Existe uma anedota, atribuída ao Rui Barbosa, que diz que um ladrão entrou em seu quintal, roubou uma galinha e estava pulando muro para fugir quando foi admoestado pelo grande advogado que o flagrou dizendo: “Oh, larápio rapinante, que usurpas sorrateiramente meu bípede emplumado, asseguro-te que não terás gozo neste ato vil e ultrajante.” O ladrão teria devolvido o frango porque não entendera patavina da verborragia do jurisconsulto, mas deve ter pensado que coisa boa não era.

Quando assistimos a TV Justiça com os votos dos magistrados que poderiam ser apenas sim ou não, contra ou a favor, somam muitas vezes sessenta páginas das quais o telespectador pouco entende e no final nem sabe se foi contrário ou a favor. Sentimo-nos como o usurpador do bípede emplumado do Rui Barbosa.

 Quando você assiste o noticiário na televisão, não se sente infantilizado com as demoradas explicações sobre temas de pouca relevância e outros mais importantes parecem não merecer o mesmo detalhamento? Eu sempre acho que poderosas máquinas de informação poderiam ser melhor utilizadas. Sabe-se que futilidades sempre atraíram leitores, radio ouvintes e telespectadores, mas tudo deveria ter um limite. Ou, pelo menos, ser mais dosado.

As emissoras que transmitem o noticiário político do Congresso Nacional não escapam desta regra. Aliás, muitos políticos parecem passar por treinamento para falar muito e dizer pouco. Quando começa a discussão na CPI é melhor tirar as crianças de perto da televisão. O exemplo de má educação que os senhores senadores dão faz qualquer professora de ensino básico se questionar sobre seu papel em ensinar boas maneiras às crianças. Estes homens que custam cada um mais de cinco milhões por mês devem ter tido um lar e uma professora que lhes ensinaram boas maneiras. Eles deveriam demonstrar isso. Nem que fosse para valorizar um pouco mais o trabalho dos educadores que custam a milionésima parte deles próprios. Em termos de custo, poderíamos comparar um jogo do Flamengo contra o Arranca Toco de Maraã e o Flamengo saísse perdedor.

A troca de gentileza que pauta os discursos políticos parece tirar férias quando as discussões são acaloradas. O eleitor que não votou para ver estes disparates se sente lesado por, mais uma vez, ter desperdiçado seu voto. Os senhores senadores parecem não se dar conta que o dinheiro que povo lhes dá merece ser gasto com coisa mais útil que com discussões inócuas ou em ataques pessoais. 

Os membros de uma CPI, seja numa Câmara de Vereadores, Assembleia Legislativa ou Congresso Federal estão em busca de holofotes e papocar os foguetes da reeleição antecipadamente. Mas parecem esquecer-se que tudo aquilo que sobe precisa descer. Um projétil lançado ao alto pode cair sobre a cabeça de quem o atirou.

O trabalhador que “mata” o tempo em serviço, está fazendo a mesma coisa ou pior que o ladrão de galinha da nossa historinha. O que dizer então dos caríssimos políticos que só buscam eternizar-se no poder? Vamos permitir que tenham gozo em seus atos vis e ultrajantes? Vamos fazer a gentileza de votar neles e permitir que continuem nos tratando com gente lesa?

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