Golpes de roubo do celular têm foco nas contas bancárias, alerta Febraban

Com o avanço tecnológico, o aparelho celular que tinha como finalidade principal receber e efetuar chamadas, passou a armazenar o passo a passo do usuário no aparelho, além de fotos, mensagens, contatos, o dispositivo concentra uma série de serviços financeiros e as transações efetuadas em contas bancárias. Segundo a Febraban (Federação Brasileira de Bancos), os criminosos abordam as pessoas em vias públicas no momento em que estão usando o celular, com o aparelho desbloqueado passando a ter acesso, principalmente aos apps financeiros. É aí que começam a navegar  por senhas eventualmente armazenadas pelos próprios usuários em aplicativos e sites. 

Em 2020 foram registradas 24 bilhões de tentativas de ataques cibernéticos no Brasil, com uma média diária de 65 milhões. O panorama apresentado pela fundação Fortinet  destaca ainda que na maioria dos casos, o objetivo é ter acesso a informações financeiras de usuários e empresas, por meio de links maliciosos e download de vírus que controlam os dispositivos digitais.

De acordo com o professor de graduação em TI (Tecnologia da Informação) do Senac EaD, Anderson Aparecido Alves da Silva, os canais mais vulneráveis aos ataques estão presentes nos aplicativos instalados em smartphones, em razão dos privilégios concedidos pelos próprios usuários, e no acesso a sites desconhecidos e com poucas informações de contato.

Para ele, quando falamos sobre equipamentos tecnológicos, temos na comunicação e no compartilhamento de arquivos as principais ameaças à segurança de informações. Dados podem ser lidos indevidamente, acessados sem permissão, apagados por elementos não autorizados, alterados de forma maliciosa e até mesmo fabricados por meio de falsificação.

Ele explica que o ramo da tecnologia que atua na proteção dos dados é a Segurança da Informação (SI), que tem no escopo de trabalho a proteção de dispositivos (hardware), sistemas (software) e usuários. Entre os procedimentos adotados estão a implementação de controles de segurança como antivírus, sistemas de monitoramento de rede, anti-spywares, Sistemas de Detecção/Prevenção de Intrusões (SDPI), Virtual Private Networks (VPN), Firewall, entre outros.

“Há controles voltados para a garantia de confidencialidade (proteger uma informação contra a divulgação), para determinar a autenticação de usuários, para garantir o funcionamento de um sistema (disponibilidade), para determinar quem pode ou não acessar um sistema ou equipamento (controle de acesso), para confirmar a veracidade de uma informação (integridade), entre outros”, detalha Anderson.

A Febraban esclarece que os aplicativos dos bancos contam com o máximo de segurança em todas as suas etapas, desde o seu desenvolvimento até a sua utilização. Portanto, não existe qualquer registro de violação da segurança desses aplicativos, os quais contam com o que existe de mais moderno no mundo para este assunto. Além disso, para que os aplicativos bancários sejam utilizados, há a obrigatoriedade do uso da senha pessoal do cliente.

Para o  presidente do Sindicato dos Bancários, Nindberg Barbosa, se perguntar aos bancos se o aplicativo que eles lançam é seguro, é óbvio que respondem que sim. Mas para ele, os golpistas  tentam burlar ou buscam caminhos para que haja facilidade. “Infelizmente o usuário disponibiliza senhas de fácil acesso e deixam salvas nos celulares o que fica difícil de controlar. O que a gente entende é que os aplicativos dos bancos possuem as suas travas de segurança, mas podem melhorar essa situação. E os usuários precisam cada vez mais tentar salvar senha com uma maneira de travar dificultando esse acesso”, opina. 

Cuidados

O docente do Senac EaD reforça as precauções que o usuário pode utilizar para proteger celulares e notebooks pessoais: “um dos controles de segurança que deve estar presente em todos os dispositivos é o antivírus. No celular e notebook os cuidados são semelhantes e a primeira ação é instalar um aplicativo anti-spyware, de forma a proteger a privacidade do usuário. Outro cuidado importante é instalar apenas programas conhecidos e evitar conceder todas as permissões solicitadas. Complementando os procedimentos de segurança, é importante utilizar senhas fortes para dificultar tentativas de invasão”.

Um dos diagnósticos de invasão mais frequentes são identificados em sites de compras e, a partir do momento que o usuário preenche formulários de cadastro com informações pessoais é muito difícil evitar a propagação de dados. É fundamental utilizar operações em portais conhecidos e com bom histórico de atendimento para prevenir ou diminuir as chances de cair em golpes.

“Dentro do possível, operações de Single Sign On (SSO) devem ser evitadas, principalmente em sites desconhecidos. SSO são operações que pedem os dados de usuário a partir de uma conta de rede social ou de nuvem que o indivíduo já possua. Uma pesquisa em sites de reclamação como o Reclame Aqui também é uma boa medida”, orienta Anderson.

Além dos cuidados recomendados na utilização de dispositivos digitais, o docente do Senac EaD reforça a importância da LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados), idealizada para auxiliar na privacidade dos usuários, concedendo o controle sobre a distribuição e compartilhamento dos dados pessoais. “É uma garantia a mais para o cidadão que se sentir lesado por empresas que lidam com o tratamento de dados de terceiros”, finaliza.

Números

De janeiro a abril deste ano, a SSP-AM (Secretaria de Segurança Pública do Amazonas) registrou 506 crimes ligados à invasão de dispositivos informáticos. Em 2020, foram 490 registros.

Dicas de segurança Febraban

Para se proteger desse golpe, é fundamental que os clientes adotem os seguintes cuidados:

– Usar sempre o procedimento de bloqueio da tela de início do celular;

– Nunca utilize o recurso de “lembrar/salvar senha” em navegadores e sites;

– Jamais anotar senhas de acesso ao banco em blocos de notas, e-mails, mensagens de WhatsApp ou outros locais em seu celular;

– Não repetir a senha utilizada para acesso ao seu banco para uso em quaisquer outros aplicativos, sites de compras ou serviços na internet;

– Jamais anote a senha, memorize-a para o uso.

Adicionalmente, sempre que seu celular for roubado, o cliente deverá:

– Notificar imediatamente o seu banco para que as medidas adicionais de segurança sejam adotadas, especialmente o bloqueio do app do banco e senha de acesso;

– Avisar à operadora de telefonia para o bloqueio imediato da linha

– Registrar o Boletim de Ocorrência junto à autoridade policial.

Foto/Destaque: Divulgação

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