16 de abril de 2021
A saída para o apagão de talentos

* Por Luiz Edmundo Rosa
Uma ação integrada entre empresas, universidades e governo é o melhor caminho para superar a falta de profissionais qualificados que se verifica no Brasil. Essa escassez está se acentuando e se tornando crônica, passando de uma questão setorial para uma questão nacional. Para entender a dimensão do problema considere alguns dados e tendências relevantes.
O Brasil é a 10ª economia mundial e espera se tornar em breve a 5ª. Vários vetores impulsionam o seu crescimento, como a força das empresas na agricultura, indústria e serviços. Além disso, a descoberta do pré-sal, a Copa do Mundo e a Olimpíada, entre outros fatores, vão acelerar a busca de pessoas qualificadas. E, mesmo antes que esses efeitos se manifestem, já vivemos um apagão de talentos em diversos setores.
Entre os BRICs, o Brasil está bem atrás na formação de profissionais para viabilizar seu crescimento. Menos de 4% dos universitários de hoje serão engenheiros. Em 2007, formamos apenas 40 mil, perto dos 190 mil da Rússia, dos 220 mil da Índia e dos 650 mil engenheiros da China. O descaso com a educação se reflete no irrisório número de patentes brasileiras: 397 em 2008, ante 28.085 da Rússia, 2.808 da Índia e 5.206 de China.
Além da baixa qualidade, temos uma alta taxa de repetência e abandono em todo o ensino. Veja o funil que se forma (dados de 2008): são 32 milhões de estudantes no ensino fundamental, número que cai para 8 milhões de matrículas no ensino médio e somente 2,1 milhões de formados. Apenas 13% dos jovens são universitários e 40% deles não concluem o curso.
É muito preocupante a desaceleração do crescimento do número dos universitários. Depois de aumentar em até 15% ao ano no início da década, caímos para 1,3%, em 2008. O número de matrículas já não mais acompanha o crescimento do PIB e a demanda por profissionais qualificados vai se agravar ainda mais.
O Brasil precisa de um Plano Marshall de Educação para que seu crescimento seja sustentável. A empresa não pode se conformar com o despreparo e a insuficiência do pessoal que recebe. Muito menos assumir que o problema é seu, a um alto custo, porque isso não resolve. Até mesmo a legislação tributária é hoje perversa para quem quiser apoiar a educação, ao contrário dos países com que competimos.
A solução está na integração de esforços do governo, empresa e universidade. O Ministério da Educação (MEC) não pode continuar isolado. Diferentemente, o Ministério do Trabalho adota uma administração tripartite, unindo governo, trabalhadores e empresas na gestão do PAT – Programa de Alimentação do Trabalhador, reconhecido como um dos mais modernos do mundo. Se o MEC seguisse o mesmo tratamento iríamos muito além.
As companhias deveriam reivindicar sua presença no MEC, ao lado das instituições educacionais. O governo não pode ser dono de algo que é de todos. A educação é um bem comum que não está sendo bem gerido. Contudo, pode dar um grande salto se visão, gestão e ações efetivas forem compartilhadas entre empresas, universidades e governo.
*Vice-presidente de desenvolvimento humano e parcerias educacionais da Anima Educação e diretor de Educação da ABRH-Nacional.
Artigo publicado originalmente no jornal Estado de São Paulo.

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