23 de maio de 2022

Gangorra do emprego permanece no distrito

O balanço dos trabalhadores do PIM em relação à evolução de emprego e salários em 2019 é que a situação piorou e que a força de trabalho foi o elemento penalizado pela crise e pela reação das empresas, que começaram a fazer mais com menos. As expectativas em relação a 2020 acabam de sofrer piora, em decorrência dos efeitos da eclosão do coronavírus na cadeia produtiva global.

Os números parciais da Suframa apontavam um quadro positivo até outubro de 2019, quando o PIM estava aquecido para atender a demanda das festas de fim de ano. Naquele mês, o Polo registrou 92.029 postos de trabalho, entre efetivos, temporários e terceirizados. Foi o maior número desde novembro de 2015 (94.808) – já no começo da crise – e a segunda vez em 2019 em que as vagas no Distrito atingiram marca superior a 90 mil, logo após agosto (90.788). 

A média mensal de postos de trabalho no Polo Industrial de Manaus, no acumulado dos dez meses iniciais de 2019 (88.797), contudo, se manteve pouco acima do patamar apresentado no mesmo período de 2018 (87.546), de 2017 (86.883) e de 2016 (86.161). E permaneceu distante do número registrado em 2015 (105.015), quando a crise se instalou no PIM. 

Os números do Caged apontam que, depois de meses seguidos de incremento, a indústria amazonense começou a demitir na passagem de outubro para novembro (-26 postos de trabalho e -0,03%). Em dezembro, o setor eliminou 1.473 vagas (-1,45%) e apenas três de seus 12 segmentos listados cresceram frente novembro, levando o Amazonas a fechar o ano com sua primeira retração mensal (-3.957 vagas), após dez altas seguidas em todas as comparações.

Em sintonia, a PNAD (Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílios) do IBGE informa que, embora as taxas de ocupação do Amazonas e de Manaus tenham caído, a cidade fechou o ano com o maior número de desocupação entre as capitais brasileiras: 16,9%. Foi justamente a indústria (206 mil) que puxou o número de empregos do Estado e da capital amazonense baixo no quatro trimestre, ao sofrer a maior queda (-10,19%) entre os setores econômicos.

Dólar e componentistas

Em conversa com o Jornal do Commercio, o presidente do Sindplast (Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Plástico de Manaus), Francisco Brito, contou que, em paralelo com as políticas de racionamento empresarial durante a crise, os fabricantes de bens finais também reduziram bastante as compras de componentes locais, em detrimento da aquisição de similares chineses. Como resultado, a indústria componentista encolheu e demitiu.

“O número de fábricas caiu de 124, em 2014, para as 72 de hoje. Não temos números exatos, porque hoje apena 30% das homologações são feitas no sindicato, e as empresas não costumam informar. Mas nossa estimativa é que o segmento, que já contou com 20 mil trabalhadores em 2013, tenha hoje uns 5.800 efetivados e outros 3.000 terceirizados. Empresas que chegavam a empregar 2.000 pessoas trabalham hoje com 600”, lamentou.  

A deterioração do câmbio nos últimos meses colocou essa política em xeque, ao inflar os custos de importações O primeiro alerta amarelo em relação a essa política veio do câmbio. Segundo o sindicalista, até o dólar atingir a cotação dos R$ 3,80, as coisas estavam bem, mas a partir da alta mais reforçada do último bimestre de 2019 e do primeiro de 2020, as empresas passaram a cogitar a possibilidade de comprar mais dos componentistas locais. Isso, até a chegada do coronavírus. 

“Estávamos um pouco mais otimistas, até porque conseguimos fechar um bom acordo na convenção, que deu aumento salarial de 5% à categoria. Mas, hoje mesmo tive uma reunião com o dono de uma empresa e ele me mostrou a linha de produção, dizendo que estava com 60% das máquinas paradas. Não tem como os fabricantes comprarem tudo por aqui e, se faltar uma peça, não dá para produzir, nem contratar componentistas. Do jeito que está, e com a possiblidade de o vírus já ter chegado ao Brasil, podemos ter um março tenebroso”, alertou.

Clusters e robotização 

Presidente do Sindmetal-AM (Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Metalúrgicas do Amazonas) e da CUT-AM (Central Única dos Trabalhadores do Amazonas), Valdemir Santana concorda que o coronavírus vai piorar a situação da empregabilidade, mas relativiza o alcance da crise, dizendo que ela se dará com mais força no segmento eletroeletrônico do que no de duas rodas, onde a verticalização e os clusters fariam a diferença.

Para ele, o maior problema vem da crescente automação e robotização na indústria. “Não sou contra a indústria 4.0, mas acho que temos que brigar para que, pelo menos, a jornada seja reduzida, sem corte salarial, para podermos contratar mais. Perdemos 71 mil vagas nos últimos três anos e não adianta nada ter Zona Franca sem a garantia de geração de emprego e renda”, arrematou.

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