Em sua carta de demissão a presidente Dilma Rousseff, a ministra Helena Chagas (Comunicação Social) alfinetou o PT e disse que manteve o critério da mídia técnica, adotado no governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
“O critério da mídia técnica, que herdamos do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e que soubemos preservar e aprimorar, propiciou a oportuna e equilibrada publicidade governamental de tais ações públicas, trazendo ao cidadão informação clara e objetiva a respeito de seus direitos e das oportunidades que lhe eram impostas. São hoje 9.963 veículos cadastrados em todos os Estados”, diz a ministra.
A mensagem de Chagas é em resposta à crítica petista que defendia, desde 2012, um realinhamento editorial na definição dos patrocínios federais. O PT deseja que o ministério contemple mais os veículos alinhados à defesa da administração petista.
A carta foi divulgada na manhã de hoje pela assessoria de imprensa do Palácio do Planalto. Em nota, a presidente agradeceu a dedicação e os relevantes serviços prestados ao país pela jornalista Helena Chagas no comando da pasta, ao longo dos últimos três anos.
Chagas será substituída pelo porta-voz da Presidência, Thomas Traumann. A previsão é que a posse ocorra na próxima segunda-feira.
A Secretaria de Comunicação Social é uma das pastas mais importantes em ano eleitoral por ser responsável por toda a liberação de verbas publicitárias do governo.
A presidente optou por nomear um “operador” de mídia que, na definição de pessoas próximas a Dilma, trata-se de alguém que, de um lado, estreite a relação do Planalto com a chamada grande imprensa e, de outro, contemple mais órgãos regionais de comunicação na divisão do bolo publicitário oficial.
Em 2011, Traumann passou a assessorar o então ministro Antonio Palocci na Casa Civil. Com a saída de Palocci do governo, em junho, tornou-se assessor da ministra Helena Chagas.
Aos poucos, ganhou a confiança de Dilma. De assessor, tornou-se em 2012 porta-voz da Presidência, onde ajudou a estruturar o “gabinete digital”, ofensiva de Dilma nas redes sociais. Nos bastidores da Secom, Traumann protagonizava uma disputa velada com Helena Chagas nas decisões mais importantes. Ele e a ministra jamais foram próximos.
A pasta tem autonomia para convocar redes obrigatórias e contratar as agências de publicidade em campanhas institucionais do governo. Interlocutores presidenciais relataram que Helena só teve certeza de sua saída ontem após a leitura da coluna Painel, da Folha de S.Paulo, que informou sobre a mudança no comando da secretaria.
Auxiliares da ministra dizem, porém, que foi ela quem pediu demissão e que o desligamento foi precipitado pelo vazamento da informação. Os dois lados procuraram desvincular a troca na pasta da polêmica envolvendo a sigilosa parada de Dilma em Lisboa no sábado passado, quando o governo foi acusado de falta de transparência.

Casa Civil
A terceira grande troca de comando no time de Dilma começou a ser deflagrada ontem com a oficialização das mudanças em três ministérios-chave: Aloizio Mercadante, Arthur Chioro e José Henrique Paim assumirão, respectivamente, Casa Civil, Saúde e Educação.
Mercadante, que era o titular da Educação, já vem despachando no Palácio do Planalto desde o início da semana passada. Ele substituirá a ministra Gleisi Hoffmann, que sairá candidata ao governo do Paraná pelo PT neste ano.
Na saída de Mercadante, o MEC (Ministério da Educação) definiu em 2014 um reajuste de 8,32% no piso nacional dos professores da educação básica e causou atrito com a categoria. Paim, que era secretário-executivo do MEC, assumirá o posto deixado pelo petista.
No lugar de Padilha na Saúde, ficará Chioro, atual secretário de Saúde de São Bernardo do Campo (SP). Padilha, por sua vez, será o candidato do PT ao governo de São Paulo.
Chioro é alvo de investigação do Ministério Público de São Paulo por improbidade administrativa. Ele afirmou que não vê “nenhuma irregularidade” em ser sócio de uma consultoria que atua na área da saúde ao mesmo tempo que ocupa o cargo de secretário municipal da Saúde em São Bernardo do Campo (SP), mas pediu afastamento da empresa e cedeu as ações para sua mulher, Roseli Regis dos Reis, que passa agora a ser a sócia majoritária.

Educação
O novo ministro da Educação, José Henrique Paim, é réu numa Ação Civil Pública que corre na Justiça Federal em São Paulo desde 2006.
Ele responde por irregularidades identificadas pelo Ministério Público num convênio de R$ 491 mil firmado entre o FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação), que foi presidido por Paim, com a ONG Central Nacional Democrática, para alfabetizar jovens e adultos.
De acordo com a assessoria do Ministério da Educação, uma falha administrativa fez com que a recomendação do Ministério Público não chegasse a Paim, por isso os recursos teriam sido liberados. Em nota, a assessoria diz que uma apuração interna foi feita no FNDE e inocentou Paim de responsabilidade.

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