Grupos de Braga e Omar já em confronto

A instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar o trabalho das empresas de telefonia no Estado colocou em rota de colisão deputados do PMDB e o presidente da Assembleia Legislativa, Josué Neto (PSD). Mesmo que já tenha conseguido nove assinaturas, uma a mais que o número mínimo exigido, o deputado Marcos Rotta (PMDB) viajou a Brasília ontem sem conseguir instalar a CPI. Isso porque o presidente decidiu solicitar um parecer da Procuradoria Jurídica, uma manobra claramente protelatória. Parlamentos de 16 Estados já investigam o assunto e vão mostrar os primeiros resultados no encontro do qual Rotta vai participar, a partir de hoje. “Em alguns casos, já aconteceu até a assinatura de Termos de Ajustamento de Conduta. Continuo acreditando que a Casa não ficará na contramão da grande maioria dos Estados”, atacou o peemedebista. Em reposta, Neto recebeu ontem o diretor-geral da Telefônica/Vivo, Paulo César Teixeira, e saiu dizendo que a reunião foi proveitosa. O discurso foi de defesa das telefônicas. “Há três ou quatro anos não se tinha no Amazonas a cobertura total dos municípios, e hoje não só a Vivo, que já tem cobertura nos 62 municípios, mas as outras telefônicas como a TIM e a OI cobrem 100% do território amazonense. Isso é muito bom”, declarou.

DETRAN

Aliás, Rotta não se limitou a atacar as telefônicas. Presidente da Comissão de Defesa do Consumidor, ele solicitou ao Detran-Am e à Visnorte informações sobre a majoração do serviço terceirizado de vistoria de veículos, cujo valor cobrado passou de R$ 11 para R$ 120. E não ficou por aí: pediu ao Ministério Público do Estado do Amazonas uma intervenção no assunto, considerando o aumento abusivo.

CÂMARA

Na Câmara Municipal, um dos principais aliados do senador Eduardo Braga (PMDB), o vereador Massami Miki (PSL), atacou ontem indiretamente o governo. É que, ao denunciar a compra de um lote de vacinas contra o HPV com características já obsoletas, pela prefeitura, atingiu o Estado, que fez compra semelhante. Aliás, o vereador nissei vem endurecendo o discurso contra o prefeito Arthur Neto (PSDB) há duas semanas.

NOVA COMPANHIA

O governador Omar Aziz abdicou definitivamente da companhia do líder do governo federal no Senado e aparentemente ex-aliado Eduardo Braga. Na passagem por Brasília esta semana, acompanhou-se apenas de técnicos do governo, do prefeito Arthur Neto e dos deputados Rebecca Garcia (PP), sua secretária de Governo, Átila Lins (PSD) e Plínio Valério (PSDB).

NOVO ALIADO

Enquanto Omar percorria gabinetes com sua comitiva, Braga discursava enaltecendo a conquista do ex-adversário Alfredo Nascimento (PR), alforriado pela Procuradoria Geral da República das denúncias de corrupção no Ministério dos Transportes. Aliás, os três senadores do Amazonas nunca estiveram tão unidos e coesos, o que indica claramente uma aliança política.

EUFORIA

Na sede local do Partido da República, o movimento, que andava escasso, voltou a ser grande. Depois que Alfredo se livrou das ameaças que rondavam sua carreira política, os aliados ficaram eufóricos. Houve quem falasse ontem em uma nova candidatura dele ao governo, o que parece hipótese remotíssima. O certo é que o reduto republicano do Adrianópolis voltou a ferver.

RECRUDESCEU

O deputado José Ricardo Wendling (PT) voltou ontem a exercer seu papel preferencial de opositor do governo, depois de uma trégua durante a qual seu grupo, comandado pelo deputado federal Francisco Praciano, chegou a aventar a hipótese de uma aliança com o governador Omar Aziz. Ele solicitou auditoria do Tribunal de Contas do Estado e prometeu acionar o Ministério Público do Estado para investigar contrato supostamente superfaturado firmado entre a Secretaria de Estado da Educação e a empresa Parintur Hotéis e Turismo Ltda., no valor de R$ 2,2 milhões, para serviços de aluguel de ônibus e diárias em hotéis nos Jogos Escolares do Amazonas.

MÍDIA NINJA

O detalhe é que Ricardo recebeu a denúncia por meio de um perfil em mídia social, que comparou os preços das diárias dos hotéis contratados pela Seduc com os de hotéis de quatro e cinco estrelas da cidade, bem como dos aluguéis de micro-ônibus e de ônibus, confirmando o superfaturamento do Pregão Eletrônico nº 1.222/2013. Uma diária de hotel custou R$ 736, bem superior ao preço médio cobrado na cidade, totalizando mais de R$ 1,4 milhão (2.010 diárias).

CORAJOSO

Enquanto José Ricardo volta à seara oposicionista, seu colega Marcelo Ramos (PSB), que também é advogado trabalhista, decidiu chamar para a briga ninguém menos que o corregedor geral da Justiça do Trabalho, Ives Gandra Filho. Tudo porque este criticou o volume de conciliações no Amazonas, que gira em torno de 30%, enquanto no Brasil a média é de 50%. “Diferente do que ele fez parecer, esse é um número positivo”, atacou o parlamentar. “Ao invés de criticar, ele deveria aplaudir, pois a justiça trabalhista age rápido, mesmo sem conciliação”, completou.

RECORDISTA

Nem Adail Pinheiro, nem Anderson Souza. O recordista em uma única penalização no Tribunal de Contas desde ontem é o ex-prefeito de Nhamundá, Tomaz de Souza Pontes. Durante apenas seis meses de 2010, ele cometeu irregularidades tais que provocaram não apenas a desaprovação de suas contas, como também a obrigatoriedade de devolver aos cofres públicos nada menos que R$ 9,8 milhões, entre multas e glosas. Nos outros seis meses esteve no cargo o ex-prefeito Mário Paulain, que teve suas contas aprovadas com ressalvas.

O QUE ELE FEZ

Tomaz Souza, segundo o auditor Mário Filho, relator do processo, não encaminhou movimentação contábil ao TCE, omitiu notas de empenhos ou qualquer outra documentação que comprovassem despesas que ele alega ter feito com recursos públicos. Ou seja, o dinheiro sumiu.

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