Grau de investimento impacta sustentabilidade empresarial

O discurso da primeira ministra da Alemanha em visita ao Brasil, em maio deste ano, demonstrou a relevância de levar em consideração as questões socioambientais em conjunto com os econômico-financeiros

Com a conquista de dois dos principais graus de ­investimento, concedidos pelas agências de rating Standards & Poor e Fitch, a euforia tomou conta do nosso mercado. Não é para menos. Há mais de dez anos que o país se prepara para esse momento. E agora, o que acontecerá?
Muitos investidores internacionais só podem investir em países com grau de investimento, e a maioria desses somente em países com grau de investimento reconhecido por, pelo menos, duas agências de rating. Ou seja, o Brasil já é reconhecido como um porto seguro.
O país tem hoje a ­democracia mais sólida da América Latina; as regras comerciais são respeitadas; o arcabouço legal mostra sinais de avanços; e a estrutura reguladora apresenta critérios claros e técnicos. Isso significa que, do ponto de vista da estrutura institucional, avançamos bastante.
Em relação à infra-­estrutura, o Brasil tem muito o que fazer: melhorar a ­geração de energia; ampliar a malha ferroviária e hidroviária; reestruturar o transporte público; realizar as reformas trabalhista, do judiciário, da previdência. E o capital estrangeiro é muito bem-vindo para ficar e desenvolver socioeconomicamente este país. Atualmente, muitos investidores internacionais observam o Brasil e avaliam detidamente as oportunidades.
E a sustentabilidade? O discurso da primeira ministra da Alemanha em visita ao Brasil, em maio deste ano, demonstrou a relevância de levar em consideração as questões socioambientais em conjunto com os econômico-financeiros. Ela foi categórica quando abordou que não tem como existir um produto competitivo financeiramente a custa de danos ambientais e humanos, pois, em um determinado momento, todos vamos pagar a conta. Ou seja, a ministra alemã deu a entender que isso é como empurrar com a barriga. A urgente ­­­decisão do governo federal na ­substituição do Ministério do Meio Ambiente ­demonstrou que o Estado brasileiro não pode se descuidar dessa área.
Provavelmente, os investidores internacionais,socialmente responsáveis, observaram com bastante atenção este acontecimento na esfera governamental. É importante que as empresas se posicionem de maneira transparente e de forma pragmática sua pró-atividade em relação ao desenvolvimento sustentável, para que esses recursos venham para o Brasil.
Temos todo o direito de desenvolver a nossa economia, mas não façamos como os europeus, que destruíram praticamente todas suas florestas e hoje não sabem o que fazer. Vamos buscar um equilíbrio e aproveitar da nossa biodiversidade em prol do crescimento socioeconômico sustentável. A luta pelos royaties da biodiversidade deveria ser uma bandeira não só do Estado nacional, como também das companhias brasileiras.
As práticas atreladas a sustentabilidade de empresas aqui no Brasil e o envolvimento internacional delas e de entidades como Instituto Ethos, Ibase, Bovespa, Apimec, IBGC, entre ­outras, contribuiu para o fortalecimento de uma nova percepção ­sobre o país. Os governantes, ­independentes das bandeiras partidárias, poderiam aprender, e muito, com a iniciativa ­privada quando se fala de sustentabilidade. O momento é muito oportuno pra realizarmos um pacto pela sustentabilidade, onde todos os agentes da ­sociedade participariam fazendo sua parte e compartilhando conhecimento.
O momento é oportuno para as empresas ­estruturarem suas gestões baseadas no retorno ao acionista com sustentabilidade.

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