4 de dezembro de 2021

Gargalos resultam no estrago de supersafra de grãos

“Toda a questão alfandegária, liberação de cargas, fiscalização da Receita Federal e da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) se limitam a essas oito horas”, salientou.

O presidente da Comissão de Direitos Humanos e Cidadania da Aleam (Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas), deputado Abdala Fraxe (PTN), criticou ontem, em seu pronunciamento na tribuna, a posição do governo federal de não reduzir os gargalos enfrentados pelo setor logístico do país. Consequência disso, segundo o parlamentar, foi o estrago de uma super safra de grãos produzidos em território nacional.
“O Brasil passa por um gargalo no setor logístico que atrapalha não só a questão das reservas cambiais, a questão monetária, mas principalmente está jogando por água abaixo todo o esforço que o homem do campo tem feito, nos últimos 15 anos, para melhorar a produção e a representatividade desse setor no país”, destacou o deputado.
Ao enumerar as “discrepâncias”, Fraxe ressaltou a situação do Porto de Santos, em São Paulo, que hoje está atravancado, com 30 quilômetros de congestionamento de carretas e mais de 100 navios ao largo aguardando embarque. Isso ocorre, porque de acordo com o deputado, os portos brasileiros operam apenas oito horas por dia, ao contrário do funcionamento dos portos no mundo todo que é de 24 horas. “Toda a questão alfandegária, liberação de cargas, fiscalização da Receita Federal e da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) se limitam a essas oito horas”, salientou.
Com o funcionamento reduzido frente aos demais países, o Brasil sai perdendo, tendo em vista que o Porto de Santos, por exemplo, movimenta apenas 8 milhões de contêineres, por ano, enquanto que os portos de Changai e Hong Kong movimentam 29 milhões e 24 milhões, respectivamente.

Alto custo e baixo lucro

O parlamentar também enumerou as perdas contabilizadas pelo produtor. De acordo com Fraxe, a tonelada de soja hoje é comprada no mercado internacional a US$ 440. Nos Estados Unidos, por exemplo, ao tirar os custos com logística e produção, sobra para o produtor americano US$ 205. No Brasil, quando eliminados os dois custos, o produtor lucra apenas US$ 82, por tonelada. “O produtor, o erário e a população brasileira estão perdendo US$ 123 por tonelada de soja. Isso é um absurdo, precisa ser revisto, precisa de medidas enérgicas”, argumentou.
“Estamos chegando aos 120 meses dessa administração federal e os portos não melhoraram em nada. Não se adotam iniciativas para que o país saia desse atoleiro da logística. No último final de semana, soube que a China cancelou a compra de dois milhões de toneladas de soja, porque não sabia que dia receberia a compra e se teria qualidade para usar o produto. Resultado: prejuízo para o produtor rural e perdas econômicas para o país”, enfatizou.

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