Governo português veta venda da operadora Vivo para Telefónica

A proposta de 7,15 bilhões de euros da Telefónica pela participação da Portugal Telecom (PT) na Vivo foi rejeitada. A decisão foi tomada na assembleia extraordinária de acionistas da empresa portuguesa. Foi decisiva a posição do governo português, que por meio da Golden Share (ação com poder de veto) que detém na Portugal Telecom, vetou a venda da operadora de telefonia celular para os espanhóis. Dos votos válidos, 73,91% votaram pela venda da Vivo e 26,09% foram contrários, excluindo as abstenções. No total foram 748.952 a favor, 264.354 contra e 217.595 abstenções, em que cada voto vale 500 ações.
Com o veto do governo, ficou mantida a participação de 50% que a PT tem na Brasilcel, joint venture entre a empresa portuguesa e a espanhola que controla a maior empresa brasileira de celulares, a Vivo. Foi a assembleia com maior participação da empresa portuguesa, perto de 75% do capital com direito a voto. Desde a privatização da empresa, as assembleias não tinham mais de 60% de participação.
A decisão coloca num impasse a parceria de quase oito anos entre as empresas espanhola e portuguesa. Em 18 de outubro de 2002, as duas empresas anunciaram uma joint venture para a área de celulares no Brasil. A Portugal entrou com a Telesp Celular, que tinha adquirido durante a privatização.
Apesar da parceria, as duas empresas não tiveram uma relação pacífica. Em 2007, quando a Sonae fez uma oferta hostil sobre a PT, a Telefónica apoiou a tentativa – a Sonae comprometia-se a vender a participação na Vivo à empresa espanhola. Com o fracasso da oferta, as duas empresas continuaram trabalhando juntas.
Inicialmente, a Telefónica fez uma oferta de 5,7 bilhões de euros pela fatia da PT na Vivo e, depois, aumentou a oferta no dia 1º de junho. Depois de ter rejeitado a primeira oferta, o conselho de administração da PT decidiu convocar uma assembleia para tomar uma decisão. Isso após ameaça da Telefónica de convocar uma assembleia para reverter a decisão.
Na semana passada, a Telefônica fez uma oferta para tentar cativar os acionistas indecisos. Propôs incluir na pauta da assembleia um dividendo extraordinário de 1 euro por ação. No entanto, a proposta não foi aceita por ter sido feita menos de cinco dias úteis antes da assembleia. Em outra cartada, a Telefónica colocou 8% do total de 10% das ações que possui na empresa na posse transitória de três entidades para poderem votar na assembleia – uma vez que como parte interessada, a Telefónica não podia votar. Esta semana, a Comissão de Mercado de Valores Mobiliários, órgão regulador português, decidiu que as ações continuavam sendo da companhia espanhola, o que fez a empresa aumentar a oferta para 7,15 bilhões de euros.

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