8 de maio de 2021

Governo amplia flexibilização do comércio

As lideranças do comércio do Amazonas comemoraram as medidas de relaxamento às restrições ao atendimento presencial na capital, anunciadas nesta sexta (5), pelo governador Wilson Lima. Para os comerciantes, a extensão dos horários de funcionamento foi uma boa notícia em um período de vendas fracas. A principal mudança, que permitiu a maior parte das demais flexibilizações, é a redução do horário do toque de recolher, que passa a ser de 21h às 6h, a partir de segunda (8).

Supermercados, mercadinhos e padarias vão passar a funcionar de 6h às 20h. Lojas do comércio de rua em geral abrem de 9h às 17h, de segunda a sábado. Drive-thru e delivery do varejo em geral podem ser oferecidos de 8h às 17h. O mesmo horário é reservado aos serviços de oficinas mecânicas (mediante agendamento) e de assistência técnica em geral. Lojas de som, acessórios, insulfilme e similares abrem uma hora mais tarde, mas encerram também às 17h (de segunda a sexta e com 50% da capacidade). Postos de combustíveis terão seu funcionamento estendido de 6h às 20h.

No caso dos shoppings, estabelecimentos e serviços permitidos nesta fase podem atender presencialmente das 10h às 18h, de segunda a sábado, com ocupação limitada a 50% no interior do estabelecimento e 70% nos estacionamentos. Os demais poderão funcionar apenas nas modalidades delivery e drive-thru, respectivamente, das 8h às 20h e das 10h às 20h. os centros de compras ganharam também o reforço de serviços que costumam aumentar o fluxo de visitantes. Salões de beleza voltam a funcionar na segunda (8), das 10h às 16h. Academias e similares tiveram seu horário estendido de 6h às 16h (com 50% de capacidade, exceto para aulas coletivas).

As alterações incluíram ainda o retorno em horário reduzido das marinas e transporte intermunicipal de passageiros, foram definidas nesta sexta (5), durante reunião do Comitê de Enfrentamento da Covid-19, com base na avaliação de dados epidemiológicos e da rede de assistência à saúde, e também foram apresentadas aos representantes dos demais poderes e órgãos de controle. O novo decreto vai vigorar de 8 a 21 de março. 

A taxa de transmissão do novo coronavírus, que chegou a 1,30 em janeiro, está atualmente em 0,91, o que significa que cada 100 infectados podem transmitir o vírus para outras 91 pessoas. A média móvel de casos de covid-19 caiu 33% no Amazonas – 51% em Manaus, em 3 de março, comparado com os últimos 14 dias. Mas as taxas de ocupação de UTIs na rede de saúde, pública e privada (80,4%) e de leitos clínicos (56%) ainda são elevadas, o que mantém a capital e o interior na fase vermelha da pandemia, conforme dados da FVS (Fundação de Vigilância em Saúde) e da SES-AM (Secretaria de Estado da Saúde). A média móvel de mortes pela doença caiu 45% no Amazonas – 49% em Manaus e 32% no interior. 

“Não podemos baixar a guarda. Muitos Estados estão colapsando, o que é uma situação que nos entristece muito e mostra mais uma vez o desconhecimento que temos sobre esse vírus, que passa por mutações e não há manuais sobre isso. Nós fizemos o nosso plano de contingência prevendo esse segundo pico, mas levando em consideração o que havia acontecido no ano passado, só que dessa vez triplicou a quantidade de pessoas infectadas”, alertou o governador Wilson Lima.

Retorno à normalidade

O presidente da ACA (Associação Comercial do Estado do Amazonas), Jorge de Souza Lima, considerou que as novas medidas do Executivo amazonense foram positivas para o setor terciário, não apenas para o varejo, como também para segmentos tradicionais de serviços, como o de alimentação fora do lar e de salões de beleza, além de postos de gasolina. Para o dirigente, a extensão do horário do comércio deve ajudar no processo de aquecimento gradual do comércio local.

“A gente vê que as coisas estão voltando à normalidade, em Manaus. Quem anda pelas ruas da cidade, vê um movimento muito bom. Noto que o comércio do Centro está um pouco fraco e os lojistas que trabalham com vendas de confecções e calçados estão até reclamando um pouco. Tem muita gente trabalhando em ponto alugado, que ainda está sofrendo com essa pandemia. Mas, as lojas de bairros e, principalmente, aquelas especializadas em outros ramos, como o de material de construção, estão tendo um movimento razoável”, comentou. 

“Dever de casa”

O presidente da FCDL-AM (Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Estado do Amazonas), Ezra Azury, considera que a extensão de horário anunciada pelo governo estadual deve levar o comércio de rua a operar com 80% de sua capacidade normal, atendendo a parte do pleito do setor. O dirigente destaca que os shoppings de Manaus ganharam mais tempo de trabalho, especialmente nas praças de alimentação, mas considerou que o horário fracionado entre os segmentos que trabalham nos centros de compras “é pouco funcional”. 

“Acreditamos que devemos ter mais melhoras, nos próximos 15 dias. Estamos vendo que a pandemia está se agravando em outros centros urbanos, enquanto nós já passamos pela fase mais crítica e fizemos nosso dever de casa. Já a demanda depende da confiança do consumidor, além do poder aquisitivo. Acreditamos que a maior oferta de vacinas e leitos deve ajudar, assim como políticas que melhorem a economia ajudem nesse sentido”, ponderou.

“Passo a passo”

Para o presidente em exercício da Fecomercio-AM (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Amazonas), Aderson Frota, as mudanças previstas no novo decreto significam mais um passo na direção da reabertura plena e definitiva do comércio e de serviços no Estado. O dirigente adianta ainda que as entidades representativas do comércio continuarão defendendo “com ardor” todas as medidas para reagrupar, reabrir e recuperar a atividade, mas admite que esse é um processo se construí passo a passo

“É claro que essa construção margeia as dificuldades normais que temos, com as limitações do sistema hospitalar e a visão das autoridades da saúde, que se preocupam muito com os efeitos da pandemia. Entendemos que a maioria dos estabelecimentos comerciais não gera aglomerações e que não pode ser atribuído ao setor o papel de propagador de contaminação. Evidentemente que conciliar todas as reclamações e anseios é uma tarefa complicada. Mas, só temos a agradecer às autoridades por conversarem conosco”, arrematou. 

Foto/Destaque: Divulgação

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