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Gestão ambiental e economia verde no Amazonas

Por Pricila de Assis

As empresas no Brasil vêm buscando cada vez mais a certificação ambiental para desenvolver práticas sustentáveis em seus produtos e serviços, no interesse de aumentar a credibilidade nos negócios. Essa certificação é realizada através de um conjunto de Norma da ABNT ISO 14001, envolvendo mais três ISOs (International Organization for Standardization), que determina o compromisso da empresa com o meio ambiente.

O ISO 14001 é responsável pelo SGA (Sistema de Gestão Ambiental), enquanto o ISO 14004 é voltado para uso interno da instituição, seguindo o ISO 14010 que trata das auditorias ambientais e o ISO 14031 é o desempenho ambiental. Cada uma delas tem uma funcionalidade e progresso para ser adquirida, seguindo à risca todas as solicitações, para assim obter o selo de reconhecimento.

Segundo o economista Orígenes Martins, mestre em engenharia da produção, as empresas nos últimos vinte anos têm se engajado na busca da sustentabilidade como instrumento de defesa deste meio ambiente. 

“Quando falamos nas ISOs ambientais, é importante valorizar o papel que tiveram no sentido de movimentar tanto as empresas quanto o público no tocante à importância do meio ambiente de forma prática e dinâmica, sem radicalismos e sem misturas ideológicas.          O feedback que temos hoje entre o público e as empresas que adotam medidas de defesa do meio ambiente é uma prova desta nova forma de encarar a nova realidade”, afirma.

Apesar da certificação ISO 9001, ainda ser a mais procurada pelo mercado brasileiro, pois assegura maior qualidade na entrega de produtos ou serviços, com um total de 25.345 sites certificados, a ISO 14001, que trata da gestão ambiental, fica em segundo lugar no interesse dos empresários. Essa adesão representa mais economia verde para as empresas, contribuindo socialmente para baixa emissão de carbono, diminuição no impacto climático e eficiência na utilização de recursos naturais.

O Superintendente do CREA-AM (Conselho Regional de Engenharia do Amazonas), Gustavo Picanço, ressalta que a ABNT PR 2030 foi lançada no Brasil, marcando um avanço significativo.

“Essa norma pioneira alinha os princípios ESG (ambiental, social e governança) e oferece diretrizes claras para empresas. A ABNT PR 2030 define cinco estágios, desde o Elementar até o Transformador. Cada estágio representa o nível de incorporação das práticas ESG na empresa. Essa norma influenciará positivamente o cenário ESG no Brasil, tornando-o mais consciente e responsável. Contudo, as normas ISO e a ABNT PR 2030, são ferramentas essenciais para impulsionar a sustentabilidade empresarial. Elas guiam organizações rumo a um futuro mais responsável, onde equilibrar lucro e impacto ambiental é fundamental”, explica.

O engenheiro ambiental, Jorge Luis Garcez, especialista em Ciências Ambientais e Sustentabilidade da Amazônia, aponta que de forma empresarial, houve nos primeiros anos muita movimentação das organizações, no sentido de se adequarem às novas exigências normativas no contexto ambiental, possibilitou um avanço significativo na modernização dos processos de produção.

“Já no contexto governamental, os avanços foram muito mais baseados em instrumentos regulatórios ambientais ou ambientalistas, extremamente restritivos, em contraponto ao avanço tecnológico, causando um descompasso na parte das iniciativas e ações do setor empresarial, o que permitiu ou acarretou um certo desânimo para o alcance de suas metas nos últimos quinze anos”, disse.

O especialista menciona que tanto no âmbito público e privado, o resultado é negativo, pois a cada década ainda não conseguiu atingir, matematicamente, os “Objetivos do Desenvolvimento Sustentável”, com base em indicadores específicos de medição.

“O uso apenas de instrumentos normativos como as normas Série ISO 14000 não será o suficiente para garantir a tão sonhada sustentabilidade planetária, haja vista, que nos tempos atuais estamos numa espécie de “transição planetária”, que transcende ao nível da superfície da terra e nos coloca em submissão a dilemas ancestrais, no que se refere à nossa condição humana, sob um teto cósmico ainda em quase nada conhecido ou traduzido pela raça humana. Por fim, a importância das normas Série ISO 14000 ainda reside na sua proposta de dar um sentido cada vez mais estruturado, às iniciativas coletivas e individuais, na direção de arranjos produtivos que integrem a sociedade de forma que assume seu comprometimento com pelo menos a conservação e manutenção do nível de qualidade do meio ambiente, que ainda temos à nossa disposição”, esclarece. 

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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