Greve pode parar polo de duas rodas do PIM

Uma paralisação de 48 horas poderá atingir perto de 70% de toda a força de trabalho do polo de duas rodas hoje, caso os empresários do setor mantenham a decisão do não-pagamento do reajuste salarial de 15% do dissídio coletivo deste ano. O diretor do Sindicato dos Metalúrgicos, João Brandão, assegurou que o movimento de retaliação dos trabalhadores teve início ontem e seguirá ao longo de toda esta terça-feira ou pelo menos enquanto se mantiver a disposição contrária do empresariado.
Brandão afirmou que ao longo de todo o dia de ontem, a Dafra Motos foi a primeira a ter 70% das linhas fabris paralisadas e que, hoje, operários da Moto Honda da Amazônia e de seus fornecedores planejam paralisar as atividades para forçar o reajuste. Segundo o representante, o governo do Estado concedeu isenção de 25% na alíquota de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) durante todo um semestre às indústrias do setor como forma de manter os empregos e reduzir os prejuízos acarretados pela instabilidade econômica global. “O mais interessante é que o setor eletroeletrônico que até então era o mais impactado pela crise, honrou o compromisso concedendo cota única do dissídio. Já o setor de duas rodas não quer liberar o aumento por conta do lobby da Moto Honda”, explicou.
Brandão lembrou que, no último fim de semana, o Sindicato dos Metalúrgicos aprovou com o endosso dos representantes jurídicos das montadoras o acordo de 15% de reajuste salarial. O encontro, segundo o diretor do Sindicato, contou com a participação dos representantes jurídicos de todas as montadoras, mas no dia seguinte a Moto Honda, cuja produção adensa cerca de 21 empresas componentistas no ciclo produtivo, disse que não iria cumprir o acordo, porque o aumento não satisfazia a maior parte dos interesses das indústrias locais. “A comissão que tratou o assunto tinha o aval dos empresários, por isso a gente não vai voltar atrás, nem vai chamar para a mesa de negociação como eles pediram”, asseverou.
Procurada pela reportagem do Jornal do Commercio, a Dafra Motos disse apenas que não iria se pronunciar sobre a suposta paralisação total dos 600 operários do quadro funcional ontem ou mesmo sobre a possibilidade de contornar o movimento grevista nesta terça-feira.
Em nota enviada pela assessoria de imprensa, a Moto Honda negou a existência de possível acordo fechado entre patrões e empregados, afirmando que não houve dissídio aprovado pela categoria em julho e que as negociações continuam entre operários e o presidente do Sinmem (Sindicato das Indústrias Metalúrgicas de Manaus), Athaydes Félix Mariano. “A Honda não faz e jamais fará lobby junto a outras montadoras, sobre este assunto, pois como foi dito acima a negociação quem faz é o Sindicato Patronal. Não existe a possibilidade de acordo em separado, pois como foi dito a negociação é feita por meio coletivo e não individualmente por empresa”, traz a nota.
Já a Abraciclo (Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares) afirmou através do diretor executivo Moacyr Alberto Paes que a entidade representa sempre os interesses das montadoras, mas em momento algum interfere na política salarial desenvolvida por elas. “Nosso objetivo é lutar pelos interesses do polo de duas rodas, mas não participamos de negociações salariais entre funcionários e indústria”, considerou.
Para evitar maiores prejuízos, as empresas componentista do polo de duas rodas e o Sindicato dos Metalúrgicos agendaram uma reunião para hoje às 10h30.

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