Icap reduz projeção de corte

A Icap Brasil reduziu ontem, de 0,50 ponto porcentual para 0,25 ponto porcentual, a estimativa para o corte da Selic (taxa básica de juros) na reunião desta semana do Comitê de Política Monetária (Copom). Em documento divulgado a clientes e à Agência Estado, a economista-chefe da instituição, Inês Filipa, fez uma extensa avaliação das decisões e dos discursos de parcimônia adotados recentemente pelo Banco Central. Depois desta análise, ela chegou à conclusão de que, dado o cenário de incertezas que vem sendo observado, especialmente na Europa, uma redução menos intensa que a de meio ponto na Selic seria mais justificável e mais prudente por parte da autoridade monetária.
“O ponto que quero chegar é que, talvez, o BC esteja sinalizando via entrevistas ou eventos que a parcimônia não seja de 50 pontos-base, mas 25 pontos-base. Neste momento há muitas incertezas no âmbito internacional e muitos dos riscos provenientes da Europa terão um desenrolar apenas no final de junho”, destacou Inês Filipa. “O BC não tem intenção de parar de cortar os juros, mas precisa alongar o ajuste, para, numa eventual piora do cenário (como a saída da Grécia e seus efeitos sobre os mercados globais), estar apto ainda a alterar os juros, e de forma mais agressiva, se necessário (até 7,0% de Selic neste caso)”, acrescentou.
A economista-chefe da Icap Brasil listou alguma das justificativas, não só ligadas ao cenário externo, para uma decisão em torno do corte de 0,25 ponto porcentual para maio. Uma delas é a de que, se o processo de queda da Selic não vai ser interrompido no curto prazo e se a avaliação é de retomada mais consistente da atividade econômica no Brasil, um corte menos intenso mantém a possibilidade de um “ajuste por mais tempo” nos juros e permite ao BC confirmar se a atividade realmente mostrará uma recuperação.
Outro fator levantado pela Icap Brasil é que uma redução menor na Selic em maio poderia ser uma sinalização do BC ao mercado de maior cautela com a política monetária e de que ele estaria confiante na economia. Segundo a economista, isso permitiria, mesmo marginalmente, “uma menor pressão sobre o câmbio”.
Inês Filipa salientou também que a própria mudança nas regras de remuneração da caderneta de poupança é um componente a mais para reforçar a aposta em 0,25 ponto porcentual de redução. “Um corte de 50 pontos-base iria validar a nova regra da poupança, medida que ainda não foi aprovada pelo Congresso e que deve ocorrer apenas no final de junho. Apesar do risco político baixo da MP não ser aprovada, seria muito mais ‘tranquilo’ para o governo ter a nova lei do rendimento da poupança validada pelo Congresso”, opinou.
A economista-chefe da Icap Brasil também lembrou as discussões recentes sobre a possibilidade de o governo mudar a meta de superávit primário, promovendo estímulos fiscais para impulsionar a economia. “Esta alteração na meta, se ocorrer, sozinha não seria justificativa para o BC cortar menos os juros, mas, no conjunto de fatores, contribui para uma maior parcimônia”, avaliou.
Ela enfatizou que tem consciência da existência da aposta majoritária do mercado financeiro em uma redução de 0,50 ponto porcentual na taxa básica de juros em maio. Preferiu, entretanto, usar as justificativas listadas para manter seu posicionamento de uma diminuição menos intensa. “Se a minha linha de raciocínio estiver correta, o BC corta a Selic para 8,75%. Se o corte de 50 pontos-base for a decisão neste momento e meu raciocínio ainda estiver correto, o BC poderá adicionar a palavra ‘maior’ antes da parcimônia, sinalizando ajustes menores nas reuniões seguintes”, escreveu.

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