Greve no setor judiciário ainda não é geral

Em nota divulgada no início desta semana, o TJ (Tribunal de Justiça) afirma que a “quase totalidade’’ dos fóruns do Estado de São Paulo funciona regularmente em meio à greve de servidores do Judiciário.
Segundo o tribunal, há casos pontuais de cerceamento à garantia ao trabalho e à prestação jurisdicional.
“A presidência do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo informa que, não obstante o direito dos servidores às reivindicações, não permitirá que o radicalismo de alguns prejudique o trabalho de muitos. O respeito às normas, que regem também a civilidade, distingue servidores que lutam por seus vencimentos de servidores movidos por agressividade e intolerância.’’
Cerca de 1.000 manifestantes, segundo a Polícia Militar, realizam hoje protesto em frente ao Fórum João Mendes, em São Paulo, o maior da América Latina. Apesar de terem desocupado o prédio na última sexta-feira, os servidores do Judiciário permanecem em greve. Eles reivindicam uma reposição salarial de 20,16%.
Segundo os manifestantes, cerca dos 50% dos cartórios estão fechados. Os advogados que passaram pelo fórum hoje confirmaram a informação e disseram que quase todos os cartórios estão parados.
Na quinta-feira, às 14h, haverá uma reunião de conciliação de dissídio coletivo, no Palácio da Justiça. Nesta ação, o sindicato dos servidores do Poder Judiciário e todas as associações e servidores são os autores e os réus, o governo do Estado de São Paulo e o TJ.
Os servidores ainda querem fazer uma assembleia na quarta, às 13h, para discutir as novas deliberações sobre a greve. Eles estão em vigília desde sexta-feira no fórum e hoje novamente com carro de som.
Os grevistas haviam ocupado na noite da última quarta-feira o fórum, e só o desocuparam na sexta-feira. Na ocasião, a tramitação de 2,5 milhões de processos foi interrompida nas 70 varas que compõem o fórum, e as cerca de 23 mil pessoas que procuram atendimento diariamente no local não tiveram acesso ao edifício.
Os casos urgentes que deveriam ser ajuizados no Fórum João Mendes foram julgados por juízes dos fóruns regionais.
O secretário do governo paulista Luiz Antonio Guimarães Marrey (Casa Civil) classificou de política a greve dos servidores. Segundo ele, o governo sancionou no mês passado o plano de cargos e carreira, uma das principais reivindicações dos grevistas.
“É uma greve feita por um setor absolutamente minoritário. O Judiciário paulista está funcionando com absoluta normalidade’’, afirmou Marrey, citando a presença de deputados da oposição na invasão do Fórum João Mendes.
Marrey, que até março deste ano era secretário da Justiça do então governo José Serra (PSDB), afirmou que outros pedidos dos grevistas, como o reajuste de 20,16%, não podem ser atendidos por causa da lei eleitoral.
Para o secretário, a invasão não é um assunto que deve ser tratado pelo governo estadual. “É um problema dos servidores do Judiciário e do tribunal. Apesar disso, o governo lamenta a truculência da invasão.’’

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