Gasoduto chega, sem resolver problema

O gás explorado em Urucu chega oficialmente hoje a Manaus com a inauguração do gasoduto Urucu-Coari-Manaus na sede da Refinaria (da Petrobras) Isaac Sabá. Apesar de todo o alarde feito pelo governo federal para mostrar que a Petrobras está entregando a obra em tempo, as principais beneficiadas com o gás –as usinas termoelétricas– ainda não estão preparadas para receber o substituto do óleo diesel.
De acordo com o gerente-geral de implantação de empreendimentos da Petrobras, Marcelo Restum, das sete usinas termoelétricas particulares de Manaus, somente uma estará com parte das instalações prontas para usar o gás natural dentro de um mês. As demais usinas e toda a estrutura da concessionária estadual de energia elétrica –Amazonas Energia– ainda não estão preparadas para gerar energia elétrica de maneira limpa. A previsão para que o gás seja totalmente utilizado é de um ano, considerando a data de inauguração do gasoduto.
A capacidade produtiva atual de Urucu é de até 4,1 milhões de metros cúbicos de gás por dia, atingindo 5,5 milhões em outubro de 2010. O investimento na unidade foi de R$ 4,5 milhões e a reserva tem vida útil por até 20 anos. “Quando a produção estiver na capacidade máxima, a previsão é que a cidade de Manaus absorva até 5 milhões de metros cúbicos para gerar energia elétrica. O restante (500 mil) seria vendido à Cigás [Companhia de Gás do Amazonas] para utilização residencial, comercial e industrial”, declarou Restum.
Segundo o gerente-geral o uso do gás para produzir energia elétrica significa a redução de emissão de 1,2 milhão toneladas de dióxido de carbono (principal poluente causador do efeito estufa), que seriam lançados na atmosfera com o uso do óleo diesel.
De acordo com a assessoria de imprensa da Cigás a partir do primeiro semestre de 2011, quando o atendimento prioritário às usinas produtoras de energia estiver concluído, os ramais industriais serão construídos para atender às fábricas do PIM (Polo industrial de Manaus). A companhia divulgou ainda que os sete municípios por onde passa o gasoduto também receberão o produto para geração de energia elétrica, porém sem data definida.
O presidente da Aficam (Associação das Indústrias e Empresas de Serviços do Polo Industrial do Amazonas), Cristóvão Marques, aparentou estar animado quando a possibilidade do gás chegar ao PIM. “Se o gás estivesse disponível hoje mesmo, no dia do lançamento, seria um belo presente de Natal para as empresas. Esperamos que o produto chegue realmente no início de 2011 para, certamente, diminuir os custos de produção das grandes indústrias”, garantiu Marques.

Problema antigo

As sete cidades do interior do Amazonas por onde passa o gasoduto também estão confiantes para se beneficiar do precioso gás que brota de Urucu, conforme disse o presidente da AAM (Associação Amazonense de Municípios), Jair Souto. O dirigente espera que o gás leve desenvolvimento para as cidades “muitas vezes esquecidas pelos grandes investidores” e resolva o antigo problema de abastecimento de energia elétrica. “Vamos nos mobilizar para que o gás chegue a outros municípios próximos da capital, como Presidente Figueiredo [a 107 km de Manaus] e Itacoatiara [a 170 km]”, afirmou Souto.
Embora o comércio varejista e atacadista de Manaus veja com otimismo as mudanças ocasionadas pela utilização do gás natural como matriz energética, alguns representantes do setor se mostram preocupados quanto a utilização do gás nas residências e comércios da capital. “É preciso educar a população sobre o uso correto do gás para evitarmos acidentes e desperdícios para, de fato, termos um serviço de qualidade, mais barato e menos poluente”, ponderou o presidente da ACA (Associação Comercial do Amazonas), Gaitano Antonaccio.
Apesar da insistência da equipe de reportagem do Jornal do Commercio, a concessionária Amazonas Energia não quis falar sobre o assunto até o fechamento desta edição. O gasoduto tem 661 km de extensão e percorre os seguintes municípios: Coari (368 km de distância de Manaus), Codajás (237 km), Anori (200 km), Anamã (168 km), Caapiranga (140 km), Manacapuru (68 km) e Iranduba (34 km).

Obra é a mais cara do PAC e sofreu reajuste superior a 100% em seu preço final

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva inaugura hoje uma das obras mais caras do PAC (Programa de Aceleração de Crescimento). Trata-se do gasoduto Urucu-Coari-Manaus, promessa que levou mais de duas décadas para ser concretizada e custou R$ 4,5 bilhões. Além do valor da obra ter aumentado em mais de 100% dos R$ 1,3 bilhão estimado no início da construção, em 2004, os resultados devem demorar bem mais de um ano para serem sentidos pela população local.
O presidente vai inaugurar o fim da linha do gasoduto em Manaus com apenas 77 mil metros cúbicos por dia sendo aproveitados pela refinaria Isaac Sabbá. Mas, a Petrobras garante que já estarão imediatamente disponíveis para as termelétricas, que ainda não têm capacidade para receber o gás, 4,1 milhões metros cúbicos por dia.
“Queremos frisar que sem o gás seria muito dispendioso às termelétricas fazerem a conversão, mas, todas têm um prazo contratual até o fim do ano que vem para estarem adaptadas para receber o gás natural”, afirmou o gerente-executivo de operações da Petrobrás, Alcides Santoro.

Aviões e helicópteros

Segundo os responsáveis pelas obras, as revisões nos valores da obra durante a construção são por conta principalmente da adoção de uma tecnologia inédita no país de transporte de tubos, que incluiu o uso de aviões e helicópteros especiais.
Em Manaus, boa parte da população desconfia que não há interesse das produtoras independentes de energia –que hoje queimam óleo combustível– em usar o gás natural, já que acarreta custos altos para a conversão da matriz energética. Isso a despeito do ganho ambiental no caso do uso da nova matriz energéitca, segundo cálculos da Petrobras, do corte de cerca de 1,2 milhão de toneladas de gás carbônico por ano em emissões.
O gasoduto tem 661 km de extensão da linha-tronco, que liga Urucu a Manaus, e sete ramais para atendimento aos municípios por onte passa. No entanto, Coari, Codajás, Anori, Anamã, Caapiranga, Manacapuru e Iranduba, assim como Manaus, também não possuem qualquer usina que permita o uso do gás natural em benefício de suas respectivas populações.

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