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HQs e suas histórias trágicas

Duas histórias com finais trágicos e personagens que ficaram marcados na história do Amazonas agora fazem parte das duas mais novas HQs do quadrinista Marlon Brandão, de Parintins. A primeira é ‘Koutakusseis – a saga na Vila Amazônia’ e a segunda é ‘Ajuricaba – o herói imortal’. Ambos os trabalhos estão prontos e Marlon se prepara para lançá-los em janeiro, em Parintins, tanto na ilha quanto na Vila Amazônia, onde os koutakusseis inicialmente viveram; e em Manaus.

“Meu interesse pelo tema dos koutakusseis começou em 2006, quando fiz meu primeiro trabalho para o Garantido, o desenho da alegoria ‘Um povo de fibra’, confeccionada depois pelo artista Teco Mendes. Naquele ano o tema do Garantido foi ‘A grande maloca’. Desde então não parei mais de pesquisar sobre os koutakusseis”, contou Marlon.   

Os koutakusseis, técnicos agrícolas preparados no Japão, fizeram parte de um dos três projetos agrícolas implantados na Amazônia, entre 1929 e 1930. O projeto Nantaku visava plantar cacau, em Tomé-Açu/PA e algodão, em Monte Alegre/PA; o projeto Amaku deveria plantar guaraná, em Maués; enquanto o projeto Koutaku iria plantar juta, em Parintins. O objetivo desses três projetos era superar a crise econômica gerada pela decadência da produção da borracha na região.

Tudo funcionou perfeitamente bem até começar a Segunda Guerra Mundial, em 1939. Como o Brasil entrou na guerra ao lado dos Aliados contra o Eixo, do qual o Japão fazia parte desde 1941, logo os japoneses ficaram mal vistos no país. Em 1942, de Manaus partiram soldados do 27º BC (Batalhão de Caçadores) para prender os japoneses da Vila Amazônia. Vários conseguiram fugir para as matas e os que permaneceram no local, foram presos e enviados para Tomé-Açu, como prisioneiros de guerra, perdendo tudo o que haviam construído desde sua chegada a Parintins. A Vila Amazônia virou um espólio de guerra e passou a pertencer ao Governo Federal. Em 1946, com o fim da guerra, as terras dos koutakusseis foram leiloadas e compradas pela Cia. J. G. Araújo S.A.

“Só agora, com minha produção de HQs mais intensa, é que pude concluir essa HQ. Antes era difícil. A história que eu narro é uma mistura de fatos com mitos e lendas amazônicas e mostro uma visão geral do país oriental, desde o período feudal; a chegada dos primeiros japoneses à Vila Amazônia, em 1930; sua participação na Segunda Guerra Mundial; os kamikazes; as bombas atômicas atiradas sobre Hiroshima e Nagasaki”, falou.

As histórias são contadas pelo personagem professor Ryo Mizuno para sua aluna Sayuri. ‘Koutakusseis – a saga na Vila Amazônia’ tem mais de 30 páginas, impresso em P&B, com traços em vermelho.

Ajuricaba, cacique manaó

Sobre Ajuricaba, apesar de o cacique manaó ter vivido no Amazonas bem antes dos koutakusseis, a relação de Marlon com o indígena é mais recente e também tem a ver com o Garantido.

“Em 2018 eu compus a toada ‘Cacique Ajuricaba’, junto com o Rosinaldo Carneiro, mas antes, em 2013, já tinha desenhado uma ilustração de Ajuricaba idealizando-o como se fosse um super-herói amazônico. Agora foi a vez de produzir a HQ sobre esse herói imortal”, disse.

Ajuricaba viveu no século 18, no rio Negro, e combateu duramente os colonizadores portugueses depois que estes mataram seu pai. Sabedor que os holandeses, então estacionados no Suriname, tentavam descer o rio Negro para se apossar de territórios também pretendidos pelos portugueses, Ajuricaba os procurou e pediu apoio para enfrentar os lusos. Com as armas cedidas pelos holandeses, o cacique manaó atacou várias missões portuguesas ao longo do rio, causando a ira dos portugueses, que logo prepararam o contra-ataque através das chamadas ‘guerras justas’.

Em 1727 os portugueses atacaram a aldeia onde Ajuricaba estava com outros líderes, mas ele fugiu, e por dias foi perseguido até ser capturado.

Preso, acorrentado, Ajuricaba e sete de seus líderes estavam sendo levados para Belém a bordo de uma embarcação quando se rebelaram contra os guardas. Na luta, o cacique preferiu se atirar nas águas do Negro, morrendo afogado.

O roteiro de ‘Ajuricaba – o herói imortal’ foi escrito pelo professor de física da USP, Zoezer Brasílio.

“Em 2015 o professor Zoezer tomou conhecimento de outra HQ minha e se encantou com as personagens Arara, a princesa Íris e a Mariposa Isis. Desde então disse que queria fazer algum trabalho comigo, o que aconteceu agora”, revelou.

‘Ajuricaba – o herói imortal’ é todo colorido e tem 24 páginas.

Outros trabalhos de Marlon Brandão são ‘Os titãs da Amazônia – água, o combustível do povo Arara’, de 2017; HQs de Garantido e Caprichoso, de 2020; cartilha ‘Garantinho, Chozinho e os Titãs da Amazônia pela preservação do meio ambiente’; e ‘Mirza Sanguinária’, de 2021.

Solicitações destas HQs podem ser feitas através do 9 9100-1461.

Evaldo Ferreira

é repórter do Jornal do Commercio
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