Greve eleitoreira repercute na CMM

A paralisação súbita dos rodoviários repercutiu de forma exacerbada no plenário da CMM (Câmara Municipal de Manaus). Vários vereadores da base aliada do prefeito e de oposição criticaram a greve que deixou de atender mais de 400 mil usuários do STP (Sistema de Transporte Público) na manhã de segunda-feira (7).
Segundo o prefeito de Manaus, a greve tem conotação eleitoreira e não reflete a decisão dos trabalhadores do STP. “É um absurdo, uma cidade de dois milhões e duzentos mil habitantes paralisar por causa de meia dúzia de irresponsáveis que mentiram para os rodoviários. São pessoas que querem usufruir deles, usá-los como massa de manobra até eleitoreira para prejudicar a cidade, – que não estão ligando para a cidade -, em benefício próprio”, desabafou.
O vereador Waldemir José (PT) aproveitou o caos provocado na cidade pela greve dos rodoviários para pedir agilidade na tramitação do PL (Projeto de Lei) de sua autoria, que propõe catraca livre em caso de greve dos trabalhadores do STP da cidade.
Na opinião do vereador Waldemir José as greves que ocorrem todos os anos no sistema de transporte coletivo, muitas vezes acontecem com objetivo de pressionar para que haja aumento na tarifa e o usuário do sistema fica prejudicado com a greve e com o reajuste da tarifa.
“Da forma em que está só quem sai prejudicado de forma prática, é a nossa população, porque em regra geral isso ocorre quando está para se aumentar o preço da passagem. E, regra geral se faz toda essa farsa entre rodoviários e Sinetram e no final das contas se aprova aumento bem superior ao aumento autorizado aos trabalhadores e a população fica no prejuízo”, afirmou.
O vereador Marcelo Serafim (PSB), chegou a chamar o presidente do Sindicato dos Rodoviários e os irmãos, o ex-vereador Jaildo dos Rodoviários e o diretor sindical Givanci, de ‘quadrilheiros’. “Se quiserem me processar podem. Não tenho medo de bandidos”, afirmou.
Apesar de achar justa a reivindicação dos trabalhadores, o vereador Professor Bibiano (PT) disse que não adianta jogar a culpa nos ‘cabeças’ do sindicato, que querem se aproveitar politicamente da greve, mas olhar para os atos obscenos que vêm ocorrendo no transporte coletivo.
“Gostaria que o prefeito avaliasse o sistema de transporte coletivo com seriedade. Mostrar aos empresários que a cidade tem comando e não jogar a culpa somente para os trabalhadores e empresários não”, afirmou.

Consequências da paralisação
Mais de 400 mil usuários do STP foram prejudicados com a paralisação inesperada, que resultou em dezenas de ônibus [veículos articulados e biarticulados] retidos nas garagens.
Com a paralisação dos rodoviários muitos permissionários do transporte alternativo e executivo aproveitaram o momento para majorar o valor da passagem e faturar com o aumento da demanda. O valor de R$ 2,75 da passagem cobrada no transporte alternativo passou para R$ 4,25 e no executivo a tarifa passou de R$ 4,20 para R$ 4,80 em decisão relâmpago. “Eles poderiam ter avisado com antecedência de pelo menos um dia para as pessoas não perderem o trabalho e nem dinheiro com esse aumento inesperado”, reclamou a vendedora, Rosineide Assunção.
Os mototaxistas pegaram carona na greve e aplicaram um aumento de 100%, outros de até 200% por cada corrida. “Tem muitos que estão cobrando bem mais que o normal, chega ser o dobro e alguns abusados cobraram o triplo do valor da corrida”, alertou operador de caixa, Valdisley Santiago.
Os veículos dos transportes alternativo e executivo que dão suporte para o transporte convencional tiveram que trafegar no limite da capacidade. Para os mototaxistas a situação foi a mesma durante o dia. “Muita concorrência ao longo do dia, porque tem muito passageiro querendo carona, é mototaxista, é táxi-frete, é táxi, é tudo enrolado no bolo. A concorrência hoje está difícil demais”, confirmou o motorista, Antonio Carlos de Almeida.
Na rede de ensino municipal, estadual e federal as aulas foram suspensas, devido à dificuldade de alunos, professores e servidores se deslocar para os estabelecimentos de ensino em toda a capital. “Impossível de dar aula sem transporte público para chegar às escolas, que são muito distante, até as provas foram suspensas”, lamentou a professora do ensino médio, Rosa Maria Siqueira.
Nas garagens das duas maiores empresas do STP, Global e Eucatur, localizadas nas zonas Norte e Leste, a PM (Polícia Militar) permaneceu de prontidão para manter a ordem pública e para dar apoio aos oficiais de Justiça, caso fosse necessário cumprir alguma determinação judicial. As principais reivindicações foram o reajuste de salário em 20%; R$ 12 mil em reposição de perdas dos funcionários, salário insalubridade para o motorista e cobrador; creche para cobradora que tem filho até sete anos.
No fim da manhã de segunda-feira (7) o prefeito Arthur Neto esteve na sede do TRT da 11ª Região (Tribunal Regional Eleitoral), para solicitar aumento no valor da multa aplicada ao sindicato dos rodoviários por cada dia de paralisação. “Estamos pedindo que seja decretado imediatamente a abusividade dessa greve, que seja ordenado um imediato retorno ao trabalho e que a multa seja majorada de R$ 100 mil para R$ 1 milhão de reais”, solicitou.
Na rede de supermercados DB o problema foi sério devido ao atraso dos funcionários, segundo o gerente de Marketing, Guto Corbett. “Algumas pessoas não coseguiram chegar, outras nós tivemos que mandar buscar ou pegar táxi e qualquer coisa que estivesse funcionando”, relatou o gerente.
Ainda segundo Corbett, os prejuízos estão sendo apurados com a acentuada queda no fluxo de clientes pela manhã, que normalizou com o retorno do transporte público no início da tarde de segunda-feira. “Tanto em números de funcionários como de clientes houve uma queda sentida não só de atrasos e faltas, como houve uma queda no fluxo de pessoas”, concluiu.
De acordo com o presidente da CDLM, Ralph Assayag, as perdas no comércio foram de 25% no período da manhã com a paralisação dos rodoviários e de 15% de perda de vendas no dia, e 30% a mesmos de funcionários nas lojas, são os números apurados pela Câmara de Dirigentes Lojistas de Manaus.
“Quando a greve não é comunicada e pega os lojistas de surpresa, é feito o que está nos comunicados anteriores: Que utilizem outras formas de transporte para o funcionário chegar ao trabalho. Porém, houve lojistas que viram que os clientes também não estavam aparecendo, e deram o dia para o funcionário ficar em casa”, relatou.

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