Hora de comemorar com os heróis anônimos

No dia de hoje, 12, se comemora uma profissão que, para exercê-la, é preciso muito amor pelo que se faz. Hoje é o Dia do Enfermeiro, profissional que poucas vezes tem aparecido tanto na mídia quanto agora, por conta do coronavírus e que talvez, em tempos recentes, nunca tenha ficado tão exposto a uma doença como a covid-19, a inimiga invisível, que não se sabe de onde pode atacar, e os enfermeiros estão lá, na linha de frente, como os soldados numa batalha.

Jefferson Oliveira da Silva atua há cinco anos como enfermeiro. Atualmente ele trabalha em dois hospitais, da Unimed e no 28 de Agosto, tirando plantões de 12 horas em cada um dos hospitais.

“Um enfermeiro, entre outras funções, precisa tomar decisões nas áreas administrativa e organizacional, além de lidar diretamente com os pacientes. Neste caso é preciso identificar quem precisa de cuidados especiais e auxílios emergenciais”, disse.

Jefferson trabalha numa enfermaria exclusiva para a covid-19 e ainda operacionaliza a SAE (Sistematização de Assistência de Enfermagem).

“Com a SAE planejamos o trabalho da equipe e os instrumentos que serão utilizados, de acordo com o procedimento a ser realizado”, explicou.

“Realmente o começo da covid-19 assustou, principalmente porque a mídia ajudou a causar esse temor pela doença, mas eu trabalhei um bom tempo no sistema prisional, onde o risco para se adquirir doenças, principalmente tuberculose, é bem grande, então já estava meio que acostumado com riscos de contaminação”, afirmou.

“Depois que os EPIs (Equipamentos de Proteção Individual) começaram a chegar, aí melhorou bastante a segurança no trabalho”, completou.

Jefferson lembrou que todo aquele paramento que vemos nas fotos e TV: máscara, luvas, avental é descartado diariamente.

“No ensino médio comecei a me interessar pela área da saúde e quando observei que especificamente a enfermagem era boa profissionalmente, me direcionei para este curso. Além de enfermeiro, sou professor universitário. Gosto de estar dos dois lados: atuando e ensinando os futuros enfermeiros”, concluiu.

Nada de heróis

Joicy Coelho é enfermeira há 16 anos. Atualmente trabalha no SPA e Policlínica Dr. Danilo Corrêa, na Cidade Nova, em plantões de 12 horas com folga por 24 horas.

“Com certeza essa doença veio mudar completamente a rotina nos hospitais. Nós estamos diante de um inimigo invisível, tendo que enfrentar algo que não conhecemos. Aqui no SPA recebemos pessoas com os mais variados tipos de doenças e, de cara, não dá para identificar quem está com a covid-19, diferente de outras doenças com as quais já estamos acostumados a lidar”, falou.

“No começo da pandemia foi como se eu estivesse no meu primeiro dia de trabalho. Era tanta gente chegando que eu não sabia muito bem o que fazer, para quem prestar assistência primeiro. O sistema, que já era deficiente, piorou bastante. Agora melhorou significativamente”, comemorou.

Joicy lembrou que seu interesse pela enfermagem surgiu naturalmente.

“Foi acontecendo, então fiz o curso e fui aprendendo a gostar da profissão, a qual sinto prazer em exercer, mas lamento que seja desvalorizada. O que vale a pena é cuidar de pessoas, depois vê-las se recuperando, e ficando boas de alguma situação”, contou.

“Não gosto de ver as pessoas, agora com essa pandemia, nos chamando de heróis. Não somos heróis. Somos profissionais como outro qualquer. Gostaria que o reconhecimento fosse financeiro, para darmos uma vida melhor para nossos familiares. O que vale nos chamarem de heróis e muitas vezes sermos hostilizados até mesmo dentro de um hospital?”, desabafou.

Mais confiante

Eunuquis Aguiar Muniz foi ao fundo do poço e voltou. Há quatro anos trabalhando como enfermeiro no SPA do Galiléia, ele nunca conhecera uma doença com o potencial de contaminação como a covid-19. E o coronavírus o pegou.

“Eu estava com todos os EPIs possíveis: avental, luvas, máscara, mas a máscara era muito fina e eu nunca tinha visto tanta gente junta tossindo, até que uma colega chegou, tirou a máscara e também não parou de tossir. Os sintomas da covid-19 logo apareceram”, lembrou.

Eunuquis ficou doze dias com tosse, febre, falta de ar, e passou a doença para a esposa e a filha pequena. Todos se trataram em casa com antibióticos e Vitamina C.

“Com 14 dias voltei ao trabalho e mais confiante do que antes. Até agora uns sete colegas aqui do SPA também pegaram a doença mas, felizmente, ninguém teve recaída”, comemorou. “Por outro lado, já perdi nove colegas, entre técnicos, enfermeiros e médicos”, revelou.

A média diária de atendimento no SPA da Galiléia, segundo Eunuquis, é de 150 a 200 pessoas. Esse número caiu para 20, 30 após a pandemia.

“As pessoas estão com medo de procurar atendimento no SPA, por causa do coronavírus, mas isso não é bom porque existem outras doenças que precisam ser tratadas”, avisou.

Eunuquis começou na profissão de enfermeiro para cuidar da mãe doente, mas se apaixonou pelo trabalho.

“Minha mãe e minha esposa já me pediram pra mudar de profissão, mas eu não posso fazer isso. Imagina se todos os enfermeiros resolvem deixar a profissão pelos perigos que enfrentam. Como ficariam as pessoas que precisam de nós?”, indagou.              

Fonte: Evaldo Ferreira

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