5 de julho de 2022
Prancheta 2@3x (1)

O mês de março não poderia findar sem que fizesse esse registro. Revendo meus escritos antigos, deparei com as referências a duas mulheres famosas no mundo inteiro, por motivos totalmente opostos. O registro foi feito no momento em que acontecia a morte das duas, com intervalo de menos de uma semana. Isto é, em 31 de agosto e 4 de setembro de 1997.

A primeira morreu num acidente em um carro de luxo, quando fugia do assédio da imprensa, num país que não era o seu. Quem conhece um pouco de história sabe que estou falando da Princesa Diana. Linda, jovem, rica, admirada e invejada no mundo inteiro. A menina nascida na nobreza inglesa, que na sua juventude gostava de representar e foi escolhida para ser a Princesa do reino mais famoso do mundo. Casou com o príncipe Charles por conveniência da corte e passou a representar seu papel de princesa, ofuscando toda a família real. Ela sintetizava o sonho de toda menina romântica. Mal amada, não conseguindo manter as aparências de esposa traída e infeliz com o de princesa sorridente, rompeu com a coroa da rainha Elizabeth. Morreu, aos 36 anos, em consequência de um acidente trágico, provocado por seu motorista bêbado, como qualquer plebeu depois de uma farra. O seu funeral foi assistido por mais de dois bilhões de pessoas pela televisão.

A segunda, uma mulher feia, velha e pobre por opção, que conquistou o coração de muitos,  pelo mundo inteiro por sua bondade, abnegação e dedicação aos mais pobres que ela. Ela provocava, por seu exemplo, milhões de dólares em doações e guardava para si apenas a roupa simples que vestia e o catre que lhe servia de quarto. Madre Tereza de Calcutá, a mulher que comoveu o mundo. Seu generoso coração parou de bater aos 87 anos de vida. Seu funeral contou com a presença de líderes de todas as religiões que entenderam que ela estava acima da guerra de siglas religiosas. Vinte e cinco anos depois, sua vida ainda é exemplo para todas as pessoas de bem.

Se perguntarmos a psicólogos e pessoas que não só veem o corpo, mas vasculham as profundezas da alma, ou do subconsciente, veremos que a felicidade não estava com a mais rica, mais bela e mais jovem que, por incumbência do ofício, precisava viver de aparências. Todos concordam que a Princesa Diana não era feliz, nem realizada. Abandonou todo o glamour porque, na essência, queria a vida simples e real, não a que a realeza lhe impunha. Madre Tereza, no entanto, vivia apenas no mundo real, no mundo da pobreza de Calcutá, uma cidade com metade dos membros de Londres, mas todos com necessidades muito maiores. Ela era feliz? O que se sabe é que era tão desprendida que não se questionava com estas coisas. Vivia para os outros e sua felicidade consistia em levar alívio para os mais carentes. Talvez fosse mais feliz que qualquer egoísta por este mundo afora. 

No mês dedicado a elas vamos lembrar-nos dessas duas mulheres famosas. Não se pode falar em comemoração, porque não se deve comemorar a tragédia de Nova Iorque, em 8 de março de 1911 nem a morte de pessoa alguma. Lady Diana precisava mostrar toda sua feminilidade para bem exercer sua função. Somente as roupas que usava numa única viagem da coroa, poderiam vestir outra mulher por toda vida. Madre Tereza de Calcutá precisava superar a condição de mulher tão discriminada na Índia. Toda sua força estava na determinação, não em seu corpo frágil.

Cada uma, à sua maneira, merece nossa admiração.

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