Home office muda produtividade do brasileiro

O isolamento social imposto pela pandemia do novo coronavírus mudou radicalmente a maneira como as pessoas se relacionam com suas casas e com o trabalho. Em todo o mundo, milhões de pessoas que jamais tinham trabalhado remotamente precisaram transformar suas casas em escritório, e com a unificação dos ambientes, veio o dilema: como fica a produtividade?

A pergunta divide opiniões. Enquanto alguns alegam que se surpreenderam com a rotina do home office e que têm rendido como nunca, aproveitando o tempo que antes era gasto com deslocamento, por exemplo, outros relatam maior dificuldade de concentração e para delimitar horários para as demais tarefas além do trabalho.

Produtividade em alta

Uma pesquisa realizada pelo DataSenado aponta que a produtividade do brasileiro aumentou no sistema de home office. De acordo com o levantamento, quatro em cada 10 trabalhadores observaram uma melhoria no rendimento profissional, enquanto 19% que não se adaptaram bem ao novo formato. 38% dos entrevistados disseram que não houve alterações no desempenho.

Para o executivo Lawrence Klein, da Robbyson, uma plataforma de people management, a produtividade dos trabalhadores em home office está intimamente relacionada à capacidade de autogestão. “Percebemos que nossos indicadores de performance subiram, em média, 8%, pautados principalmente pela questão de o colaborador saber o que tem que entregar. Empresas que utilizam plataformas como a nossa para gestão de pessoas têm conseguido mensurar melhor os dados para avaliar onde o colaborador rende mais: em casa, ou no escritório”, diz.

58% dos trabalhadores ouvidos pelo DataSenado disseram já estar preparados para as mudanças trazidas pelo home office, enquanto 42% alegaram não ter recebido qualquer preparo para esse novo formato de trabalho. “Toda a mudança demandou adaptação. Tanto gestores, quanto liderados, não estavam acostumados a se relacionar de maneira 100% virtual”, destaca Klein.

Segundo ele, além de ajudar na organização do trabalhador, a ferramenta de autogestão contribui para o monitoramento de como cada um se sentia com o passar do tempo. “Conforme as empresas foram migrando para o modelo de home office e as pessoas foram percebendo que não iam perder o controle sobre seu trabalho, a satisfação foi aumentando. De maneira geral no mercado, percebeu-se que era preciso desenvolver a autonomia dos colaboradores sobre sua performance”.

Tudo indica que a satisfação pessoal tenha um impacto muito maior sobre a produtividade do trabalhador em home office do que o maior número de horas conectado à internet, por exemplo. A principal vantagem desse modelo de trabalho apontada pela pesquisa do DataSenado foi a flexibilidade de horários, seguida pela maior disponibilidade de tempo para estar com a família e pela redução no tempo de deslocamento. Para se ter uma ideia, 49% dos entrevistados relataram um aumento expressivo no bem-estar pessoal.

Klein reforça, no entanto, que para manter a satisfação do colaborador – e a produtividade – em alta, é fundamental que as empresas entendam suas novas demandas. “Percebemos que o desejo de reconhecimento se modificou. Hoje, por exemplo, os colaboradores pedem mais itens para deixar o ambiente de home office mais confortável. As taxas de felicidade dos colaboradores de empresas que são nossas clientes permanecem as mesmas em relação ao período pré-pandemia, mas para mantê-las, as organizações precisaram se adaptar”.

Entre os desafios para manter a produtividade em casa apontados pelos entrevistados na pesquisa, a falta de conexão adequada à internet foi o principal. A dificuldade em conciliar as atividades laborais com as domésticas aparece na sequência, citada por 20%.

Outros fatores que impactaram o rendimento dos trabalhadores em casa foi a falta de equipamentos de informática e a ausência de contato com parceiros de trabalho. Klein diz que, de fato, a distância física pode ser um grande desafio para a manutenção do fit cultural. “Manter uma comunicação virtual cada vez mais clara é a melhor maneira de fazer com que a identidade, os valores e o senso de pertencimento junto à empresa não se percam”, conclui.

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