Governo, empresa e sociedade podem vencer as dificuldades da crise

O empresário paulista que, na semana passada, se tornou Cidadão Amazonense, Wilson Luís Buzaro Périco, apontou que um trabalho conjunto entre o poder público, o capital e o trabalho é a saída para todos saírem ilesos do atual cenário de crise econômica

Jornal do Commercio – O senhor veio para Manaus participar do processo de implantação da fábrica de computadores da Itautec-Philco, que depois retornou para São Paulo. O que o fez mudar de ideia e largar 14 anos de trabalho na empresa?

Wilson Périco – Vim em 1993 pela Itautec-Philco para implantar sua unidade fabril aqui, mas por conta da lei de informática, essa atividade retornou para São Paulo e a proposta era que eu retornasse junto para continuar assumindo minhas atividades lá. Mas como recebi uma proposta interessante da Sanyo, resolvi ficar e pedir meu desligamento.

JC – Em qual empresa o senhor foi trabalhar?

Périco – Na Sanyo fiquei dois anos. Depois fui convidado para ir para a Brastemp, para ajudar na implantação de sua unidade fabril situada na Torquato Tapajós. Depois, a Thomson Multimídia me convidou para implantar a fábrica dela no PIM onde estou desde sua implantação até hoje na presidência da empresa que atua como fabricante de captadores de sinal de satélite –produto utilizado pela indústria de telecomunicações.

JC – O senhor é apontado como um apaixonado pelo PIM. Qual o motivo dessa paixão?

Períco – Tenho procurado desenvolver meu trabalho, representando uma empresa de nível internacional que está gerando emprego no Amazonas.

JC – Também é o representante das empresas do segmento eletroeletrônico e da Fieam?

Périco – Sou presidente do Sinaees (Sindicato da Indústria de Aparelhos Elétricos, Ele­trônicos e Similares de Manaus) e vice-presidente da Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas).

JC – Como recebe esse prêmio na Assembleia Legislativa?

Périco – Com muito orgulho, não esperava esse reconhecimento pela ALE, nunca estive envolvido com a atividade política. Eu sou muito grato por esse reconhecimento, espero continuar fazendo jus a esse título por intermédio do meu trabalho, do meu empenho, da minha dedicação e carinho por esta terra. Tenho muito orgulho de estar aqui, sou muito grato a essa terra, às oportunidades que eu e minha família tivemos e estamos tendo e vou fazer o possível para continuar me esforçando pelo desenvolvimento deste Estado.

JC – O prêmio é um consolo no atual cenário de crise?

Périco – Sem dúvida, mas apesar de agradecido, acho que o momento é de deixar a vaidade e interesses pessoais de lado e nos ligarmos ao trabalho. Nesse momento particular de crise, o Poder público, o capital e trabalho têm que estar juntos para definirmos quais as alternativas que temos para enfrentar essa situação de dificuldades para evitar os impactos sociais em relação aos empregos do PIM (Polo Industrial de Manaus).

JC –Procedente de São Paulo, como se sente sendo Cidadão do Amazonas?

Périco – Estou em Manaus há 16 anos por opção, por gostar, e esse momento vem coroar a decisão tomada lá atrás de permanecer aqui. Esse orgulho me traz uma responsabilidade maior, de continuar me esforçando, fazendo o que posso para retribuir o carinho que esta terra me deu.

JC – Seus quatro filhos nasceram em Manaus?

Périco – Não, vieram pequenos, mas estão super bem habituados e relacionados, não pensam em sair daqui, tanto é que estudam aqui –três estão na universidade–, já trabalham aqui, enfim somos muito gratos pelas oportunidades que esta terra nos deu.

JC – Como o senhor avalia o atual cená
rio econômico?

Périco – É uma situação sui generes, nunca antes acontecida no mundo. Só há uma forma de passarmos, se os três agentes da sociedade trabalharem juntos: o Poder público, o capital e trabalho. Cada um doando um pouco de si, buscando o que pode ser feito da sua parte como contribuição para juntos superarmos esse momento.

JC – Dá para avaliar em que nível se encontra a crise?

Périco – Acho que o pior já passou. Tenho certeza de que o segundo semestre vai ser bem melhor do que o primeiro, tenho fé de que isso vai acontecer.

JC – O governo incentivar o consumo é a alternativa viável?

Périco – Isso é que gira o mercado, porque não há atividade industrial sem demanda e quem gera é o consumo. Tem um componente industrial muito forte nas pessoas que levou a essa retração do consumo o que está causando impacto em nossa atividade industrial. Temos que regatar essa confiança.

JC – O PIM tem condições de crescer e superar os R$ 30 bilhões de faturamento efetivado em 2008?

Périco – Para 2009 acho difícil, mas tenho certeza e confiança de que poderemos nos aproximar muito do resultado do ano passado.

JC – Como o senhor avalia o futuro do PIM?

Périco – Bastante promissor. Nós estamos aqui para participar desse futuro.

JC – O senhor é apontado por alguns dirigentes de classe como um cidadão que briga pelos interesses da ZFM ?

Périco – É obrigação de quem está aqui brigar
sistematicamente pela ZFM (Zona Franca de Manaus), pelas coisas que interessam e geram prosperidade para o Estado do Amazonas.

JC – Qual a qualidade da mão-de-obra do PIM?

Périco – A melhor do país. Os resultados obtidos em todas as fábricas do polo são no mínimo iguais, mas na grande maioria das fábricas bastantes superiores aos das empresas co-irmãs instaladas no mundo.

JC – Como é feita essa preparação da mão-de-obra?

Périco – Estamos preparando pessoas não só para trabalhar no chão de fábrica, mas também num nível elevado dentro das empresas.

JC – Como assim?

Périco – Num nível mais intelectual para atuarem em patamares mais altos das organizações nas áreas administativa, contabilidade, engenharia, entre outros.

JC – A Thomson Multimídia é focada na valorização profissional?

Périco – Dos seis gerentes da empresa, três são amazonenses. Vale destacar que cinco são formados em universidades do Amazonas. Isso prova que a empresa tem uma política de aproveitamento da mão-de-obra local.

JC – Qual a formação do gestor Wilson Périco?

Périco – Sou formado em tecnologia eletrônica, pelo Instituto Mackenzie, e em economia, pelas Fifasul (Faculdades Integradas de Fátima do Sul), ambas situadas em São Paulo.

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