Governo adia negociação com grevistas

O governo federal não apresentou propostas e não deve atender ao pleito de nenhuma das 33 categorias trabalhistas em greve total ou parcial no país. Esse é o status atual das audiências realizadas em Brasília entre a Condesef (Confederação dos Trabalhadores no Serviço Público Federal) e o secretário de Relações do Trabalho do Ministério do Planejamento, Sérgio Mendonça, que seguem até o fim desta semana.
As informações foram passadas pelo Sindsep/AM (Sindicato dos Servidores Públicos Federais do Amazonas) que enviou sete representantes para defender as reivindicações das categorias do Estado.
Ao todo, o Amazonas já possui mais de dez órgãos federais com servidores em greve, sendo três deles integrantes da base sindical do Sindsep – Funai (Fundação Nacional do Índio), Funasa (Fundação Nacional de Saúde)/Ministério da Saúde e Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) – e o restante controlado por sindicatos próprios.
A diretora administrativa do Sinsep/AM, Geralda Oliveira, explica que os órgãos regidos pelo sindicato estão negociando a extensão do reajuste salarial estabelecido na Lei 12.277/2010 que atualmente contempla cinco carreiras – engenharia, arquitetura, geologia, economia e estatística – para os demais servidores públicos de nível superior.
Ela conta que o secretário Sérgio Mendonça disse não estar autorizado a aprovar propostas e que apenas fez a promessa de uma contraproposta na próxima sexta (17), embora tenha adiantado que a mesma será bem abaixo do pleito dos grevistas.
“Eles estão postergando a decisão até dia 31 de agosto, data em que termina o prazo para incluir os reajustes na nova lei orçamentária de 2013. É uma forma de desmobilizar as categorias. Estamos indignados”, desabafou.
A sindicalista alertou que caso não haja propostas aceitáveis, a orientação é de que os órgãos permaneçam em greve.
“A proposta do governo é em média de 5% de reajuste. A estimativa é de que o PIB (Produto Interno Bruto) cresça menos de 2% esse ano, então a proposta governamental está dentro da realidade orçamentária. A economia está engessada e estamos perdendo muita receita em função das greves. Nesse momento, é o que a conjuntura da economia permite”, contrapôs o economista e presidente da Fecomercio/AM (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Amazonas), Aderson Frota.

Impacto econômico

O economista ressalta que as greves afetam a economia como um todo, especialmente o comércio e a indústria. “No Amazonas, dois órgãos vitais para a atividade econômica estão parados – a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e a Receita Federal”.
Ele lembra que o comércio de importações tem sofrido grandes impactos. “Produtos importados para o Dia das Crianças não chegam e isso vai dificultar ainda mais a vida dos lojistas que passam por grandes desafios este ano”, lamentou
Além disso, uma parte do PIM está totalmente paralisada por falta de insumos importados que não são liberados pela Receita Federal.
De acordo com dados do Cieam (Centro da Indústria do Estado do Amazonas), um de cada três fabricantes de produtos eletroeletrônicos do PIM está com linhas de produção paradas por falta de insumos ‘presos’ no porto ou no aeroporto para desembaraço, desde o dia 18 de junho último.
O tempo médio de liberação pulou de um para até cinco dias, geralmente caindo no chamado ‘canal vermelho’ e o prejuízo às fábricas perfazem 10% o faturamento diário do parque – cerca de R$ 464 milhões desde julho último.
“Não estamos querendo dizer que os pleitos não são justos, mas acredito que as lideranças precisam de bom senso e trabalhar com realismo junto ao governo federal para não desacelerar ainda mais a economia”, avaliou Aderson Frota.

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