6 de dezembro de 2021

Futuro digital nas salas de aula

Por décadas ouvimos clichês do tipo “crianças são o futuro”, ou coisas do tipo “o futuro começa agora”, no que tange ao trato com a educação. É clichê? Sim! Mas não deixa de ser a mais pura verdade. Se o Brasil quiser pavimentar um futuro promissor, isso deve começar dentro da sala de aula. E a quantas andam o contato dos alunos de Manaus com este novo mundo repleto de tecnologia e inovação? Dois projetos selecionados pela reportagem do Jornal do Commercio, mostram que o amanhã, de alguma forma, já chegou e é mais do que promissor.

Com a prática da chamada multialfabetização, o letramento digital e as competências e habilidades dos alunos, relacionadas ao pensamento computacional, estudantes da rede pública municipal já estão sendo apresentados a um ensino híbrido, com conceitos como linguagem de programação, robótica educacional, criação de produtos, entre outros.

“No ensino atual, o estudante deve ter a oportunidade de ter o contato com metodologias, estratégias virtuais, que ocorrem não só no Brasil, mas em todo o mundo. A ele também deve ser mostrado o uso mais consciente do mundo digital, não só a internet e os recursos tecnológicos, mas também o ensino dessas tecnologias. Afinal, para ele é tudo muito simples, por fazer parte de seu cotidiano”, comenta o coordenador do Clube de Programação e Robótica – ProCurumim, da rede municipal de ensino de Manaus, Régis Caria.

Procurumim apresenta novas tecnologias e inovação – Foto: Lton Santos/Semed Divulgação

Conforme Régis, o projeto tem currículo próprio dividido em duas partes. No primeiro ano, os alunos aprendem noções de programação em bloco, para que eles percebam o raciocínio lógico, trabalhem o pensamento computacional. Já no segundo ano do projeto, os participantes trabalham com a robótica.

“O projeto não tem a pretensão de formar cientistas da computação, engenheiros computacionais, desenvolvedores de softwares, mas sim viabilizar que o estudante tenha uma percepção de mundo, que ele consiga se inserir no mundo, isso porque a gente privilegia o aspecto pedagógico utilizando o recurso tecnológico como meio e não como fim”, destaca.

Além de Régis, outras seis pessoas integram a equipe do projeto, que trabalha com um grupo de professores, que recebem formação e replicam o conteúdo aprendido, nas salas de aulas. As oficinas ministradas aos educadores às vezes também contam com a presença de alunos.

O material apresentado ao grupo conta com orientações sobre programas e aplicativos como: Rectec, Jamboard, Python, Portugol, Storytelling, Google Drive, Google Sala de Aula, Google Docs, Google Meet, Google Acadêmico, Google Sites, Google Analytics, Power BI, Gmail, Zoom, Streamyard, Criando histórias e vídeos com powerpoint, Canva, Tinkercad, Mentimeter e Scratch.

Impacto

O Pró-Curumim atualmente vem sendo desenvolvido em 70 escolas da rede municipal, com a proposta de desenvolver o pensamento computacional de crianças e adolescentes. A estimativa é a de que aproximadamente 13 mil estudantes, da educação infantil e do 1º ao 9º ano do ensino fundamental, estavam sendo impactados, direta ou indiretamente pelo projeto até 2019. Porém, com a pandemia do novo coronavírus, houve uma baixa considerável no número de participantes.

“Com a pandemia as atividades tiveram que ser online, e isso impactou as nossas ações, em virtude da dificuldade de alguns alunos, em não disporem de internet ou algum dispositivo para acessa-la”, observa Régis.

Com a retomada das atividades presenciais em sala de aula pela rede municipal de ensino, o projeto conta atualmente com 604 estudantes participando diretamente. Para 2022, segundo Caria, a estimativa é a de alcançar pelo menos 20 mil estudantes, direta ou indiretamente.

Feira

Em 2019, o Procurumim realizou a primeira edição da Exposição de Ciências, Robótica, Educação Ambiental, Tecnologia e Inovação (Expocreati), que no período de 20 a 22 de outubro deste ano, realizou de forma online e totalmente gratuita a sua terceira edição. O evento foi transmitido ao vivo, mas ainda pode ser conferido pelo Canal Educacional Manaus no YoutTube.  A Expocreati é a união de dois grandes eventos da Semed (Secretaria Municipal de Educação): a Feira de Ciências, Tecnologia e Educação Ambiental que neste ano está em sua nona edição e o concurso de Letramento em Programação e Robótica Procurumim, que em 2021 realiza a sua sexta edição. 

Em 2019, o Procurumim realizou a primeira edição da Expocreati – Foto: Divulgação

A primeira edição da Expocreati, realizada presencialmente, contou com a participação de mais de mil alunos e a apresentação de 89 projetos. Já em 2020, com a pandemia da Covid-19, a feira ocorreu totalmente no formato online. O evento inovou, sendo transmitido ao vivo pelo Canal Educacional Manaus, no YouTube com a apresentação de 21 projetos da Feira de Ciências, Tecnologia e Educação Ambiental e quatro projetos do Procurumim, além de outros sete de robótica, desenvolvidos por estudantes, em conjunto com seus familiares.

Grupo alia robótica a ações sociais e educacionais

“A robótica está presente em nosso cotidiano. Você pode não encontrar um robô igual ao dos Transformers, mas quando a gente se refere à robótica, a gente fala de controle e automação, uma área da engenharia. Uma máquina de lavar foi criada justamente para executar tarefas que uma pessoa teria que executar, e a automação é isso, a execução de tarefas sem a interferência humana, e isso faz parte da transformação tecnológica que a gente chama de Indústria 4.0”, pontua o professor Glauco Soprano, da escola do Sesi Dra. Êmina Barbosa Mustafa, no Aleixo, zona Centro-Sul, que coordena as atividades de um grupo de robótica da instituição de ensino, o “Team Prodixy”.

De acordo com ele, o grupo surgiu em 2016, por iniciativa de alunos da própria escola do Sesi-AM, com o propósito de compartilhar o aprendizado com crianças da rede pública de ensino e comunidades carentes. Além de ter todo o acompanhamento pedagógico especializado em robótica no Sesi, a questão da cooperação também é incentivada aos alunos pela unidade de ensino. 

A equipe já participou de torneios regionais e estaduais na área de robótica, representando o Amazonas. Além de construir robôs, o grupo também tem como missão a promoção de ações sociais e educacionais, no entorno da comunidade em que a escola está localizada. O grupo também se prepara para ir para Houston, no Texas (EUA), para participar do FIRST Tech Challenge -programa internacional que desafia equipes a projetar, construir, programar e operar robôs.

Para participar da equipe, os integrantes são selecionados a partir de suas habilidades, e de acordo com Glauco, todas são válidas. “Geralmente a gente orienta os futuros participantes a mostrarem para nós, aquilo em que eles são bons, pois toda habilidade é válida. A gente irá fazer o direcionamento dentro do grupo, porque tudo é importante, seja uma pessoa que escreve bem, que fala inglês fluente, ou que sabe desenhar ou mesmo que seja animada e saiba motivar todo mundo, isso vai servir para dar um gás na equipe, para não desistir”, observa.

Ele também destaca que o mercado de trabalho é promissor, conforme dados do PIM (Polo Industrial de Manaus), há uma carência muito grande de pessoas na área de engenharia, principalmente em automação e robótica.

“O mercado precisa suprir essa necessidade e poucas são as escolas que preparam os alunos para isso. Temos o Sesi, o Senai, o Ifam, que trabalham com o ensino básico, não é curso superior, e trabalham também com o ensino tecnológico. A demanda do mercado é tão grande que temos que preparar a criança o mais cedo possível, para que ela ao entrar no mercado de trabalho, detenha os conhecimentos iniciais para a demanda que ela terá que suprir”, comentou.

Grupo se adequou para seguir com as atividades

“Meu envolvimento com a robótica começou cedo. Participei pela primeira vez como visitante em 2015 e desde lá o interesse só crescia. O ato de desenvolver, trabalhar em equipe, solucionar problemas sempre esteve presente e a robótica foi a oportunidade para me envolver de forma ativa nesses meios”, relata a estudante Emily Brito, 16, há dois anos integrando o grupo de robótica “Team Prodixy”. Por conta da participação na equipe, a jovem pretende seguir carreira na área de engenharia.

Com a pandemia da Covid-19, as atividades em grupo, antes presenciais, passaram a ser online. Por conta dos torneios de robótica que a equipe participa, diariamente uma agenda de missões é realizada pelos integrantes do grupo, que variam do desenvolvimento do robô às atividades sociais.

“No período mais difícil de nosso Estado, nós optamos por trabalhar de maneira online, expandindo nossos conhecimentos. Após a retomada das atividades presenciais, nós voltamos com o treino com a carga horária reduzida e adaptável, buscando sempre priorizar nossa saúde e o bom desempenho da equipe. O que mais nos afetou foi a questão do distanciamento social, que implicou diretamente nas nossas ações sociais, já que as mesmas são praticadas com envolvimento de muitas pessoas”, salienta.

Foto/Destaque: Divulgação
Reportagem de Leanderson Lima

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