7 de maio de 2021

Imóveis vão bem e permanecem estáveis em 2020

O saldo de 2020 foi inesperadamente positivo para a construção civil, especialmente para o segmento imobiliário. Surpreendidas pela crise da covid-19, as empresas não pouparam esforços para continuar trabalhando, mesmo nos meses mais duros da pandemia, entre abril e maio, quando os registros de contágio e mortes chegaram ao pico, no Amazonas. Com o refluxo e a flexibilização do segundo semestre, veio a demanda reprimida, com efeitos no abastecimento e preços dos insumos e problemas derivados. As lideranças do setor se dizem otimistas para 2021, mas preparam-se para enfrentar alguns dos velhos problemas.

Na análise do presidente da Ademi-AM (Associação das Empresas do Mercado Imobiliário no Estado do Amazonas), Albano Maximo, a despeito dos impactos econômicos da pandemia, o segmento imobiliário local deve manter a tendência de crescimento verificada nos últimos dois anos. A projeção para 2020 – cujos dados ainda não foram divulgados – era chegar a R$ 1,1 bilhão em vendas somente em Manaus, o equivalente a um crescimento de 23%, se comparado a 2019 (R$ 814 milhões). 

Albano Maximo: segmento imobiliário local deve manter tendência de crescimento

A mais recente pesquisa da Ademi-AM indica que o mercado imobiliário do Amazonas faturou R$ 297 milhões no terceiro trimestre de 2020, tendo acumulado R$ 723 milhões em vendas, nos nove meses iniciais do ano – alta de 25% sobre o mesmo período de 2019 (R$ 578 milhões). A maior parte do volume comercializado total (1.407 unidades) foi de imóveis do padrão econômico (1.021), sendo seguidas por “demais padrões verticais” (261), unidades horizontais (105) e comerciais (20). Os bairros Lago Azul (274), Lírio do Vale (229), Tarumã (180), Parque Mosaico (153), Ponta Negra (98) e Parque 10 de Novembro (94) responderam por 73% da demanda.

Para o presidente da Ademi-AM, o desempenho crescente de 2020 se deu graças a uma mobilização significativa do setor no cenário nacional, que garantiu a continuidade da projeção inicial, que havia sido brevemente descartada, nos meses mais duros da pandemia. Segundo o executivo, o crescimento também foi impulsionado pelo isolamento social, quando as pessoas viram a necessidade de procurar nova moradia ou investir em um imóvel próprio. Mas o segmento já vinha embalado desde o último biênio.

“Em 2018, tivemos crescimento de 13% e, em 2019, fomos a 20%. Neste ano, estamos chegando a um crescimento entre 22% e 25%, um pouco superior àquilo que estávamos prevendo. Com os bons resultados deste ano, a expectativa para 2021 também é de crescimento. Principalmente no faturamento e na geração de empregos do segmento imobiliário do Amazonas”, declarou. 

O dirigente da Ademi-AM observa que o que foi vendido neste ano, vai ter que ser feito e entregue a partir do ano que vem, assegurando o crescimento previsto. “Vai acontecer crescimento nos postos de trabalho e de economia, por conta disso”, reforçou. Albano Máximo, que também é um dos vice-presidentes da CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção), lembra que a entidade projeta um crescimento nacional para o setor imobiliário em torno de 10%.

Em um ambiente de juros baixos e demanda aquecida, um dos maiores entraves vem do custo dos materiais de construção, que sofreu uma escalada no segundo semestre de 2020, em razão da desarticulação das cadeias produtivas pela pandemia, da maior procura domestica, e mesmo do ziguezague cambial. “Estamos em um momento de transição, porque o dólar subiu e desceu muito rapidamente. Temos alguns insumos cotados em dólar, cujos preços ainda estão flutuando e isso tem gerado preocupações em nível nacional”, salientou. 

Menos lançamentos

O presidente do Sinduscon-AM (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Amazonas), Frank Souza, lembra que o setor registrou conquistas em um ano atípico e de mudanças de comportamento, em que as reuniões passaram a ser virtuais e as viagens foram limitadas. O dirigente faz questão de lembrar que os segmentos de obras de infraestrutura, industriais e imobiliárias correm em paralelo, embora estas últimas tenham a primazia dos resultados – até por contar com mais crédito.

“De janeiro a outubro de 2020, os números aumentaram consideravelmente em relação a 2019. Uma coisa positiva que aconteceu neste ano foram as vendas, porque as pessoas passaram mais tempo em casa e resolveram melhorar suas moradias ou adquirir imóveis melhores. Mas, o número de lançamentos e empreendimentos diminuiu nacionalmente. O estoque baixou e as construtoras vão ter de lançar mais imóveis para suprir a demanda de mercado”, ponderou.

De acordo com o presidente do Sinduscon-AM, entre 80% e 90% dos empreendimentos no Estado são do padrão econômico e a projeção para o setor é crescer 10% na consolidação dos dados de 2020. Consequentemente, as empresas contrataram mais. “Em 2019, tivemos em torno de 2.100 vagas, entre a admissão e o desligamento. Em 2020, com toda a pandemia, já estamos fechando novembro com um saldo positivo de 1.040 postos de trabalho”, comparou.

O que foi negativo, conforme o executivo, veio das indecisões e da necessidade de controle nos canteiros de obras, para aplicar os protocolos anti-covid. A parte positiva, por outro lado, foi que o setor não parou. Outro dado negativo veio do desabastecimento de insumos para a construção e da consequente pressão inflacionária sobre os produtos.

“De agosto para cá, houve desequilíbrio nos contratos já firmados, dentro de uma inflação anterior, não fecham e descolaram. Temos produtos que chegam a 30% de aumento e isso ocorre em obras comerciais, industriais e públicas. No caso dos empreendimentos do programa habitacional Casa Verde e Amarela, o problema é mais sério, porque não há como mudar esse valor no curto prazo, que já está contratado. O governo federal está com essa missão de mudar os valores. Pode vir a dar um desajuste e, se não fechar, dar uma interrupção nessas moradias. Vamos aguardar”, frisou.

Outro dado positivo vem do crédito ao setor, pelo menos no segmento imobiliário. Nas obras públicas nem tanto, pois boa parte dos recursos dos governos teriam ido para a saúde e o segmento de infraestrutura ainda se ressente de baixos índices de investimento em obras de infraestrutura. “Temos algumas obras de viadutos e outras que não podem parar, como de escolas. Isso deu uma agitada, mas nada de grande vulto”, mencionou.

Em termos de expectativa, o setor aguarda um decréscimo (-2%) abaixo da média do PIB (-4%) nacional em 2020, ao mesmo tempo em que projeta índices positivos de 3,5% e 4% para 2021, respectivamente. Segundo Frank Souza, o setor ainda espera conseguir reduzir burocracia e custos e aguarda um refluxo da pandemia, com melhoria nos negócios, e incremento nas obras do Casa Verde e Amarela, mas já espera ainda encontrar alguns dos velhos fantasmas, no Ano Novo.

“O que acontece em nível Brasil, acontece igual em nossa região. O índice de atividade aumentou, assim como o de empregos, sendo que a atividade é a segunda que mais contrata no Amazonas. Mas, o aumento da inflação tende a ser um gargalo, assim como o desabastecimento agravado pela nossa logística. Esperamos uma diminuição da pandemia, com a vacinação. Até para que o Estado possa diminuir um pouco o investimento em saúde para aplicar em infraestrutura, inclusive em saneamento”, encerrou. 

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