11 de agosto de 2022
Prancheta 2@3x (1)

Greve amplia prejuízo da indústria no pólo de Manaus

Ontem, a Panasonic e Brastemp juntaram-se às 18 empresas já atingidas pela retenção de cargas nos terminais da Receita Federal na capital amazonense.

A greve dos auditores fiscais que, hoje, completa um mês, já acumula prejuízos que ultrapassam R$ 1,2 bilhão no PIM (Pólo Industrial de Manaus). Desta vez, de acordo com o Sindicato dos Metalúrgicos, a Panasonic e Brastemp juntaram-se às 18 empresas já atingidas pela retenção de matéria-prima nos terminais de carga da capital.
Fontes internas da Panasonic informaram à reportagem do JC que a falta de insumos na unidade fabril vinha interferindo nas linhas de produção das TVs com tubo de imagem (cinescópio) desde o início da semana, culminando com a paralisação dos trabalhos na manhã de ontem.
No bojo da desarticulação do setor de televisores, foi cogitado que a Panasonic pode ver suas linhas de LCD e plasma também serem atingidas pela greve. “Cerca de 50 operários receberam licença remunerada até a liberação dos insumos, mas esse número pode chegar a 120 se for mantida a ‘operação tartaruga’ deflagrada pelos auditores no início da semana”, assegurou a fonte.
A insuficiência de componentes parece ter atingido também a Brastemp, que resolveu, segundo fontes internas da empresa, paralisar por uma semana uma de suas linhas de produção local como manobra administrativa para diminuir os prejuízos. A empresa negou, entretanto, qualquer ação nesse sentido, divulgando através da assessoria de comunicação que a parada na produção é um procedimento usual, já que utiliza produtos sazonais em suas linhas.
“Quando necessário, há paradas estratégicas, com o objetivo de realizar a manutenção preventiva dos equipamentos, garantindo assim, a produção no período de alta”, afirmou a Brastemp em nota.

Cieam tem parecer favorável

A assessora de comunicação e de responsabilidade social do Cieam, Núbia Lentz, afirmou que no Amazonas, onde atuam 175 auditores fiscais e apenas 30% desse efetivo vem cumprindo a jornada de trabalho nos terminais de carga do Estado, a ‘operação tartaruga’ levou o Cieam (Centro da Indústria do Estado do Amazonas) a requerer uma liminar e obter parecer favorável para a formação de uma comissão no prazo de 48h para liberar as mercadorias destinadas às suas associadas, enquanto perdurar a greve dos fiscais.
“A liminar foi deferida pela juíza Jaiza Fraxe, da 1ª. Vara Federal, que entendeu que as empresas não podem esperar indefinidamente por uma solução para as reivindicações dos fiscais. Assim, a liberação das mercadorias vai ocorrer mediante a simples apresentação do extrato da DDE pelo exportador e da DI pelo importador”, disse Lentz.
O presidente do Unafisco-AM (Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Amazonas), Paulo Sérgio Sousa, afirmou que a categoria vai se reunir em assembléia, na próxima sexta-feira, para debater sobre o fim da greve a partir da proposta salarial apresentada pelo governo na última terça-feira. O dirigente evitou entrar em detalhes sobre a proposta salarial do governo e o porquê de a categoria reivindicar equiparação salarial com a função de delegado da Polícia Federal, mas ressaltou a importância da atividade e o risco de morte que enfrentam diariamente no combate à sonegação, pirataria e lavagem de dinheiro. “A proposta do governo está bem aquém da nossa pauta reivindicatória. Mesmo assim, vamos reunir a categoria para avaliar se iremos dar continuidade ou não”, afirmou Sousa. Segundo fontes do Unafisco-AM, a oferta salarial do governo foi cerca de R$ 14,2 mil, enquanto os fiscais reivindicam ganhos que alcançam R$ 19 mil.
Em relação ao sistema de promoção e progressão na carreira, Sousa disse que o governo acenou para um tempo mínimo de 18 meses para mudanças de padrões, sendo a primeira progressão após o fim do estágio probatório de dois anos.
“A proposta apresentada não atende aos pleitos dos auditores fiscais e não cumpre a promessa feita pelo governo, em outubro do ano passado, de alinhamento entre as carreiras típicas de Estado”, avaliou o dirigente sindical.

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