IBGE faz levantamento da saúde no Amazonas

O Amazonas registra o quinto mais baixo número em todo o país em termos de médicos (111) e enfermeiros a (102) para cada 100 mil habitantes. Levando em conta a mesma proporção, o Estado também amarga a nona menor posição em termos de respiradores (20) e está entre os quatro piores em quantidade de leitos de UTI (sete) – sendo que todos estão concentrados na capital.  

Um fator complicador adicional é que 31,8% dos amazonenses e 24,7% dos manauenses estariam vivendo em domicílios adensados (com três moradores por dormitório ou mais), o segundo maior percentual do país. Segundo o IBGE, é uma característica comum na região Norte (21,8%) e bem acima da média nacional (9,7%). Em compensação, a capital amazonense aparece com uma das mais baixas fatias de habitantes com 60 anos ou mais (6%), também seguindo o padrão do Norte. 

Os números estão na pesquisa Informações de Saúde, realizada pelo IBGE, com a colaboração do MonitoraCovid-19 da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz). Foram cruzados com as bases de dados da sondagem Regic 2018 (Regiões de Influência das Cidades) – antecipada em função da pandemia – e o Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde – dezembro 2019. Também foram levadas em conta o Censo 2010 e os Arranjos Populacionais e Concentrações Urbanas do Brasil 2015. 

Médicos e enfermeiros

Em termos de quantidade de médicos para cada 100 mil habitantes, o Amazonas (111) só está em situação menos pior do que Acre (108), Amapá (95), Pará (85) e Maranhão (80). O melhor número está no Distrito Federal (338). Em Manaus (3.655), são 167 na mesma proporção, sendo que a fatia referente ao SUS (2.959) é de 136. O pior número do Estado nesse quesito está em Careiro da Várzea (20). 

Ao serem consideradas as 15 regiões de busca a serviços de saúde de baixa e média complexidade mais populosas, o índice de médicos a cada 100 mil habitantes de Manaus (135) estava no penúltimo lugar, ficando empatado com Belém (135) e à frente apenas de São Luís (134). Também merecem destaque no Estado os municípios de Parintins (52), Itacoatiara (67) e Manacapuru (47).

No que se refere a enfermeiros(102) para cada 100 mil habitantes, o Amazonas só superou Sergipe (101), Goiás (101), Alagoas (100) e Pará (75), ficando bem atrás do maior índice do país, apresentado no Distrito Federal (198). Os dados consideram a distribuição espacial total dos profissionais, incluindo as redes do SUS e particular, em 2019.

Entre as 15 regiões de busca a serviços de saúde de baixa e média complexidade mais populosas, Manaus (110) só perde para Belém (84) na contagem de enfermeiros para cada 100 mil habitantes, e distante do primeiro lugar do ranking (São Paulo, com 157). Itacoatiara contava com 94 profissionais para a mesma proporção, sendo seguida por Parintins (66) e Manacapuru (63).

Leitos e respiradores

Em um ranking onde o Distrito Federal (30) desponta na primeira colocação, o Estado (sete) apresenta uma das mais críticas distribuições de leitos de UTI para cada 100 mil habitantes: só Acre (5,4), Amapá (5,4) e Roraima (4,1) estão em situação pior. Com proporção maior, Manaus (9,6) aparece em último lugar entre as 15 regiões de busca de atendimento à saúde de baixa e média complexidade mais populosas, bem distante de Porto Alegre (19,1). Não foi contabilizado nenhum leito no interior do Amazonas.

O Amazonas está em nono lugar entre os Estados com os menores índices de distribuição de respiradores (20) para cada 100 mil habitantes, ficando à frente de Acre (16,3) e Alagoas (15,2), entre outros, mas bem atrás do Distrito Federal (62). Levando conta as 15 regiões de busca de atendimento à saúde de baixa e média complexidade mais populosas, Manaus (27) aparece com maior proporção, mas em pior situação no ranking brasileiro, situando-se em situação pouco melhor apenas do que Belém (26). Parintins (sete), Itacoatiara (2) e Manacapuru (zero) aparecem com números muito piores.

“O Amazonas tem alguns dos piores números do país, em termos de médicos, enfermeiros, leitos e respiradores. O Estado até possuía o menor percentual de idosos, mas tinha a segunda maior fatia de população vivendo em domicílios com mais de três pessoas por dormitório. A população que vive nessas casas tem mais chances de contágio, e os idosos compõem o grupo de risco da doença provocada pelo novo coronavírus”, concluiu o supervisor de disseminação de informações do IBGE-AM, Adjalma Nogueira Jaques.     

Fonte: Marco Dassori

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