Gradual reabertura dos espaços culturais permite retomada de temporadas de espetáculos

Durante três meses deste ano, as atividades culturais presenciais foram canceladas, obrigando o amazonense a buscar alternativas para se entreter. A maioria optou por assistir filmes por pacotes de canais privados de TV e lives de cantores. Somente na primeira quinzena de julho, com a reabertura gradual dos espaços, a população pôde ter o prazer de voltar a buscar diversão para aliviar esse período de pandemia.

O ator e empreendedor cultural Michel Guerrero, que dirige Companhia de Teatro Apareceu a Margarida, destaca que as casas de teatro locais já estão fazendo o retorno de suas atividades. “O Teatro Manauara(avenida Mário Ypiranga, nº 1.300, zona centro-sul) já reabriu para espetáculos. No dia 5 de setembro, eu me apresentei no dia dedicado ao teatro. O Shopping Grande Circular também ofereceu uma apresentação gratuita da peça ‘O Rapto das Cebolinhas’, de Maria Clara Machado, no último dia 10 de outubro, na Praça de Alimentação”.

O colunista social Jander Vieira sugere aos interessados por atividades culturais que acompanhem a programação do Casarão de Ideias (rua Barrosa, nº 279, Centro, zona sul) com mostras de filmes e apresentações de artes cênicas. “O amazonense pode aproveitar este momento para conhecer mais o Centro histórico de Manaus, visitar museus e centros culturais e ir em restaurantes como o Juma Ópera Hotel e Caxiri (ambos na rua 10 de Julho, Centro, zona sul)”, aconselha Jander, que atua no colunismo social há 25 anos e cuja página é publicada todas terças-feiras no Jornal do Commercio.

Para o músico e cantor Jean Williams, a pandemia proporcionou o surgimento de muitos shows online, permitindo que o público conheça mais a produção dos artistas locais, além dos nacionais. Ele conta que o Instagram, o Facebook e o YouTube contam com bons trabalhos musicais que foram gerados durante a pandemia, inclusive a apresentação que ele realizou dentro de um iate, no rio Negro, batizado de “Sarrafo sobre as Águas”. O link para a live  é https://www.youtube.com/watch?v=HOAtydNLKJU. “Foi uma apresentação com padrão profissional, pois utilizamos bons equipamentos musicais, inclusive imagens feitas por drone e a participação do humorista Abdias”, ressalta Jean.

“Novo normal”

Além dos shows online, as apresentações presenciais começam a ser gradativamente agendadas nas principais casas de espetáculos da cidade, dentre elas o Teatro Amazonas, conforme destaca o produtor de shows e jornalista Fabrício Nunes, que coordenou, no dia 11 de setembro, o show da cantora Lucilene Castro em comemoração aos seus 25 anos de carreira. O evento foi transmitido pela TV Encontro das Águas, associada da Empresa Brasil de Comunicação – EBC Brasil, canal 2.1 (TV aberta) e 513 HD Net.

“Foi o primeiro show que nós fizemos com base no ‘novo normal’. Durante a realização do show, nós adotamos todas as medidas de prevenção e combate à transmissão do novo coronavírus. O teatro tem capacidade para 700 lugares, mas utilizamos apenas 350 para evitar aglomeração. O acesso foi permitido apenas com uso de máscaras, não houve sessão de fotos para manter o distanciamento social e obedecemos todas as demais regras de higiene”, explica Fabrício, ressaltando que, em breve, ele finalizará a produção de novos shows de MPB.

A empresária e artista visual Mel Kenia diz que uma boa opção para o manauense é uma saída para um bar ou restaurante, dentre eles o Cervantes Bar (rua Costa Azevedo, nº 232, Centro, zona sul), do qual é proprietária e que oferece atividades de exposições e lançamentos de livros, além de refeições leves como caldos, sopas e sanduíches. “Nós funcionamos de segunda a sábado, das 16h às 22h, e, nos fins de semana, costumamos ficar até às 23h, ou até quando tiver cliente no local”.

Confira todos os espaços culturais em funcionamento

Desde setembro, o manauense já conta com programação cultural gratuita disponibilizada pelo Governo do Amazonas, por meio da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa. Os espaços culturais coordenados pelo órgão são constituídos de museus, teatros, galeria e centros culturais, que oferecem visitas guiadas, exposições, exibições de filmes, apresentações de dança, peças de teatros e shows populares e concertos de música erudita.

Todos os espaços estão funcionando com redução de 50% da capacidade e com protocolos de segurança em prevenção à Covid-19, como totens de álcool em gel, aferição de temperatura na entrada e distanciamento social demarcado e uso obrigatório de máscara.

O Centro Cultural Palácio da Justiça (avenida Eduardo Ribeiro, nº 901, Centro, zona sul) funciona de terça a sábado, das 9h às 15h, com agendamento pelo Portal da Cultura (www.cultura.am.gov.br). O roteiro de visitação turística inclui ainda o hall inferior e superior, gabinete de leitura, sala do desembargador, sala das becas, galeria dos ex-presidentes, gabinete do presidente, Museu do Crime, tribunal pleno e corredor do júri.

O Teatro Amazonas (avenida Eduardo Ribeiro, nº 659, Centro, zona sul) tem visitação turística das 9h às 15h, de terça a sábado, assim como uma programação de espetáculos aberta ao público. Todas as atividades da casa funcionam no sistema de agendamento online por conta da capacidade reduzida em prevenção à Covid-19.

O Centro de Artes Visuais Galeria do Largo (rua Costa Azevedo, nº 290, Largo de São Sebastião, Centro, zona sul) apresenta mostras com trabalhos de artistas amazonenses e a exposição permanente “Cidade de Santa Anita”, de Mário Ypiranga Monteiro. O local funciona das 15h às 20h, de terça a domingo. Não é necessário agendamento prévio para o espaço; no entanto, as visitas são feitas com grupos de até dez pessoas, para atender aos protocolos de segurança.

O Teatro da Instalação (rua Frei José dos Inocentes, s/nº, Centro, zona sul) e apresenta espetáculos gratuitos de dança, teatro e música. É necessário agendamento pelo Portal da Cultura.

O Centro Cultural Palacete Provincial (Praça HeliodoroBalbi, s/nº, Centro, zona sul) possui quatro museus: de Numismática, Tiradentes, de Arqueologia e Museu da Imagem e do Som do Amazonas (Misam). O local possui abriga ainda a Pinacoteca do Estado. A entrada é gratuita e necessita de agendamento pelo Portal da Cultura.

O Centro Cultural Palácio Rio Negro (avenida Sete de Setembro, nº 1.546, Centro, zona sul), construído em estilo eclético, em 1903, para ser residência particular do comerciante da borracha, o alemão Karl Waldemar Scholz, é um dos prédios mais emblemáticos desse período, que marcou a economia do estado. No local, que funcionou como sede do Governo e, em 3 de outubro de 1980, foi tombado como Patrimônio Histórico e Artístico do Estado do Amazonas, o público pode conferir a beleza arquitetônica e relevância histórica. A entrada é gratuita e necessita de agendamento pelo Portal da Cultura.

O Centro Cultural dos Povos da Amazônia (Praça Francisco Pereira da Silva, na avenida Silves, nº 2.222, Crespo, zona sul) é um espaço que visa valorizar, difundir e disseminar as informações geradas e produzidas sobre os países da Amazônia Continental, formada por Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Peru, Suriname, Venezuela e a Guiana Francesa. Também funciona no local o Museu do Homem do Norte, com um acervo de 4.116 peças, no qual se destaca a Coleção Noel Nutels, médico sanitarista que se dedicou ao trabalho junto aos povos indígenas no Parque do Xingu.Também estão no museu acervos da Fundação Nacional do Índio (Funai), destacando-se máscaras indígenas para rituais, adornos, canoas, esteiras, fragmentos arqueológicos e cerâmicas com peças e artefatos variados. O CCPA e o Museu do Homem do Norte funcionam de terça a sábado, das 9h às 15h, com agendamento pelo Portal da Cultura.

O Museu Seringal Vila do Paraíso, localizado no Igarapé São João, na área rural de Manaus, foi criado para locações para as filmagens do longa-metragem “A Selva”, e reproduz um seringal do final do século 19 e início do século 20, época do Ciclo da Borracha e período de grande ascensão econômica do Amazonas. O acesso para o Museu do Seringal é feito pela Marina do Davi, no final da Estrada da Ponta Negra. A travessia é feita pela ACAMDAF (092) 3658-6159, que cobra R$ 14 por cada trecho. O espaço tem uma entrada de R$ 10.

O Cine Teatro Guarany (anexo ao Palácio Rio Negro, na avenida Sete de Setembro, nº 1.546, Centro, zona sul) apresenta mostras de longas-metragens, curtas-metragens e documentários. A entrada gratuita e agendamento por meio do Portal da Cultura (cultura.am.gov.br).

Reportagem de Adalto Gil 

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