Greve afeta faturamento da indústria

A greve dos portuários pode comprometer o faturamento diário do PIM (Polo Industrial de Manaus), que hoje chega a algo em torno de US$ 140 milhões, de acordo com cálculos do Cieam (Centro da Indústria do Estado do Amazonas). “Os impactos da paralisação serão grandes, já que a indústria local depende da movimentação das cargas para o recebimento de insumo e envio de mercadorias”, destaca o presidente da entidade, Wilson Périco.
Périco comenta que o setor já sofre com os altos custos logísticos, comparado a outras e que a greve comprometeria o funcionamento da linha de produção de muitas empresas do PIM. “Esperamos que haja um bom senso e ela não aconteça, pois haverá um impacto mesmo que as fábricas estejam com um estoque razoável”, comentou Périco.

Greve contra MP dos Portos

Nesta segunda-feira (18), aconteceu uma assembleia geral para decidir sobre a adesão ao indicativo de greve geral, aprovado na última quarta-feira (13) pelas federações que reúnem os três segmentos da categoria –portuários, estivadores e avulsos. A greve, marcada para o próximo dia 25 de março, é uma reação contra a medida provisória 595, a chamada MP dos Portos.
“Decidimos apostar na negociação. Mas se até o dia 25, não houver garantias de que nossas reivindicações serão atendidas vamos paralisar as atividades nos Portos de todo o país”, declarou o presidente da FNP (Federação Nacional dos Portuários), Eduardo Guterra. A paralisação deve atingir 37 mil trabalhadores, em todo o país. No Amazonas, 700 trabalham nos superterminais, Porto Chibatão e no Porto Privatizado, além dos avulsos que atuam na orla da capital amazonense.
Entre as principais reivindicações dos portuários, estivadores e avulsos estão a manutenção dos direitos conquistados pelos trabalhadores e assegurados pela lei 8.630, conhecida como Lei de Modernização dos Portos, de 1993; que a MP dos Portos vete a terceirização das atividades portuárias, que os trabalhadores possam ser contratados para exercer suas funções por qualquer terminal, independentemente de ele estar fora do porto organizado, e que seja garantida a multifuncionalidade, pela qual um trabalhador pode receber capacitação para exercer outra função.

Previsão de investimentos

Para o Executivo, a meta da MP é clara: estimular investimentos privados em terminais portuários e outras instalações (armazéns, estações de transbordo) para aumentar a oferta de serviços de carga, descarga e estocagem no litoral brasileiro. Há previsão para a licitação de 159 terminais marítimos, dos quais 42 são novos, em áreas ainda não exploradas. A estimativa é que o total de investimentos nos Portos seja de R$ 54,2 bilhões até 2017.
Favorável à medida provisória, a senadora Kátia Abreu (PSD-TO) afirma que, se nada disso for feito, há risco de “apagão” nos portos. “O próprio Tribunal de Contas da União já faz essa previsão: se não expandirmos nossa capacidade, teremos um apagão portuário nos próximos sete ou oito anos”, disse a senadora, que também é presidente da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil).
O cronograma da comissão mista que analisa a MP 595/12 prevê que o texto final será apresentado no dia 3 de abril e, se possível, votado na semana seguinte pela Câmara e pelo Senado.
Relator da MP na comissão mista do Congresso, o senador Eduardo Braga (PMDB-AM) já admite mudanças no texto. “Algumas ideias possibilitam uma equalização, sem a qual teríamos dois pesos e duas medidas, e isso não interessa a ninguém”, disse Braga.

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