Grau de investimento ao Brasil em 2008 é pouco provável, diz Fitch

O diretor-executivo da Fitch no Brasil, Rafael Guedes, apontou para o fato da perspectiva de elevação do rating (nota) do Brasil estar estável. “Isso significa que, em um prazo de dois anos, as chances do rating não ser alterado é maior do que 50%”, apontou.

“Olhamos ciclos positivos e negativos. O Brasil teria hoje índices de um pais com grau de investimento, mas podem piorar”, explicou.

O grau de investimento é uma classificação reservada para países, ou empresas, que representam menor risco para investimentos estrangeiros, segundo a opinião das agências de “rating” -como é o caso da Fitch. Em tese, países ou empresas encaixados nessa categoria podem levantar recursos no exterior a taxas de juros menores.
Segundo Guedes, está nas mãos do país a conquista do grau de investimento. Para isso, precisa fundamentalmente reduzir a relação entre dívida e PIB (Produto Interno Bruto) e apresentar um desenvolvimento sustentável. “O potencial do Brasil é fazer sua lição de casa”, disse.

Mas a tarefa não é simples, diz o analista. Segundo projeções da Fitch, o país deve crescer na faixa dos 4,5% nos próximos três anos, o que é considerado pouco pela agência de classificação de risco.

“Crescendo assim a dinâmica da dívida melhora. Mas ainda está fora da curva (dos demais países emergentes)”, disse, lembrando que mesmo um crescimento continuado a 4,5% não é uma regra no Brasil, dado o desempenho econômico ao longo dos últimos anos.

Crise do “subprime”
Peter Shaw, responsável pela análise de bancos latino-americanos da Fitch, explicou que neste ponto a crise do crédito imobiliário de alto risco (“subprime”) pode atrapalhar o Brasil.

Para ele, o Brasil não será atingido diretamente pela crise, mas pode sentir os efeitos indiretos -em especial no caso de uma desaceleração da economia norte-americana.
“(O efeito) vai depender da duração da aversão ao risco causada pela crise”, disse. “A capacidade do Brasil não ser atingido de curto e médio prazo é boa”.

Shaw ainda apontou uma perspectiva pouco animadora para a extensão da crise. Para ele, os problemas ainda não são totalmente conhecidos.

“Há mais notícias ruins. Vários créditos subprimes ainda terão que ser reprecificados”, disse. Ou seja, mais bancos ainda terão que relatar prejuízos com a exposição aos papéis atrelados a estes créditos. “Mas não quebra o mercado.”

O presidente do BC (Banco Central), Henrique Meirelles, disse em setembro, esperar que o Brasil receba o chamado grau de investimento (“investment grade”) dentro de um ou dois anos. Ele admitiu, porém, que as recentes turbulências nos Estados Unidos deixariam as agências de classificação de risco em uma “situação delicada”, e por isso ele preferia não fixar uma data mais precisa para a nota do Brasil.
“O Brasil caminha para o investment grade em prazo não muito longo. Mais perto de um a dois anos do que de oito a dez anos”, disse ele em audiência pública na CAE, do Senado.

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