1 de julho de 2022
Prancheta 2@3x (1)

Gustavo Sampaio, da Amazonastur: ‘Será o maior festival que o Estado já viu’

O turismo foi uma das atividades mais afetadas durante a pandemia no Amazonas. As operações pararam em 100%, impactando na vida de milhares de empresas e trabalhadores. Passadas as restrições, o segmento vem agora com força total. O recomeço veio com o carnaval e outros eventos de bumbás em Manaus, impulsionando atividades que atraem grandes públicos, gerando empregos e mais renda à população.

Muito antes do fim das restrições, a Amazonastur (Empresa Estadual de Turismo do Amazonas) já vinha definindo estratégias para alavancar o setor com foco no potencial de Parintins, em festas religiosas de outros municípios. E ainda na pesca esportiva, que atrai milhares de turistas no Estado, principalmente em Barcelos, para onde pelo menos 10 mil visitantes se deslocam de setembro a março (a melhor temporada) para a captura do tucunaré.

“Faremos este ano o maior festival que o Estado já viu”, promete o presidente da Amazonastur, Gustavo Sampaio, numa referência ao espetáculo de Parintins que ganhou fama mundial, vendendo a cara e o potencial do Amazonas para todo o mundo.  Segundo ele, a grande estratégia é investir na qualificação da mão de obra, melhorar a infraestrutura, a logística e criar novos atrativos em obras que motivem viagens do destino Amazonas, tudo com muito profissionalismo.

Estão em execução parcerias entre a prefeitura de Manaus e o governo do Amazonas para dar mais fôlego às atividades turísticas. “Estamos tentando segmentar nossa atuação”, acrescenta Sampaio. Outra grande iniciativa é o trade aproveitando a marca Zona Franca como roteiro turístico. E já começaram iniciativas nesse sentido com a melhoria das ruas do Distrito Industrial (antes praticamente intrafegáveis), dando um aspecto paisagístico, motivando visitações públicas. A estreia nessa direção foi com a ‘Arena de Portas Abertas’, que agora se estende para outros potenciais.

Turistas também vão poder visitar as fábricas, conhecendo nuances e as peculiaridades de uma produção industrial que responde, hoje, por 98% de toda a arrecadação tributária do Amazonas. O projeto ‘ZFM de Portas Abertas’ dá continuidade a essas novas estratégias, divulgando o potencial do Estado para o mercado mundial.

Apesar dos impactos negativos da pandemia, o segmento turístico teve um desempenho positivo no primeiro quadrimestre de 2021, segundo Gustavo Sampaio. O faturamento alcançou 45%, devendo chegar a 68% no mesmo período de 2022. “Tudo caminha para tornar o turismo uma alternativa econômica para o Amazonas a longo prazo”, ressalta o presidente da Amazonastur.

Gustavo Sampaio participou da live ‘JC às 15h’, comandada pelos jornalistas Caubi Cerquinho e Fred Novaes, diretor de redação do Jornal do Commercio.

Jornal do Commercio – Nessa retomada após a pandemia, estamos tendo grandes eventos, que começaram com o carnaval e apresentações do Garantido. A Amazonastur está se preparando cada vez mais para essas atividades?

Gustavo Sampaio – Com certeza. Na verdade, a Amazonastur, desde que começaram as liberações das restrições, já vem apoiando eventos nesse sentido. Não só agora, no bar do boi, aniversário, não só em Manaus como no interior. Turismo e cultura sempre andam juntas.

Historicamente foi assim, hoje é assim. E sempre vai ser assim. E a Aamazonastur vem preparando o seu corpo técnico na capital e no interior do Estado. Sensibilizando, fiscalizando, realizando visitas técnicas para que essa retomada seja gradual e para que possamos estabelecer um patamar maior e melhor do que éramos no momento pré-pandemia.

JC – Sabemos que o turismo é sempre dependente da questão da infraestrutura, da logística também. Por exemplo, há muitas expectativas com a volta do Festival de Parintins, mas as passagens estão caras, há uma dificuldade de deslocamento por via aérea. Como vocês estão encarando o problema e se há tratativas para facilitar o acesso ao município?

GS – Isso é um gargalo muito sério, não é simples de resolver, mas vimos trabalhando para solucionar a questão. De fato, os preços não estão acessíveis, é uma lei de mercado, oferta e demanda. A gente vive num país onde a intervenção do Estado na economia é mínima.

Temos que levar isso em consideração, a realidade é essa. Porém, estamos articulando. Estive em Brasília, junto com o ministro do Turismo e o presidente da Embratur para tratar do assunto.

Também junto à Anac, com a Associação das Companhias Aéreas para tentar sensibilizar e ampliar esse debate nos órgãos competentes. A gente não espera nesse momento de retomada do festival, do porte que ele é hoje, que nós iremos praticar o preço de tempos comuns.

Claro, vemos hoje um preço bastante elevado. Estamos tentando aumentar a oferta de voos no período para diminuir os preços.

JC – A Amazonastur tem se direcionado pouco para impulsionar atividades de eventos turísticos em outros municípios, principalmente festas religiosas. É uma diretriz da empresa fazer com que os municípios tenham uma alternativa econômica?

GS -Na verdade, é uma diretriz do governo do Amazonas e da Amazonastur. A gente vem intensificando ações no interior do Estado.

Possuímos ações específicas como o turismo em movimento. Já visitamos quase uma dezena de interiores. Do ano passado para cá. Só este ano, estivemos no Careiro, em São Gabriel, vamos estar agora em Itacoatiara. É uma ação muito valorosa.

Tem uma receptividade muito grande entre os municípios. A gente leva Sebrae, bombeiros, Afeam. É uma ação que permite orientações sobre empreendedorismo, licenciamentos. Tudo que o trade das pessoas envolvidas no turismo precisam para poder operar com segurança, para oferecer um serviço de melhor qualidade ao turista que vem da capital, de outros Estados brasileiros e do exterior.

Para que o turista que vem ao nosso Estado tenha uma boa percepção do destino, recomendando o Amazonas.

JC – Recentemente, vimos um episódio que sofreu muitas críticas. O prefeito tentando vender o destino de Manaus durante a maratona de Barcelona. E sabemos dessa necessidade. Como vocês encaram isso e que  tipo de ações estão sendo feitas nesse sentido?

GS – Essa necessidade existe, é real e sempre continuará existindo. Nós praticamos isso participando de feiras nacionais e internacionais. Hoje, nosso principal mercado são Alemanha e Estados Unidos. Estamos tentando segmentar nossa atuação.

Este ano, já participamos da feira de Madri, Milão, para vender o destino Amazonas ao público europeu. Em nosso cronograma, já há participação em feiras no mercado norte-americano, especificamente no segundo semestre, mas depende ainda de fechamento de datas.

As parcerias com feiras e companhias aéreas são essenciais para que esses eventos sejam promovidos, não só no Amazonas e Brasil, mas também internacionalmente. Para que o turista venha, gere renda e oportunidades para maior arrecadação.

JC – O deputado Tony Medeiros tem um projeto na Assembleia que regulamenta a pesca esportiva. Ele acredita que essa atividade gere muitos dividendos para os cofres públicos do Estado. Vocês apostam também nessa direção?

GS – Eu não acredito. Tenho certeza. Hoje, nós temos a capital mundial da pesca esportiva, que é Barcelos. Todos os recordes sobre a pesca do tucunaré estão aqui no Amazonas.Temos um potencial absurdo de geração de empregos diretos indiretos e renda.  

JC – Tem aeroporto….

GS – Exatamente. Só Barcelos, na temporada de setembro a março, recebe mais de 10 mil turistas para pesca esportiva. Há muita movimentação na rede hoteleira, de restaurantes, lanchonetes, no transporte. O turismo envolve uma série de segmentos. E para promovê-lo temos que ter isso em mente.

Temos potencial não só em Barcelos, mas também em Santa Isabel, e tantos outros destinos que não têm tucunaré-açu, que é o Oscar da pesca, mas há outras espécies que podem ser exploradas.

JC – Balbina também tem um potencial muito grande….

GS – Sim, mas Balbina tem um diferencial, a pesca acontece o ano todo, diferente de outros municípios. Podemos explorar mais essas atividades e aproveitar melhor esse grande potencial.

JC – O  turismo de selva, com seus hotéis e pousadas, também tem grande potencial nessa Amazônia tão gigantesca. A Amazonastur apoia e atua para dar mais perenidade a essas atividades no ecoturismo?

GS – Em minhas entrevistas, sempre falo que Deus e a natureza foram muito bons com a gente. Temos uma vocação natural, absurda, enorme. Talvez só a gente tenha isso no mundo.

A Amazônia é o maior polo turístico que este mundo conhece. Semanalmente, recebo proprietários de hotéis de selva, pousadas, pedindo apoio, ajuda, seja em capacitação, uma visita in loco, principalmente para capacitação do pessoal das pousadas

Temos nossas parcerias com o Cetam. Oferecemos mais de 6 mil vagas em cursos no ano passado para nosso trade turístico com cursos de inglês, espanhol.

JC – Muitas cidades no mundo sobrevivem praticamente do turismo. Manaus está se preparando para essas atividades com novas construções. Falam que é nossa vocação natural, porém há entraves. Existe alguma ação para que o setor desponte e seja, realmente, uma alternativa econômica para o Estado?

GS – Realmente, é uma situação muito complexa. Temos hoje uma matriz econômica muito forte, que é a Zona Franca de Manaus. A longo prazo, ainda não temos outra opção que proporcione os mesmos resultados desse projeto.

Mas acredito fortemente que o turismo possa ser uma alternativa econômica para o nosso Estado. O segmento foi esquecido por muito tempo. Essa é a verdade. Em outras gestões, não teve a ascensão que era devida.

Porém, estamos trabalhando para que esse turismo efetivo, com empregos, renda, oportunidades, principalmente para os nossos irmãos do interior, consiga se tornar essa matriz forte com que muitos países vivem.

A Espanha é um exemplo de sucesso no turismo, onde muitas cidades vivem do turismo. Estamos mapeando novos roteiros turísticos de São Gabriel, Parintins, Humaitá, Rio Preto da Eva, possibilitando tornar o nosso Estado uma matriz econômica forte a médio e longo prazo.

JC – Estamos na semana nacional dos museus. Nunca conseguimos associar a Zona Franca de Manaus com a cultura, a nossa história. Agora, parece que a Suframa e outros órgãos estão se alinhando para ter algo que represente essas atividades. Há alguma articulação nesse sentido para que o projeto tenha maior visibilidade, a nossa cara….?

GS -Começamos esse projeto com a Arena, chamado ‘Arena de Portas Abertas’, junto com a FAA. E isso logo chamou a atenção da Suframa. O Amazonas não é só isso. Manaus tem inúmeros atrativos turísticos relevantes.

Nosso PIM também é um atrativo de muita relevância. Estamos articulando para que seja promovido esse novo roteiro. Em junho, o ‘Portas Abertas’ vai ser finalizado.

Vamos fazer visitas a fábricas com profissionais da área para promover esse roteiro com maior efetividade. A ideia é promover a cidade de Manaus, a Suframa e nosso Polo Industrial, que são também a nossa cara e a nossa identidade.

JC – Estamos voltando da pandemia e o turismo foi uma das atividades mais afetadas. Quais são as perspectivas para que haja mais entusiasmo no segmento?

GS – Sou um entusiasta do turismo. E os números me trazem isso. O último quadrimestre de 2021 já era muito positivo pra gente, que apresentava uma  alta de faturamento de mais de 45% de nossos prestadores de serviços dos mais variados. A nossa perspectiva agora é que essa alta nesse quadrimestre de 2022 subiu para 68%, o que é bastante expressivo.

Isso é um espelho do trabalho que vem sendo realizado pela prefeitura e pelo governo do Estado, principalmente daqueles que vivem do turismo. Tivemos um momento muito trágico, foi o segmento mais afetado pela pandemia, as operações pararam em 100%. A gente tem que pegar isso para que sirva de lição.

Temos pessoas muito engajadas na causa. Para que o turismo seja em 2022, 2023 e 2024, a cara do nosso Estado. Para potencializar essa matriz econômica, forte, que é o turismo. Vamos fazer este ano o maior festival que este Estado já viu.

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