John Lennon imaginou um mundo sem fronteiras, onde todos poderiam conviver em paz e de forma harmônica. Imagine. Ele imaginou este mundo e alguém o levou a sério no cenário dos negócios.
Resultado desse processo foi inicialmente o comércio exterior que deu abertura aos atuais modelos de globalização e internacionalização de empresas. Com esse movimento de interesses, as nações “antes fechadas em seus mercados de consumo” agora (desde a década de 1990) passam por um momento de integração mundial de seus produtos.
Não é novidade um automóvel ser montado em um país asiático, passar para uma segunda fase de montagem em um navio-fábrica através dos oceanos, chegando à América Latina (Brasil em específico) para detalhes finais e comercialização; sem contar os milhares de componentes também produzidos ao redor do mundo.
Novidade? Não. Até este momento você lê algo que poderíamos batizar de lugar comum, ou seja, vemos este discurso com ênfase todos os dias na economia local e global. Os impactos de uma alta no barril de petróleo nos Emirados Árabes fazem com que a cesta básica de alimentos na Argentina também sofra além de outros exemplos que reforçam este tema.
Toda esta integração, que em algum momento gera a “desintegração” de algumas economias, não é novidade para os “mortais” consumidores destas mesmas economias ao redor do mundo, porém uma novidade em especial tem chamado a atenção: os barrados na fronteira.
Se o mundo hoje vende a idéia de globalização, também é salutar imaginar um maior fluxo de ida e vinda entre as nações; seja por força de negócios, educação ou por força da indústria do turismo – também popularizados por meios tecnológicos como a internet.
Na prática, o que temos visto é o contra-senso desta esperada realidade de integração global. As fronteiras têm se fechado cada vez mais, como em exemplos recentes na Espanha, ou em discursos do presidente francês Nicolas Sarkozy que aponta para um “endurecimento” das regras de imigração.
Existe uma razão para tudo isto acontecer na Europa, em especial por conta da posse do mesmo presidente francês, em 1º de Julho, na presidência da União Européia, cargo este rotativo. Em números, em menos de 15 anos o volume de imigrantes legais que chegam à Europa passou de 590 mil (1994) para 1,8 milhão (2007), conforme aponta o Eurostat (órgão estatístico da União Européia).
Os números não levam em conta os clandestinos, que podem chegar a 4,2 milhões de pessoas entre 1994 e 2007 em volume de imigrantes – o dobro da população de Portugal.
Para fechar os números: 67% de britânicos, 55% de italianos e alemães entendem haver excesso de imigrantes em seus respectivos países (enquete conduzida pela Novatris/Harris Integractive).
Entretanto é percebido em todos os países citados nas pesquisas que a mão-de-obra fornecida pelos imigrantes é fundamental para o desenvolvimento da economia, levando-se em conta a baixa taxa de natalidade nos países europeus.
Concluindo: se o mundo está globalizado, os interesses se tornaram comuns e se a prática de integração entre os mercados, através de seus profissionais, se dá por meio de viagens, visitas etc., por que os países se fecham tanto em torno de suas fronteiras?
Existe a carência de uma política de imigração aplicada nos mesmos moldes das desenvolvidas para a globalização e a internacionalização? Isto não parece um paradoxo à globalização?
Este artigo poderia tranqüilamente abordar as “fronteiras de comércio” impostas à ilha de Cuba, isolando-a no cenário mundial; o que não cabe aqui discutir em critérios políticos esta decisão. Cabe uma comparação: não estaria o mundo aplicando o “efeito Cuba” em suas fronteiras? É para pensar.

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