O home office continua sendo a aposta de várias empresas, o crescimento da modalidade vem concentrando um grande número de trabalhadores. Segundo dados do relatório anual da Workana , maior plataforma que conecta freelancers a empresas da América Latina, 94,2% dos profissionais com carteira registrada não estão querendo voltar ao modelo de trabalho antigo. Eles afirmaram que preferem continuar em home office mesmo depois que a ameaça do coronavírus passar, sem dúvidas, motivados pela excelente ou muito boa produtividade que 81,9% deles disseram ter sentido ao trabalhar em casa.

Para a consultora de gestão estratégica e diretora-executiva da Singulari Consultoria, Luciana Nogueira Minev, as empresas que já estavam em um caminho de transformação digital conseguiram se adaptar rapidamente. “A Singulari, por exemplo, hoje conduz os processos de seleção 100% online, desde entrevistas a testes psicológicos. Contudo, nem todas as empresas estavam preparadas e tiveram bastante dificuldade nessa transição”. 

Muitos especialistas afirmam que o home office veio para ficar, mas dentro dessa nova realidade precisa proporcionar ao mercado o modelo ideal. Conforme a especialista, o melhor caminho é o trabalho híbrido. Alguns dias da semana de casa, outros no escritório. “Aprendemos a trabalhar de forma remota, mas a presença física no escritório é importante para estabelecer e manter a cultura da organização”. 

De acordo com Luciana, estudos internacionais apontam que o percentual de empresas que adotaram a modalidade como política permanente gira em torno de 30%. 

Entre os grandes desafios para as empresas e líderes com a implementação desse novo formato, ela cita manter o espírito de time, garantir uma boa comunicação e reforçar a cultura construída ao longo dos anos. E que o regime de trabalho veio para somar ao regime presencial. “Na nossa empresa adotaremos o sistema híbrido, que dá mais liberdade e autonomia à equipe, mas nos mantém unidas e alinhadas à nossa cultura”.

Benefícios e desvantagens 

Para o CEO do grupo Hunt, empresa de recrutamento e seleção, Olegário Borges, existem vantagens e desvantagens não apenas para empresa, mas também para o profissional. Para as empresas, entre as vantagens está a necessidade de não precisar de um local físico com custo operacional mais baixo. Para os funcionários, a questão do deslocamento até a empresa, evitando  encarar o trânsito e uma série de outros desgastes.  

Em relação a produtividade ele analisa que isso depende muito de cada funcionário. “Tem profissional que tem foco no resultado e têm outros que ficam dispersos.  Uma coisa que pode atrapalhar é a pessoa não ter um local adequado em casa. Às vezes, pela falta de ter um ambiente que permita se concentrar na sua atividade  isso pode prejudicar a produtividade. É necessário ter um ambiente para justamente desenvolver o trabalho”. 

De acordo com Olegário, a atividade é regulamentada pela CLT a partir da reforma Trabalhista de 2017. Ela estabelece por exemplo que a empresa tem que oferecer o mínimo de estrutura para que o funcionário trabalhe. “Infraestrutura e equipamentos para o desenvolvimento das atividades”. Mas nem todas as empresas dão esse suporte”. 

Ele considera que vale a pena investir no regime de trabalho remoto, principalmente em atividades que não dependam que a pessoa fique fisicamente dentro da empresa. 

Adesão deve continuar

O consultor de carreira, negócios e emprego, Flávio Guimarães também defende que a nova modalidade de trabalho trouxe para as empresas a realidade da redução de custos operacionais, mostrando que, dependendo do setor da empresa, não é mais necessário ter uma loja ou um escritório alugado, custos com luz elétrica, telefonia, infraestrutura e outros. “Dentro desse universo, há limitações que não permitirão que o trabalho home office seja executado. Em uma atividade industrial de produção, por exemplo. Considerando isso, a tendência é que muitas empresas transformem os trabalhos de tecnologia e administrativo em geral o home office”.

Levantamentos realizados pela empresa dele, indicam que de 3 a cada 10 empresários afirmam que vão transformar suas operações em trabalhos a distância.

“O grande desafio que demandará novos meios de gestão de pessoas é controlar o nível de produtividade dos profissionais que estarão em casa. O trabalho home office é excelente, entretanto, pode se misturar com afazeres domésticos e familiares, o que pode diminuir significativamente a produção e resultados finais. Dessa forma, há a necessidade de ter um planejamento de tempo apurado e sem desvios de atenção”. 

Ele também mantém a percepção de que a modalidade não deve substituir  o modelo de trabalho presencial, que nunca deixará de existir, independente do avanço diário de novas tecnologias. “O que pode ocorrer, em médio prazo, é as empresas reduzirem o tempo do presencial, fazendo ser uma operação híbrida: metade presencial, metade a distância”, reitera.

Projeção

A previsão do relatório da Globant é que até o final de 2023, 40% das empresas ampliarão suas operações remotas. E aí que surgem modelos de negócios multimodais para suprir essa demanda crescente. Experiências holísticas, como chatbots, por exemplo, serão diferenciais das empresas.

Dentre as mudanças proporcionadas por essa digitalização, tem o surgimento de uma nova cultura de trabalho. Com a previsão de aumento de 300% no aumento do home office ao longo prazo, o surgimento de novos cargos, como o de chefe de trabalho remoto, são parte desse processo.

Foto/Destaque: Divulgação

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