A aprovação legislativa da prática do aborto na Irlanda e na Argentina e o recente caso da menina de dez anos estuprada pelo tio no Espírito Santo soam como alarme de incêndios na liberalização da prática no âmbito das políticas de saúde no Brasil e no mundo inteiro.

Em nome de uma pseudo-prerrogativa legal das mulheres – o que os abortistas têm chamado maliciosamente de “direitos reprodutivos” –, criou-se uma ideologia que busca justificar a supressão da vida dos fetos nos ventes de suas mães.

A ideologia e ativismo pró-aborto organizam-se em bases nacionais e internacionais. ONGs, partidos políticos e movimentos sociais criam as condições propícias para o avanço ideológico do debate nas acadêmicas, mídias e círculos de opinião pública. Estrategicamente, coloca-se a questão do direito“reprodutivo” e, posteriormente, a quantidade de abortos praticados por mulheres na ilegalidade, desamparadas pela rede pública de saúde como argumentos supremos para que se aprovem tais práticas com dinheiro público.

Em um segundo momento, dentro dessa mesma estratégia, tenta-se relativizar a vida dos fetos em desenvolvimento nas barrigas de suas mães. Na novilíngua da morte, o feto ou embrião não podem ser considerados ainda seres humanos, mas tão somente um “amontoados de células”. Sob este argumento pró-aborto, os preceitos bioéticos e religiosos são radicalmente repensados para a satisfação da causa ideológica em questão.

A aprovação das legislações favoráveis ao aborto também contam com suporte financeiro internacional. As grandes fundações, como os Rockefellers, Ford e o multimilionário George Soros (Open Society Foundation) estão empenhados em financiar movimentos locais que consigam mobilizar e convencer a massa da população e a elite parlamentar e jurídica. É certa a prática de transferência de vultuosos recursos financeiros para organização de grupos de lobbies.

É notório como um assunto tão repudiado pela maioria da população consiga ser aprovado nas casas legislativas e nas cortes de justiça mundo afora. A Irlanda e a Argentina – países tradicionalmente católicos – funcionaram inicialmente como laboratórios de dessensibilização da psique coletiva.

O processo de dessensibilização é mais eficaz que o processo de convencimento, conscientização ou educação. A dessensibilização funciona nos seguintes termos: os indivíduos de uma dada sociedade são submetidos a um conjunto de estímulos absurdos e contraditórios – absurdos e contraditório por afrontarem radicalmente os valores morais minimamente aceitos naquela coletividade – com o propósito único de atingir e causar sérios danos à subjetividade já amplamente diluída em anomia social.

A reação de indignação despertada, num primeiro momento, é logo é substituída por uma atitude de moderação ou até indiferença (nível máximo da “espiral do silêncio”). Assim, a indiferença torna-se um terreno fértil para a propagação dos projetos de dessensibilização em larga escala, o que permite a proliferação de ideologias e projetos revolucionários.

A ideologia da morte é um eficaz ardil na manipulação de dados e informações relevantes para o esclarecimentoda sociedade. Em termos práticos, a ideologia da morte é uma lucrativa indústria. Clínicas de aborto, segmentos inteiros da indústria farmacêutica e de medicamentos, tratamentos de fisioterapia, e consultas psicológicas para os possíveis transtornos – e estes hão de haver, sem dúvida! – sem falarmos nos traumas espirituais. Tornando-se um novo imperativo categórico, se procura naturalizar o procedimento como um ato de rebeldia, de jovialidade e liberdade. A exclusão via procedimento abortivo de pessoas com algum grau de deficiência física ou motora também torna-se possível nesse caso.

A propaganda da ideologia da morte remonta às velhas crenças eugenistas de meados do século XIX e início do século XX que resultaram no nazismo. O ponto central da causa eugênica é melhorar substancialmente a “raça humana” com a ajuda das descobertas “científicas” de então, especialmente com os estudos sobre composição racial e genética dos diversos grupos humanos. No Brasil, em particular, a política do “branqueamento”, seguido da europeização do país, e a falta de políticas sociais de reparação foi o passo decisivo no processo de exclusão dos negros e mestiços da vida social e produtiva.

A ideologia da morte ataca historicamente as populações mais pobres. A ideia é aborta e esterilizar as mulheres mais pobres, pois o cálculo utilitário é: redução de pobres (causa) implica, consequentemente, na diminuição das altas taxas de violência urbana (consequência). O biopoder transforma-se em biototalitarismo eugênico. A ficção científica já tratou de todos esses assuntos das mais diferentes maneiras. Porém hoje, estamos diante de uma confrontação ideológica radical, de um cenário real na encruzilhada de nossa civilização.

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