do Amazonas,  o estado de Amapá caiu 32% e o Acre 24%. Somente o Estado de  Rondônia cresceu em 21% no volume de vendas das indústrias.

Um outro aspecto apontado na pesquisa, demonstra que no mês de abril, o volume de vendas da indústria para o varejo caiu 13% (versus o período pré-COVID) enquanto a quantidade de varejistas comprando das indústrias caiu 2% em abril. “A construção civil passou cinco anos com decréscimo do PIB e o varejo aprendeu a viver na crise, tornando-o mais preparado para enfrentar esse momento. Há muita resiliência e criatividade no setor, mas há muito ainda o que fazer, especialmente na digitalização do varejo”, destaca Antonio Serrano, CEO da Juntos Somos Mais.

O Índice ABRAMAT (Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção), aponta que abril de 2020 foi até o momento o pior resultado de toda a série histórica, apresentando queda no faturamento de 33,7% em relação a abril de 2019. Porém, maio já apresentou melhora em relação a abril e esperamos que o pior já tenha passado.

De acordo com Rodrigo Navarro, presidente da Abramat, mesmo considerando que as previsões apontam para uma retração dos efeitos da pandemia a partir de maio em vários estados do país, ainda há riscos nesse processo e incertezas sobre os impactos negativos na economia neste momento de crise e também no pós-crise. As obras realizadas por construtoras estão seguindo em ritmo normal em todo o país, mas as pequenas obras, de reformas e ampliações de residências não têm seguido o mesmo ritmo do passado.

“Se por um lado os consumidores estão realizando manutenções e melhorias em suas habitações pelas demandas geradas pela maior permanência em casa, e que o varejo de materiais está em funcionamento na maior parte do país, há ainda obras em imóveis que foram suspensas por determinação de condomínios para segurança sanitária dos demais moradores e boa parte das famílias está mudando planos por preocupações com perda de empregos e redução de renda”. 

Na mesma direção, conforme os dados da FGV, em abril o Amazonas foi o estado que registrou a maior queda na produção física da indústria de materiais na comparação com abril de 2019 (-56,5%) e que registra  a maior queda no acumulado do ano (-14,4%).

Comportamento do varejo

Como a grande maioria, o setor de varejo de material de construção tem encontrado à frente as dificuldades advindas desta devastadora pandemia de Covid-19 (coronavírus), embora o segmento tenha sido considerado essencial via decretos – por meio de um forte trabalho junto aos governos municipal, estadual e federal – encampado por parte de entidades, a exemplo da própria Anamaco. 

“Importante registrar que o setor rapidamente conseguiu se adequar à nova realidade. Tem colocado em prática todas as normas de higienização e de etiquetas de comportamento, evitando assim que haja disseminação deste vírus. Preservar a vida da população é fundamental, mas não podemos deixar de pensar na oxigenação da economia, dentro do que for possível”, afirma,  Waldir Abreu, superintendente da  Anamaco (Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção).

No entendimento do dirigente, num cenário pós-pandemia, infelizmente, se a MP 936 não tiver o prazo estendido por mais tempo – que a princípio terá validade até o final de julho, a partir deste período o setor começará a registrar demissões. E os números não são nada animadores, dado que uma recente pesquisa divulgada pelo IBGE (Pnad Covid-19, realizada na última semana de maio) apontou a existência de 28,6 milhões de desempregados em todo o país. “É um contingente muito vasto, portanto, precisamos ser realistas e teremos que lidar com uma forte recessão que já está a caminho”.

Conforme dados da associação, a projeção de queda de faturamento para o setor em maio é de 24,8%. “Se formos medir no período de janeiro a maio, o setor deverá encolher 13,3%. É importante ressaltar que o segmento vem sofrendo muito pela falta da concessão de créditos”. Este tem sido um gargalo que, com certeza, tem dificultado ainda mais a sobrevivência do pequeno e do médio lojista do segmento de varejo de material de construção, neste período de crise. Com a política do isolamento social, é fato que o consumidor tem diminuído suas idas às lojas, o que consequentemente provoca queda no faturamento. Até porque, quando alguém quer reformar algo, ele normalmente aprecia ir pessoalmente comprar a cerâmica, as peças sanitárias, os metais etc.

Outros números

As cinco regiões do Brasil demonstraram diferentes momentos quando analisamos o volume de vendas da indústria para o varejo em comparação ao período pré-COVID. Segundo o estudo, a região Norte, que havia sido a mais impactada em abril com queda de 33%, mostrou uma recuperação fechando maio em +1%, próximo então ao período pré-COVID. A região Sudeste fechou maio com crescimento de 9% enquanto abril havia fechado com queda de 9%. A região Nordeste fechou maio com crescimento de 4% enquanto abril havia fechado em queda de 28%. A região Sul fechou maio com crescimento de 9% enquanto abril havia fechado em queda de 7%. A região Centro-Oeste mais se destacou fechando maio 14% acima enquanto havia encerrado abril com queda de 10%.

Em 15 dos 27 estados tiveram um mês de maio melhor do que o período pré-COVID. Destaques são Mato Grosso (cresceu 39%), Minas Gerais (cresceu 36%), Rio Grande do Norte (cresceu 25%), Rondônia (cresceu 21%) e Ceará (cresceu 21%).  E, mesmo os dados no geral apontando para recuperação, algumas UF’s ainda têm resultados em maio significativamente abaixo do observado em fevereiro. Por exemplo, Amazonas (queda de 40%), Amapá (queda de 32%), Acre (queda de 24%), Alagoas (queda de 13%) e Rio de Janeiro (queda de 11%) ainda estão muito atrás em termos de negócios realizados pelas indústrias com o varejo de material da construção. São Paulo fechou o mês com crescimento de 5% no período.

Para Antônio Serrano, a construção civil é sensível ao nível de confiança na economia, ao nível de emprego e, também, há uma incerteza de como esses indicadores irão se comportar nos próximos meses. 

Esta evolução na expectativa de recuperação que a indústria prevê para o setor reflete em ações concretas que ditarão a retomada das atividades após o término da crise do COVID-19. “Com um ambiente de negócios um pouco mais claro, as empresas líderes do setor passam a ter uma visão mais otimista e a pauta principal muda para a retomada gradual e segura das atividades”, afirma Fábio Viegas, Chief Loyalty Officer da Juntos Somos Mais. Entre outros pontos, as indústrias discutem como agilizar ainda mais a digitalização do setor e ganhar eficiência por meio de e-commerce, digitalização dos canais, redução em viagens do time comercial e, principalmente, em ações de treinamento para capacitação dos canais e do varejo para atuar neste novo cenário.

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